Como tudo começou?

Enquanto revia vídeos e fotografias do meu pequeno de 4 anos (hoje com 7), que teima em crescer mais rápido do que eu consigo acompanhar, aproveitei para reler os diários que fiz desde a gravidez aos dias de hoje sobre cada momento (que julguei importante, essa ideia eu tive com a minha sogra que até hoje guarda escritos sobre fofurices do meu marido quando criança) registrado para que as trapaças da memória não as apagassem.


Foi neste caminho de reviver o passado que me descobri saudosa e percebi que precisava compartilhar as lembranças antes que esmaecessem sob a luz do dia a dia. Então, resolvi que postaria para amigos, familiares e outros curiosos do mundo pedaços desta minha vida, e ainda de lambuja deixar para o meu pimpolho histórias sobre ele mesmo para que um dia leia e sinta como foi esta jornada de chegar ao mundo e traçar seus próprios caminhos.


Espero que gostem e se emocionem um pouco, assim como eu ao revisitar minha história, e se entusiasmem para fazer uma visita à história de vocês.
Sejam bem vindos às "histórias sobre meu filho".

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quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

Todas de barriguinha de fora

- Elas pareciam adolescentes, estavam todas com a barriga de fora - ele comentou sem parar para me encarar ou qualquer coisa. O tom de seu comentário era de crítica, e foi quando perguntei.


Dia de carnaval na escola.

Apesar do Miguel não curtir samba, ele bem topa uma bagunça e se fantasiar.

Lá foi ele com sua fantasia de Finn*. No final do dia chega em casa comentando que achou muito estranho as meninas da sala dele no carnaval.

??????


- Elas não podem ir de barriga de fora? - ao mesmo imaginava fantasias de baiana, odalisca e havaiana que tradicionalmente fazem o estilo "barriguinha de fora".

- Não, porque elas não são adolescentes.

Miguel rotulou e taxou o lugar apropriado para determinada vestimenta, e porque não comportamentos? Nesta nova escola se depara com atitudes que antes lhe pareciam distantes. Há que compreender mas não se corromper.

* Finn é personagem do desenho animado Hora da Aventura - http://www.imdb.com/title/tt1305826/

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017

Percepções da nova escola


Miguel dá depoimento sobre a nova escola e suas impressões iniciais.



O primeiro dia de novo

Primeiro dia numa escola nova. 


Depois de receber a notícias da mudança com lágrimas nos olhos (ele está aprendendo a lidar com mudanças, esta é a lição que ele tem nesta vida), Miguel se resignou e aceitou os prós e contras da decisão. 

Ouviu alguns amigos, conhecidos e familiares que também frequentaram escola pública. Pesou os benefícios que teria, entre eles, atividades extras que combinamos que ele poderia fazer.

Acordou cedo - como se não bastasse a troca de escola, o horário também é novidade -, se aprontou rapidamente e bem disposto, me atrevo dizer que ele estava animado. 

Seguimos no caminho, mas não sem antes registrar o momento com descontração. Foto na posição do Bolt, e vamos em frente. 

Chegou ao prédio subindo as escadas aos saltos. Seria entusiamo? Seria medo? Seja lá o que foi, ele encarou de frente, cabeça erguida e ombros para trás.

No portão nos informaram que a professora dele está em capacitação (isso é bom, né?) e a turma iniciaria apenas na segunda. 

Puxa, rolou uma certa decepção. 

Mas o Diretor (ah, sim, o próprio Diretor da escola dava boas vindas aos alunos, enquanto o Inspetor organizava a entrada) propôs àqueles que quisessem ficar, providenciar atividades junto a outra turma. Detalhe uma turma mais velha que a dele. Teria sido isso um sinal? 

Perguntamos ao Miguel o que gostaria de fazer, ficar e se enturmar ou retornar somente na segunda. Ele quis ficar! Meus olhos encheram-se pela decisão, pela escolha que ele fez, sem pressão, com amor.

São estes momentos que importam.

sábado, 30 de julho de 2016

Olimpíadas

A escola do Miguel muito politizada e sempre antenada com o que está acontecendo no mundo, realiza a cada 4 anos Olimpíadas escolares. A ideia é levar para os alunos o espirito de competitividade e comunhão que as olimpíadas geram.

