Como tudo começou?

Enquanto revia vídeos e fotografias do meu pequeno de 4 anos (hoje com 7), que teima em crescer mais rápido do que eu consigo acompanhar, aproveitei para reler os diários que fiz desde a gravidez aos dias de hoje sobre cada momento (que julguei importante, essa ideia eu tive com a minha sogra que até hoje guarda escritos sobre fofurices do meu marido quando criança) registrado para que as trapaças da memória não as apagassem.


Foi neste caminho de reviver o passado que me descobri saudosa e percebi que precisava compartilhar as lembranças antes que esmaecessem sob a luz do dia a dia. Então, resolvi que postaria para amigos, familiares e outros curiosos do mundo pedaços desta minha vida, e ainda de lambuja deixar para o meu pimpolho histórias sobre ele mesmo para que um dia leia e sinta como foi esta jornada de chegar ao mundo e traçar seus próprios caminhos.


Espero que gostem e se emocionem um pouco, assim como eu ao revisitar minha história, e se entusiasmem para fazer uma visita à história de vocês.
Sejam bem vindos às "histórias sobre meu filho".

sábado, 11 de julho de 2015

Clue

Finalmente aderimos à TV paga após 10 anos de resistência. Nada político, simplesmente desnecessário, para quem passa o dia todo na rua. Mas fomos vencidos pela pressão do herdeiro e estamos em fase de testes.

Aproveitei para rever filmes e séries de que gosto muito. Foi quando redescobri o filme Clue (Os 7 Suspeitos) , baseado no jogo de tabuleiro Detetive. Comentei em casa e descobri que meu marido nuca tinha visto. Como havia dublagem em português, sentamos todos para ver.

No início Miguel ficou um pouco tenso, e amedrontado até perceber que se tratava de uma comédia, que tudo era mentira. Ele curtiu o filme e ficou falando dos personagens durante alguns dias.

Por coincidência, naquela mesma semana vimos um episódio do desenho Family Guy também baseado na história do jogo. E novamente ele viu e reconheceu o contexto, apesar dos  personagens serem outros.

Semanas antes de vermos o filme e o desenho, eu havia comprado o jogo para ele para guardar e e dar de dia das crianças. Depois de ter demonstrado interesse sobre a história, em especial porque teria associação a um jogo, resolvi antecipar o presente.

Resultado? Estou com uma criança de 6 anos viciada em jogar detetive.

Mas quem é o culpado?

Foi a mamãe, com o filme, na sala de estar.

domingo, 14 de junho de 2015

Em Búzios se fala qual língua?

Fomos a Búzios para o casamento de um amigo. 

Durante a viagem Miguel aprontou todas das suas , questionou, brincou, dançou... Assim que chegamos na cidade, ele vira pra mim e pergunta: Em Búzios se fala qual língua?

A ideia de que quando viajamos, atravessamos fronteiras culturais, linguísticas e gastronômicas já está na cabeça do meu filhote. E ele nem é tão "viajado"como outras crianças que conhecemos.

A pergunta cabe neste contexto, afinal, em Búzios fala-se castelhano, como meu amigo respondeu. Comemos comida argentina. Ouvimos outros sotaques.  De certa maneira nos deslocamos para um universo que não visitamos com frequência. 

Não somos muito de viajar nos finais de semana, sempre temos muitos compromissos aqui no Rio mesmo, e a falta do carro torna esta assiduidade ainda menor. Mas e impressiona sempre este olhar de inquietação com que meu pequeno percebe o mundo e o registra. Muito legal compreender as diferenças e tomar posse das novidades, como ele faz.

A geração do meu filho é única e especial, um encontro do melhor de cada uma das gerações passadas, sua capacidade de transformar e sua forma de vivenciar e experimentar o mundo é muito bela.

Espero o melhor destes pequetitos, que o mundo seja um  lugar para se amar.

sexta-feira, 5 de junho de 2015

Ficando velho

Não canso de olhar antigas fotos do Miguel bebe e relembrar os diferentes tipos de emoções que senti a cada fase, a cada momento que chegamos. Quando ele nasceu achei que tinha um nariz grande demais mais para aquele rosto pequeno e cabelo demais para um recém nascido, em nada se parecia com o chamado "bebe Johnson".

Depois dos primeiros meses de reconhecimento mutuo, começamos a nos apaixonar, passei a amar suas pernas magrelas e mãos gordinhas. E este é um amor que não cessa apenas cresce, se transforma e multiplica de uma forma inexplicável.

Agora mu companheiro de vida está mais velho, completou seus tão esperados 6 anos. Não entendo o que ele tem que deseja sempre ser  mais velho, desde bebe era assim com suas rebeldias e atitudes deslocadas na idade.

Chegou o dia de seu aniversário. Já havíamos comemorado com seus amigos no final de semana anterior, e com o pai no dia anterior porque era feriado Pela primeira vez cairia novamente na sexta-feira, mesmo dia em que nasceu, pedi até folga no trabalho, então este dia era somente nosso.


