Como tudo começou?

Enquanto revia vídeos e fotografias do meu pequeno de 4 anos (hoje com 7), que teima em crescer mais rápido do que eu consigo acompanhar, aproveitei para reler os diários que fiz desde a gravidez aos dias de hoje sobre cada momento (que julguei importante, essa ideia eu tive com a minha sogra que até hoje guarda escritos sobre fofurices do meu marido quando criança) registrado para que as trapaças da memória não as apagassem.


Foi neste caminho de reviver o passado que me descobri saudosa e percebi que precisava compartilhar as lembranças antes que esmaecessem sob a luz do dia a dia. Então, resolvi que postaria para amigos, familiares e outros curiosos do mundo pedaços desta minha vida, e ainda de lambuja deixar para o meu pimpolho histórias sobre ele mesmo para que um dia leia e sinta como foi esta jornada de chegar ao mundo e traçar seus próprios caminhos.


Espero que gostem e se emocionem um pouco, assim como eu ao revisitar minha história, e se entusiasmem para fazer uma visita à história de vocês.
Sejam bem vindos às "histórias sobre meu filho".

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quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017

O primeiro dia de novo

Primeiro dia numa escola nova. 


Depois de receber a notícias da mudança com lágrimas nos olhos (ele está aprendendo a lidar com mudanças, esta é a lição que ele tem nesta vida), Miguel se resignou e aceitou os prós e contras da decisão. 

Ouviu alguns amigos, conhecidos e familiares que também frequentaram escola pública. Pesou os benefícios que teria, entre eles, atividades extras que combinamos que ele poderia fazer.

Acordou cedo - como se não bastasse a troca de escola, o horário também é novidade -, se aprontou rapidamente e bem disposto, me atrevo dizer que ele estava animado. 

Seguimos no caminho, mas não sem antes registrar o momento com descontração. Foto na posição do Bolt, e vamos em frente. 

Chegou ao prédio subindo as escadas aos saltos. Seria entusiamo? Seria medo? Seja lá o que foi, ele encarou de frente, cabeça erguida e ombros para trás.

No portão nos informaram que a professora dele está em capacitação (isso é bom, né?) e a turma iniciaria apenas na segunda. 

Puxa, rolou uma certa decepção. 

Mas o Diretor (ah, sim, o próprio Diretor da escola dava boas vindas aos alunos, enquanto o Inspetor organizava a entrada) propôs àqueles que quisessem ficar, providenciar atividades junto a outra turma. Detalhe uma turma mais velha que a dele. Teria sido isso um sinal? 

Perguntamos ao Miguel o que gostaria de fazer, ficar e se enturmar ou retornar somente na segunda. Ele quis ficar! Meus olhos encheram-se pela decisão, pela escolha que ele fez, sem pressão, com amor.

São estes momentos que importam.

segunda-feira, 19 de dezembro de 2016

Falta Muito?

Falta muito?

Falta muito, Papai Smurf?

Miguel contando os dias para a noite mais especial do ano.

segunda-feira, 30 de maio de 2016

Preparativos de aniversário

Miguel fará aniversário na próxima semana. Este ano seu presente foi a viagem que fizemos ao Chile, porém concordei em chamar alguns poucos amigos (sete anistas) para dormir em casa, numa festa de pijama.

Entre os amigos alguns da escola antigo, alguns da nova e mais uma amiga que trocou de colégio este ano (sua paixão).

A expectativa de receber os amigos em casa para fazer bagunça, jogar videogame e dormirem juntos depois de um "banquete à meia noite", é tudo que eu tenho ouvido nos últimos dias. E cada dia que passa e se aproxima a data festiva, ele fica mais e mais entusiasmado.

Finalmente recebemos as confirmações e estamos na fase final de preparativos, este final de semana até ensaiamos a disposição do quarto para que possa acomodar a todos de forma confortável. Mas foi no domingo, quando ele recebeu uma mensagem de voz de sua eleita, confirmando sua presença é que ele ficou mais ansioso.