Desde o início do ano recebemos no calendário anual as datas do evento e as crianças começam a se preparar para as competições interna nas aulas de Corpo e Educação Física. 

Lembro que em meu tempo de escola também fazíamos Olimpíadas anuais. Era uma farra. Tinha abertura com desfile no Forte São João na Urca, e eu sempre aguardava ansiosa para ver se seria escolhida para levar a bandeira. Os times eram separados por cor. Tínhamos que elaborar os enfeites da torcida e no final havia a distribuição de medalhas. Até hoje tenho as minhas guardadas em uma caixa de papelão florido dentro do armário.

Miguel estava muito eufórico para participar. Minha preocupação era com as competições porque ele é do tipo que não gosta de perder, mas para alguém ganhar alguém acaba perdendo. Neste ponto a escola é ótimo em incentivar a participação.

No dia do desfile de abertura ele não queria ir porque não haveria jogo. insisti que seria muito legal, mal sabia eu de quão maneiro seria. 

Peguei fotos minhas quando criança trajando meu uniforme olímpico. E qual não foi minha surpresa quando vi que o meu time aos 7 anos era da mesma cor que o dele? Quanta emoção senti revendo aquelas fotos.

E lá fomos nós para a abertura. Eu não podia imaginar quanta organização e criatividade dos alunos para elaborarem um desfile teatral, cada time defendendo sua cor e sua bandeira. Miguel aderiu ao desfile e entrou empunhando um cartaz, com um certo destaque  (diz a mãe orgulhosa).

Amei tudo, e mais ainda ver o rosto do meu filho se integrando e interagindo, participando e se divertindo.

As Olimpíadas duraram uma semana. Miguel cada dia mais empolgado até o dia de seu jogo. Medalha de prata no Toto e no Futebol. Mas a vitória maior veio com o resultado final do evento. O time verde ganhou o maior numero de medalhas e saiu vencedor do evento. 

Meu filho não cabia em si, era o melhor... 

Pra mim não importava melhor ou pior, mas a lembrança que ele terá de sua participação. Que seja tão bela como a minha do meus dias de Olimpíadas.

terça-feira, 28 de junho de 2016

Última cesta do jogo

No domingo Miguel foi ao Aterro praticar seus arremessos e pediu a um grupo de adolescentes (grandões) para jogar com eles.

Interessante que os meninos bastante conscientes do uso do espaço público e considerando que ele estava muiiiiiiito a fim de jogar  o colocaram num dos times. 

E o jogo começou, três contra três. Miguel driblava e volta e meia recebia a bola que era lançada em sua direção de forma afetuosa pelos novos companheiros de bola. Ele não atrapalhava jogo, respeitou o grupos e as jogadas. Em contrapartida foi incluído na "galera".

No último lance do jogo, por acaso ou por gentileza dos rapazes, a bola estava em suas mãos. Ele podia arremessar para a cesta ou dar para um colega. Sem hesitação, e com total segurança do que estava fazendo, ele lançou a bola quase que debaixo do aro. E fez cesta!

A comemoração com o adolescentes foi bacana, com direito a abraço e hi-five. Mas o sorriso de realização, de pertencimento e compartilhamento experimentado pelo meu filho, esta experiência ele vai guardar na alma, na pele, e com certeza lhe dará força em momentos futuros. 

Ele acreditou em si mesmo, não temeu o desafio e se realizou: fez a última cesta do jogo.


quarta-feira, 8 de junho de 2016

Quer namorar comigo?

Às vésperas de seu aniversário, Miguel começa com um movimentação estranha, agitada. É um tititi na saída da escola com uma das amigas, e em casa um papel, um bilhetinho na mochila e muitos coraçõezinhos recortados.

De repente ele me procura para contar um segredo. Um desejo. Ele planejava pedir uma das amigas, convidadas para seu aniversário, em namoro.

Meu coração parou por cerca de 20 segundos, enquanto meu cérebro processava a informação e minhas terminações nervos se esforçavam para não esboçar sentimentos enquanto mantínhamos a conversa.

- Ah, é? - silêncio - Que legal!