Panejei um dia especial com atividades que ele não e fomos ao Pão de Açúcar e almoçar hambúrguer numa lanchonete vintage que ele gosta. Na verdade não importava o programa, mas que estávamos juntos. Ele não parou de me abraçar e beijar  o dia todo, e eu, comigo mesma, lembrando dos nosso melhores momentos dos últimos 6 anos.

Eu sempre quis ser mãe, mas não de um bebe, eu queria um "amiguinho", uma criança que pudesse interagir e curtir comigo, e eu ganhei o Miguel, por quem agradeço todos os dias. Espero que a conexão que temos perdure por muitos anos...

domingo, 26 de abril de 2015

Viagem para São Paulo

Todas as crianças sonham ir à Disney e conhecer de perto aquele mundo de fantasia e sonho que assistem nos filmes.

Mas para aqueles que já abraçaram o Pateta (eu não gosto do Mickey e não tive paciência de perder tempo em uma fila mega para tirar foto com este ratinho sem graça) as viagens familiares tem que ter outros atrativos.

Foi assim que organizamos uma maravilhosa viagem com o melhor amigo do Mi. Nada muito longo ou distante, foi bem ali em São Paulo que passamos um final de semana exaustivo, porém por demais divertido.

Saímos num sábado de manhã dois pais, duas mães e dois melhores amigos. Fomos em voos separados, e nos encontramos no aeroporto em SP. Sem nem mesmo fazer check-in no hotel, corremos as mãos em nosso roteiro e, depois de um sanduíche de mortadela no Mercado Municipal, seguimos para a primeira parada da nossa aventura, a razão principal de Miguel querer visitar a terra da garoa: Corrida de Baratas!

Sim, fomos a uma Corrida de Baratas no Museu de Biologia. Me surpreendeu muito, tanto o conteúdo da exposição, a paciência e dedicação dos funcionários com as crianças e, claro, as baratas e outros insetos. Muito legal mesmo!

É incrível a quantidade de programas super legais para se fazer com crianças naquela cidade gigantesca. Tivemos dois dias sem parar e em vários lugares legais e os dois meninos, super companheiros, não reclamaram  ou brigaram nenhuma vez.

Fomos ao Mercado Municipal, Museu de Biologia, Jamie's, Museu da Língua Portuguesa, Museu do Futebol, Feira da Liberdade e ainda peguemos uma exposição do Avengers (Os Vingadores) no domingo de manhã. 

A próxima viagem vai ser com um grupo maior de amigos, num final de semana no hotel fazendo. Vai ser punk...  

sábado, 21 de março de 2015

Amigos

Amigos... Amigos são a família que escolhemos, aquelas pessoas de quem gostamos por terem afinidade conosco, por nos completarem ou nos desafiarem e trazerem um certo conforto para nossas vidas.

Mesmo quando não os vemos sempre, amigos ao se reencontrarem destroem a barreira do tempo e da distância e conseguem (re) estabelecer uma conexão cósmica única que apaga o período de ausência como se sempre estivessem estado junto um ao lado do outro.

Amigos brigam por coisas ridículas, como se fosse a terceira guerra mundial, e fazem as pazes como se nada tivesse acontecido. Choram juntos a dor do outro, e riem a alegria do outro.

Existem amigos de vários tipos, reais ou imaginários, confidentes e fofoqueiros, da infância, da escola, do trabalho, íntimos ou superficiais, de chope, de futebol, da praça, pra vida toda...


Imaginamos sempre que amigos fazemos quando crianças porque na idade adulta criamos a couraça da desconfiança e nossos corações se fazem duros para receber um outro diferente de nós. Ouvi um amigo nosso uma vez falar, citando uma personagem de TV, que não havia mais vagas em sua vida para novos amigos. Engraçada a citação, triste se verdadeira.

Meu filho já tem um amigo que imagino ser aquele “de verdade”, “melhor amigo”.  Não sei bem como tudo aconteceu porque se conheceram na escola. Miguel já era antigo e descolado na escola quando outro chegou, com um temperamento oposto ao do meu filho, o novo colega de turma tornou-se seu amigo. Começou como companheiro de brincadeira nas festas, depois passeio fora da escola, até que Miguel foi dormir na casa dele consolidando a relação de confiança.

Passaram momentos de estranhamento quando Miguel trocou de escola e se distanciou um pouco daquela convivência diária, mas o sentimento não se apagou. E no último final de semana quando um dormiu na casa do outro, antes de fecharem os olhos de sono, se despediram com “eu te amo”, puro e inocente próprio dos amigos.


E nós, os pais, também estabelecemos uma relação de amizade a partir destes pequenos, abrindo vaga para novos amigos, reinventando a nós mesmos a partir do Miguel.