Não sei por quanto tempo ele vai aguentar a espera ou se irá ficar acordado de hoje até sábado para que chegue logo o dia.

O mais legal é que sua alegria contagia a nós todos. Também estamos curtindo os preparativos, fazer tubetes com cara de personagens e repletos de balas coloridas e imaginar as comidinhas e guloseimas preferidas.

Curto como se fosse uma festa para mim. A única coisa que está me deixando nostálgica é a idade, sete anos não dá. Imagine que ele já está com 1.29 de altura e vai fazer sete anos. Não é mais aquele bebezinho que precisava de mim o tempo todo. Ele é independente, até lavar a louça ele lava para ajudar.

Que esta comemoração seja marcante para todos nós...E que ele pare de crescer, senão, daqui há poucos anos, vou ter que segurar no colo um homem barbado.


domingo, 7 de dezembro de 2014

Galo ou Galinha

Para encerramento do ano letivo e projeto acadêmico deste ano, a nova escola do Miguel sugeriu que as crianças interpretassem a peça Os Saltimbancos (já que o projeto do semestre foi O Teatro).

Todos achamos o máximo eles reviverem as músicas de Chico Buarque, que representam tão bem a peça. E de nossa parte também iríamos reviver nossa infâncias através de nossos filhos.

A professora deixou que cada um escolhesse qual animal da peça seria, tomando o cuidado para que não ficasse nenhum bicho sem representante. Fiquei surpresa quando Miguel me disse que seria uma galinha. Na minha opinião sempre foi o bicho menos interessante da histórias, mas OK. Pergunta daqui, puxa dali, entendemos o interesse dele na penada,  A. também seria uma galinha. Ahhhhhh.

Corri para preparar uma fantasia bacana, com penas mesmo, e nada muito sintético. falei para ele que faríamos então uma fantasia de galo e corri para o abraço. Todos os dias era uma cantoria sem fim no chuveiro, quando na era a musica da galinha, era uma outra qualquer do repertório Saltimbanco.

Às vésperas da apresentação, na semana mesmo, ouvi Miguel dizendo que não queria na apresentação porque estaria cansado. Como poderia antever seu cansaço em dia e hora específico? Não dei importância na hora, achando que se tratava de algum programa na TV que ele quisesses assistir na mesma hora. 

Mas no dia da apresentação ele me contou que não queria mais ser galinha, mas jumento ou cachorro, não me lembro direito. Me espantei. O que houve? O que aconteceu? A resposta era simples, ele queria mudar e não dava mais tempo. Os colegas disseram que não havia galo na história, somente galinha e que isso era coisa de menina. Ui!

Depois de alguns minutos de conversa, consegui convence-lo a ir, a participar, afinal eu mesma já havia sido um Apolo numa peça de teatro quando criança. Falei que os atores não têm sexo, são personagens e que quando estão no palco são outras pessoas diferentes deles na vida real. Ele topou se vestiu e foi. Alegre e entusiasmado. Porem, assim que tirou o roupão (ah, sim, ele insistiu em ir de roupão e fazer uma entrada triunfal) uma amigo disse que ele parecia uma menina. O tempo  fechou, ele cantou, mas todo apagadinho, sem um sorriso nos lábios.

Filmei e fotografei, ele estava lindo, foi super emocionante e incrível. Mas que diabos estas crianças tem na cabeça, galinha é galinha. Tinha menina de cachorro e menino de gato e ninguém falou nada. É teatro!  É sonho! É criatividade!

É assim que começa o preconceito, e que a inocência dá lugar à ignorância.

Ainda teve quem dissesse que ele teria que aprender a lidar com este tipo de situação e que eu estava dando muita importância. Será exagero meu reagir ao ver meu filho triste, por ele perder o entusiasmo por algo por conta do preconceito de outra pessoa?