E ele contando que havia escrito uma carta e iria entregar na festa e que a outra amiga em comum iria ajudar. Achei meio cedo para falarmos de triangulo amoroso, mas que diacho tem que ter uma amiga envolvida? Isso ainda vai acabar mal.

E minha mente continuava a processar: E se a menina não viesse? E se ela dissesse que não queria namorar? Afinal agora eles estudam em escolas diferentes. E o que ele espera de um "namoro"? Será que ele pensava em beija-la? E o que eu ia falar para os pais dela?

Minhocas, minhocas, e mais minhocas....

- Filho, e se ela disser que não quer namorar? O que você vai fazer?

- Ai, mãe, para de falar comigo assim com voz de peninha,  Se ela disser não, é não.

Queixo caído até o chão, cara de idiota frente a resolução do meu filho de encarar o que tiver que ser. Orgulho e medo se instalaram simultaneamente em meu coração.

No dia da festa eu estava apreensiva por saber da emoção e expectativa que ele sentia. Seu olhar brilhante quando ela entrou pela porta, suplantando o medo real de se aproximar, vergonha misturada com um enorme carinho.

E foi um verdadeiro tititi. Corre criança para um lado, corre criança para outro lado. Entra no quarto e vai pra sala. E a reunião de colegas diferentes, amigos de todos os tempos e amigos da nova escola.

Estava na cozinha preparando os lanches quando ele entrou e disse que tinha algo para me falar.

- Ela disse sim! - e eu com um nó na garganta, compartilhando a emoção que ele sentia.

- E agora, vocês vã fazer o que?

- Nada, ora. - e saiu em disparada para dançar na sala ao lado de sua eleita e agora, namorada.



sábado, 11 de julho de 2015

Clue

Finalmente aderimos à TV paga após 10 anos de resistência. Nada político, simplesmente desnecessário, para quem passa o dia todo na rua. Mas fomos vencidos pela pressão do herdeiro e estamos em fase de testes.

Aproveitei para rever filmes e séries de que gosto muito. Foi quando redescobri o filme Clue (Os 7 Suspeitos) , baseado no jogo de tabuleiro Detetive. Comentei em casa e descobri que meu marido nuca tinha visto. Como havia dublagem em português, sentamos todos para ver.

No início Miguel ficou um pouco tenso, e amedrontado até perceber que se tratava de uma comédia, que tudo era mentira. Ele curtiu o filme e ficou falando dos personagens durante alguns dias.

Por coincidência, naquela mesma semana vimos um episódio do desenho Family Guy também baseado na história do jogo. E novamente ele viu e reconheceu o contexto, apesar dos  personagens serem outros.

Semanas antes de vermos o filme e o desenho, eu havia comprado o jogo para ele para guardar e e dar de dia das crianças. Depois de ter demonstrado interesse sobre a história, em especial porque teria associação a um jogo, resolvi antecipar o presente.

Resultado? Estou com uma criança de 6 anos viciada em jogar detetive.

Mas quem é o culpado?

Foi a mamãe, com o filme, na sala de estar.

sexta-feira, 2 de janeiro de 2015

Toothless

Desde de dezembro que dois dentes de leite do miguel estão bem moles. Fomos até ao dentista no final do ano para ter certeza que um que já estava nascendo atrás não teria problema de ficar tortinho. 

Miguel estava extremamente ansioso e, ao mesmo tempo, amedrontado em puxar o dente pelo novo, desconhecido. Então hoje de manhã, antes de sair para o trabalho, coloquei um pouco de gelo na gengiva e com um paninho, invoquei o espírito de minha avó que era dentista, e puxei o pequetito.

Saiu sem dor, com um filete de nada de sangue, o dentinho caiu, agora é só esperar a Fada do Dente!

Naquele instante eu comecei a chorar, mais um passo no crescimento dele que me emocionou. E eu pude estar presente, apoiando, ajudando. Ele não chorou nada,estava enlouquecido de tamanha alegria, passando a língua pelo buraco que ficou entre os demais dentes, e olhando no espelho.