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

Em primeiro lugar

Sei que escrevi há pouco sobre como me sentia em segundo lugar quando cedia a vez ao meu filho. Mas na verdade foi uma mágoa que todos sentimos quando abrimos mão de algo que muito desejamos por outra coisa, ou alguém, que também queremos (se fosse por algo que não déssemos valor, não faríamos, com certeza). 

Enfim, meu período de mágoa me serviu para ver e ouvir meu filho mais de perto, para trocar ideia com amigos queridos que enfrentam semelhante angustias todos os dias, para subir na cadeira e ver sobre outro prisma todo este cenário

E durante esta reflexão, percebi que estava colocando uma outra parte de mim em primeiro lugar, aquela parte que há anos atrás resolveu enfrentar seus monstros e assumir este papel que a maternidade traz. 

Como poderia estar em segundo lugar se o primeiro lugar era meu mesmo? Um outro eu, entregue à maturidade e generosidade. Eu passei o final de semana brigando com as duas faces de mim mesma, meu lado adulto e responsável contra meu lado jovem e despreocupado. E no meio desta contenda interna, meu filho sofrendo as barbáries que uma mente insana poderia cometer. 

Obviamente que há uma diferença na forma de criar filhos de ontem e hoje: ontem quando a vontade dos pais prevalecia sobre a dos filhos e estes eram OBRIGADOS a seguir seus pais para todos os cantos, e hoje somos nós pais a seguir as necessidades dos nossos filhos nos OBRIGANDO a inverter papéis de modo a garantir a felicidades deles em primeiro lugar (pelo menos faço parte deste grupo,e não de um outro que larga as crianças para "curtir"). 

Foi quando parei para ouvi-lo e descobrir o que podemos compartilhar juntos.  Ele tem tanta coisa dentro dele que ainda não sabe como expressar e não sabe como colocar de forma eloquente que se atropela e nos leva junto num turbilhão de emoções extenuantes. É preciso dar este passo atrás e olhar de fora para sentir e se restabelecer. 

Conversamos tanto ontem sobre como ele gostaria de criar um robô que pudesse fazer várias coisas para ele (pegar suco, fazer biscoito, ligar a TV, carregar no colo, etc.) para que eu e o pai pudéssemos descansar. Mas o robô também teria armas para defende-lo dos  ladrões. Depois ele fez um retrato meu. Fizemos desenhos e lemos histórias, e adormecemos nos braços um do outros, em harmonia, amor e confiança.

Sim, acordei me sentindo em primeiro lugar.

domingo, 15 de fevereiro de 2015

Em segundo lugar

Eu nunca vou entender esses sentimentos antagônicos que você me faz sentir, meu filho. Quanto amor e frustração, emoções que caminham juntas nesta experiência chamada maternidade. Enquanto escrevo meus olhos lacrimejantes e garganta cerrada  me impulsionam na escolha das palavras certas.

Eu mudei minha vida por você, e me transformei para que você pudesse ter um lugar neste mundo e fosse bem recebido, me choquei quando você saiu de mim e ao berros me mostrou que a partir daquele momento eu estaria sempre em segundo lugar (para mim mesma). E contra este segundo lugar eu luto bravamente todos os dias.

Por que eu não posso dormir um pouco mais nos finais de semana, ou ver um filme na TV quando tenho vontade? Abri mão do meu corpo por 9 meses para te dar vida, e da minha vida toda para cuidar de você e te ver crescer. Abro mão inclusive do tempo que poderíamos ter juntos para trabalhar mais e te prover de luxos que eu não tive. 

Por que você não pode me conceder o direito, o desejo de festejarmos juntos? Por que tem que ser sempre do seu jeito?

Filhos são egoístas até que se tornam pais.

E mesmo que cada uma destas coisas sejam feitas com imenso amor, tem dias, como hoje, quando a reciprocidade ainda não estabeleceu entre nós, que dói muito. E este amor dá lugar a uma frustração, uma decepção, e repenso minhas escolhas. E choro porque lembro de, no lugar de filha, ter agido de forma semelhante com minha mãe, e penso na dor que infligi a ela e que nunca soube.

Hoje estou muito triste, porque amo meu filho e escolheria ele para sempre, mas  queria estar em outra lugar. Estou me sentindo um animal enjaulado, acostumado a seu cativeiro, despossuído de direitos, sem ter aonde ir.

Quando poderei deixar de estar em segundo lugar sem que isso o prejudique ou a mim? Deveríamos estar vivendo em uníssono mas estamos em times diferentes. Não posso dar aquilo que não tenho. 

Quero retomar o meu primeiro lugar, sem deixar de doar e amar, Como conciliar estes sentimentos? Você tem a resposta, meu filho? Quem sabe um dia. Por hoje, deixo a dor inundar meu corpo e escorrer por meus olhos até que possamos estar juntos novamente em alegria.