Começaram então os planos com a esperada visita da Fada do Dente, que deveria chegar hoje e trazer uma lembrança, que para o Miguel deveria ser em dólar. É, também fiquei pasma. Falei para o Marcelo que a tradição é uma moedinha por dente, afinal esta Fada não mora no Banco Central Americano e sim num Castelo num mundo mágico.

À noite, após Miguel dormir, colocamos o dente embaixo do travesseiro e aguardamos a chegada da Fadinha com sua moedinha da sorte.


OBS pós postagem: No dia 06/01/05, caiu o segundo dente, também sem dor e com muita alegria. E a Fada veio com moedinhas nas duas vezes.

domingo, 14 de dezembro de 2014

O Quebra-Nozes

Somente uma avó para levar o netucho ao Teatro Municipal para assistir ao Quebra-Nozes.

Ainda me lembro de minha 1a. vez para ver a Cia de Balet Momix em Romeu e Julieta. Eu tinha 13 ou 14 anos, fui com um grupo da escola e fiquei encantada com a arquitetura, com a música, com a dança, com a história. Naquela época não se via metade da beleza do teatro que ainda não havia passado pela restauração.

Que sorte que meu filho tem de poder usufruir deste encanto...

Na véspera do passeio sentamos no computador para conhecer um pouco da história do balet e do teatro, eis que aparece no youtube diversos vídeos e Miguel vira para mim e diz que já conhece o Quebra-Nozes porque viu no desenho da Barbie. 

Este mundo moderno permite acesso a tudo, e se não fosse a avó talvez meu filho jamais conhecesse a verdadeira história e conhecesse apenas este desenho computadorizado e não beleza e encanto da arte in natura, ao vivo e ter a emoção de sentar num teatro de verdade e ouvir uma orquestra. 

terça-feira, 11 de novembro de 2014

Ler é como lamber as palavras

"Ler é como lamber as palavras"... li isso no Museu de Artes do Rio (MAR) ou mais ou menos isso. E é assim que o Miguel está se sentindo em seus primeiros dias de leitor.

Dia 10/11 foi a primeira vez em que leu um livro inteiro sozinho, sem ajuda. "Se eu fosse uma árvore", ok, não era nenhum tratado de filosofia, mas muita poesia e ora escrito na horizontal, ora na vertical, trazia as palavras enroscadas no desenho, fazendo da leitura um ato de amor.

Seu orgulho por ter alcançado mais esta conquista estava visível no brilho dos seus olhos e no toque firma de suas mãos ao virar com gentileza as páginas do livro.

Pedi que repetisse uma vez para que eu pudesse filmar e guardar esta memória, o que ele já fez um pouco ensacalhado, pela hora da noite e pelo fato de estar vendo desenho na TV (competição desleal), mas foi lá e leu algumas linhas para registro histórico. 


O pequeno vídeo postei no facebook e encaminhei para a família. Reproduzo abaixo os comentários relevantes:

"Muito legal !! Meus parabéns
Pra vcs !!! Bjs..."(tio J.)

"Que legal!! Mais um futuro come traça na família!! Bem-vindo a maravilha das artes escritas. Lindo!!!"(tia F.)

"Aê, Miguel! Esse meu sobrinho vai longe! Parabéns!!!!"(tia S.)

"Parabéns, lindão gostosão!"(vó S.)

"Muito legal, Renata. Esse é para guardar e mostrar para ele daqui a uns dez anos."(vô J.)

"Que alegria ver o Miguel lendo! É mágico!"(vó Scha.)

"Que lindo rapazinho! Parabéns pra ele!"(tiadinda A.)

"Que beleza, que emoção, aprender a ler as palavras! Eu ainda me lembro de quando aprendi as minhas primeiras! Estou muito orgulhosa do meu afilhadinho.(dinda M.)

segunda-feira, 20 de outubro de 2014

Pimentão, arroz e recheado



Há uns dois meses mais ou menos começamos a notar um maior interesse do Miguel nas letras. Durante todo o ano a escola vinha estimulando no processo de alfabetização e interesse na linguagem, de forma bem lúdica e leve, mas seu entusiasmo estava em outras áreas, digamos, mais físicas e esportivas.

Mas cerca de dois meses tudo mudou, ao ir comprar uma sfiha com o pai num restaurante árabe, após a saída da escola, ele arriscou “desembaralhar”as letras do cardápio escrito em letras graúdas próximo ao letreiro.

- PI-MEN- TAO, A-ROZ, RE-XE-A-DO.

E assim conseguiu, sozinho, ler suas primeiras palavras (pelo menos para nós), deixando pai puro orgulho e filho, uma felicidade só.  Quando cheguei em casa, os dois se alternavam em excitação para me contar  o ocorrido.

Esse foi só o primeiro passo no caminho desta descoberta que é o mundo da leitura. Ele anda, agora pela rua, lendo letreiros de ônibus e lojas com tamanha facilidade que é impressionante. Não sei se esta facilidade é dele, se é sucesso das professoras, ou nosso. Mas nos faz pensar se todo o analfabetismo do Brasil não poderia ser sanado facilmente em poucos meses com um pouco de incentivo e alegria.

Olhando para trás, penso no meu próprio processo de alfabetização, e volto constante a minha sala de aula e vejo com clareza as letras de fôrma (hoje chamadas de bastão) dispostas no quadro e consigo ler o que antes era tão difícil para mim. Confesso que o método atual de alfabetização fonético e não silábico me deixou apreensiva no início, mas funciona. 

Qualquer dia desses acordaremos pela manhã e ele estará sentado na sala lendo o jornal!


sábado, 23 de agosto de 2014

Ninguém cala esse nosso amor



Miguel foi hoje pela primeira vez ao Maracanã, ver seu time de coração. 
 
O jogo não era lá grandes coisas: Botafogo X Chapecoense, e o alvinegro precisava ganhar para sair da zona de rebaixamento, algo recorrente entre times grandes da primeira divisão. Mas por ser um jogo assim seria uma ótima oportunidade para levá-lo sem estresse de confusão. Conseguimos emprestadas as cadeiras cativas de um amigo de um amigo. O que era uma garantia a mais de conforto e tranqüilidade.

E lá fomos, eu e Miguel, de metrô rumo à estação Maracanã. Quando embarcamos no Largo do Machado, ele logo se entusiasmou ao ver outras pessoas trajadas com a camisa do mesmo time, e percebeu aquela troca de olhares de cumplicidade de quem compartilha um segredo comum, a paixão pelo Botafogo.

Mas foi na estação Estácio que a “ficha caiu”, ficou enlouquecido com a quantidade de pessoas, de todas as idades (inclusive bebê de colo) com diversos modelos diferentes de "estrela solitária" estampadas em suas blusas, e com a cantoria em uníssono do hino do Glorioso.

Ele virou para mim, ainda na estação, e disse que estava emocionado e que queria chorar. E me abraçou. Meus olhos encheram-se de lágrimas, eu quis chorar também.

Quando desembarcamos no Maracanã e ele viu aquela monstruosidade crescendo em nossa direção, não parava de pular e queria correr para chegar logo. Realmente ver o estádio todo iluminado para um jogo é incrível, especialmente quando você tem um pouco mais de 1 metro de altura e 5 anos de idade.

Gritou quando fizemos gol, fez “uruca” contra os “verdinhos”do Chapecoense e falou alguns palavrões (que são permitidos somente em estádios de futebol) em jogadas tensas, enfim, torceu. Fez uma única reivindicação, queria sentar com a torcida, eu entendo, eu também gosta de sentar com a “muvuca’, respondi que na próxima iríamos.


E quando o jogo acabou, na hora de ir embora, me agradeceu e disse que nem estava cansado (e eu até achei que ele ia pedir para sai no intervalo).

Eu nem podia imaginar que este passeio teria toda esta emoção, achei que ele iria curtir o estádio, sei lá, mas não a emoção que ele me revelou. 

Lembrei de um jogo que assisti com meus pais (talvez tenha sido minha primeira vez), um Botafogo X Flamengo, e de ser engolida por uma multidão de flâmulas de ambos os lados de um estádio lotado, diferente de ontem. Acho que naquele perdemos, eu não sei, mas não importou para mim. Era o sentimento de pertencer a algo maior, de estar conectada a minha família que, à exceção da minha mãe que na época era rubro negra, torcia pelo Fogão.

Torcer para o Botafogo nunca teve a ver com vitória, mas com este sentimento de pertencimento, mas sim com a memória de um time que nunca vi jogar com  Heleno e Garrincha, de relatos de minha avó, e pela conexão que ele sempre me fez ter com a história da minha família, com uma volta ao passado.

Eu não me importo se ele crescer e quiser mudar de time, esta é uma escolha dele, mas esta primeira vez vai ficar pra nós dois pra sempre.

quinta-feira, 19 de junho de 2014

Filhos são para o mundo

Sempre digo que criamos filhos para o mundo, que eles não nos pertencem e que devemos nos acostumar a esta ideia. Hoje eu vivenciei isso. 

Fui ao cinema com o Miguel e uma trupe de amigos e na hora de sentarmos, como éramos muitos tivemos que nos separar (já tínhamos combinado em casa que isso iria acontecer).
Beleza, sem apegos. 


Mas quando começou a sessão e os trailer e o filme, me peguei querendo comentar com ele, mas quando vi ele estava de papo com os amigos, falando "que legal", "que maneiro", e eu tinha ficado de lado. Ele estava curtindo com os amigos e a mamãe tinha ficado para escanteio. 


Ele é meu companheiro de filmes e de repente cresceu, está em outra, enturmado. É a primeira vez que percebi este desprendimento dele de que tanto falo, como se comprovasse a teoria de que ele não me pertence. Fiquei feliz, porque ele está num bom caminho e vai se virar muito bem sem mim, mas fiquei triste porque este tempo vai chegar mais rápido que imaginei. 


Isso é que dá criar passarinho com gaiola aberta!

domingo, 18 de maio de 2014

Sem rodinhas

Quando no final de semana do dia das mães o amigo C. pediu ao pai para retirar as rodinhas de sua bicicleta, Miguel, competitivo que só, também correu para pedir ao pai para que retirasse as rodinhas de sua bicicleta.

Na semana seguinte, insistiu no assunto e cobrou a remoção das rodinhas e só sossegou quando chegou em casa após a escola e viu que seu pai havia levado sua bicicleta a uma oficina para que para que retirassem o apoio.

Foi uma semana longa a que se seguiu, de muita espera, aguardando a chegada do final de  semana seguinte para irmos passear e treinar andar de bicicleta como “menino grande”.

Chegou novamente o domingo. Saímos para encontrar a amiga P. no Aterro, e como chegamos primeiro, iniciamos o que seria o dia de treinamento da missão “rodinhas nunca mais”.

Enquanto papai, por trás, segurava o selim para dar estabilidade, eu corria  de costas na frente da bicicleta indicando a direção que ele deveria seguir, de modo que Miguel olhasse sempre para frente e se sentisse seguro e confiante.

Após 2 tentativas, tombando o corpo sempre para a direita, na terceira vez Miguel deu três pedaladas firmes, precisas, retas, sem apoio. Sem rodinhas. Ele saltou da bicicleta com um sorriso nos lábios, sorriso de quem conseguira executar uma proeza. Um sorriso de vencedor! Daí para frente ganhou mesmo confiança e foi cada vez mais rápido e longe.


Quando P. chegou, uns 15 minutos depois, Miguel já estava enlouquecido com sua conquista, com a idéia de andar sem rodinhas. Vinha em zigzag “atropelando”as pessoas na pista, querendo ir além.


Na minha mente vinham flashes de quando eu “aprendi” (até hoje eu não ando muito bem de bicicleta, mas vá lá, não uso rodinhas), de como para mim foi difícil e como para ele tudo parecia fácil, simples, e o melhor, divertido. Meus olhos encheram-se de lágrimas em vários momentos, fizemos high five a cada nova distância alcançada. Como revivemos nossa infância com nossos filhos, reinventando nossas experiências. Mal posso esperar pela próxima descoberta.

domingo, 11 de maio de 2014

Dia das mães

Neste dia das mães o presente foi meu para o Miguel.

Nada melhor do que aprender a subir no vão da porta ou escalar as paredes do corredor.

E quem para ensinar e dar confiança ao pimpolho numa aventura descabida dessas? Mamãe!



sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

Uma semana sem filho

Férias, janeiro, calor, sol e minha empregada viajou. O que fazer? Depois de o papai ter passado algumas semanas com o filho em casa, chegou a hora de voltar a trabalhar e o que fazer com nosso rebento? Dividimos ao meio e nas próximas duas últimas semanas de férias ele foi divido entre as avós.

Na primeira semana Vovucha levou ele para hotel fazenda e umas diversas aventuras em sua casa repleta de aventuras. Miguel nem parecia que tinha pai e mãe. De vez em quando recebíamos informações e fotos pelo facebook,
mas nenhum telefonema, salvo de um amigo que o convidou para dormir em casa, e lá foi Vovucha combinar com a mãe do amiguinho.

Nossos amigos (casados e com filhos) muito curiosos e encantados com nossa boa sorte de podermos estar a sós depois de tanto tempo, nos perguntavam a todo o momento se estávamos aproveitando e se estávamos com saudades.

Em algum momento durante a semana precisei liguei para minha mãe e falei rapidamente com Miguel ao telefone, mas ele parecia não estar interessado em falar comigo, mas deixou um recado para que o pai ligasse mais tarde. Para o pai tudo, para a mãe, as trevas!

Enfim... Percebi que a semana ia passando e que a cada final de dia, quando regressava para casa após um dia de trabalho, invés de a saudade aumentar, ela diminuía. Que perigo essa lance de distância. Não deixei nenhum momento de pensar no meu filho ou de amá-lo, inclusive comprei livros e filmes para ele, no entanto sua ausência me deu tanto descanso físico e mental que eu não senti sua falta.

Acho que por isso quando liguei, ele não se interessou por mim. Quando eu viajo sinto muito sua ausência, talvez porque quisesse compartilhar com ele as novidades que eu estava vivenciando, mas assim no dia a dia, não foi tão intenso. 

Seria eu uma mãe desnaturada? Ou somente a mesma mãe que eu fui quando ele nasceu egoísta?  Sei que ele estava bem, mais que isso, sabia que ele não precisava de mim. Sempre o criei para ser livre, independente, do mundo. E não me preocupei com isso em momento algum, e curti minha breve liberdade, meu descompromisso com a maternidade.

Essa foi minha primeira semana sem filho, hoje a gente pega ele de volta e na segunda ele passará outra semana longe (agora com a outra avó), já é um mochileiro este menino!



sexta-feira, 23 de março de 2012

Primeiro desenho

Miguel fez o primeiro retrato da mamãe, saindo finalmente da fase da rabiscação. 

Desenhou um rosto com olhos, cabelos e boca, ainda bastante abstrato.

O primeiro passo para o desenho concreto.

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

O Retorno da Múmia

Miguel hoje assistiu ao filme O Retorno da Múmia. 

Ele queria colocar os Backyardigans pela milésima vez e, numa tentativa de convencê-lo do contrário, mostrei outras possibilidades.

Ele pegou o filme da múmia porque reconheceu alguns símbolos egípicios de outros filmes infantis.

Não consegui demovê-lo da ideia de que não era filme de criança e acabamos vendo o filme. Claro que pulei algumas cenas mais fortes, mas ele adorou! O filme tem um personagem criança com o qual ele se identificou, e isso foi o suficiente.

Foi a maior curtição e ele nem sentiu medo.

domingo, 10 de abril de 2011

O primeiro beijo

Hoje fomos ao aniversário da Isabela no Iate Clube.

Foi uma festa super simples no parquinho do clube, mas as crianças se divertiram muito. Tinha escorrega, carrossel, casinha, enfim, tinha muito espaço...

Miguel adorou ter encontrado os amigos da escola e brincado em outro ambiente diferente e ao mesmo tempo perto dos pais. Ele se esbaldou de comer bala e doce, fez tatuagem e brincou abeça.

Já no fim da festa pedi a ele para dar um beijo de despedida na Bebela, e ele todo tímido foi. Fechou os olhos e se aproximou de biquinho nos lábios e deu beijo nela. Foi tão lindo!

Ela ficou paradinha e se inclinou na direção dele mantendo os olhinhos abertos, mas disponível para o beijo.

Muito fofo!

O primeiro beijo do Miguel!