Desejo que o coração do meu filho permaneça puro e inocente por muito tempo mais, antes que seja maculado pelo medo, pela amargura da vergonha, pela intolerância. Que ele sempre veja o mundo sob uma perspectiva criativa, e idílica.

quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

Profissão estresse - mãe

Fui ao médico porque descobri um caroço no antebraço. Logo no início da minha consulta meu médico me tranquilizou dizendo que não era nada, apenas um quisto sebáceo, um acúmulo de gordura, provavelmente causado por estresse e começou a me fazer uma série de perguntas sobre a minha vida.

Desatei a falar sobre os acontecimentos do meu ano de 2014 que foram bem pesados, conflitos familiares, desentendimentos, o peso que sinto com a responsabilidade de manter uma casa, o trabalho desgastante que me toma todo o tempo, os cuidados com o filho pequeno nos dias de hoje que requer toda a minha atenção 24x7.

Ganhei uma licença medica de 5 dias para tentar diminuir o ritmo e encontrar um ponto de equilíbrio.

Depois de dois dias em casa percebi que um dos maiores pontos de estresse na vida atual é o meu filho. meu filho que amo mais que tudo no mundo, que escolhi ter, que desejei que tivesse exatamente estas características que apresenta, o meu Miguel é um ponto de estresse na minha vida. 

E por que? Porque ele é muito parecido comigo, às vezes parece que estou duelando comigo mesma, uma briga entre um eu de 37 anos, adulto, racional e equilibrado, com meu eu de 5 anos, infantil, egoísta, birrento.

O dia a dia com meu filho traz à tona o meu pior lado, tenho que gerenciar tudo que tinha em mim e que deixei para trás ao longo dos anos, no meu processo de crescimento pessoal. Somado das exigências e expectativas da minha família e a do meu marido, que na maioria das vezes são completamente diferentes, e ainda fazer com que isso não interfira na minha vida a dois.

Minha pergunta é, todas as mães passam por isso ou é exclusividade minha? Não me entendam mal, amo meu filho, mas desde sua chegada o nível de estresse, de exigência e responsabilidade só aumentou.  Não existe "teste drive" para ser mãe, ou você cai dentro ou fica postergando até o dia em que não dá mais. 

Eu caí dentro, mas é pesado às vezes, mesmo com todo o amor, como todo o apoio que tenho do meu marido, com toda a espiritualidade, tem dias que quero sair correndo e gritar, gritar muito... 

Miguel, eu te amo mais que o céu e a terra, você tem os olhos e nariz que desejei, o cabelo que escolhi, o sorriso que sonhei. Nos escolhemos há muitas eras atrás e continuaremos a nos escolher por muitas ciclos. Você traz à tona a minha luz e as minhas trevas, me equilibra. Você é o meu sonho realizado, minha ilusão e minha realidade. Eu te desejei. Eu te quis e te quero. Nada muda entre nós, mesmo quando somos maus um com outro, nosso amor persiste. Mas vou te contar uma coisa, cara, ser mãe estressa. Às vezes só quero ficar com você no meu colo te amando em silêncio.

terça-feira, 29 de julho de 2014

Pesadelos: a voz da psique



Noite passada Miguel acordou agitado e pediu ao pai para ir a seu quarto para fazê-lo dormir novamente. Depois que retornou para cama, Miguel levantou-se mais uma vez, então eu fui coloca-la na cama, algo que não acontece nunca, por preferência dele mesmo.

Enquanto o arrumava para deitar, ele reclamava que eu não ia me demorar no quarto e que ele não iria conseguir dormir. Pediu para acender a luz do abajur e de repente começou a chorar, um chorinho leve, quase sem lágrimas, mas sentido. Perguntei o que estava havendo já que isso não era possível àquela hora da madrugada. Então ele disse que estava com medo de dormir e não conseguir abrir os olhos por conta do pesadelo. Pedi a ele para me contar que isso faria com que o medo passasse, mas ele disse que não, que seria o oposto, que não poderia me contar.

Fui eu então contei a ele sobre meu pesadelo recorrente, não de criança, já de adulta, eu vivia a fugir de um palhaço com capa, garras e destes de tubarão. Até que um dia, no meu sonho, eu parei de correr e fui na direção do palhaço gritando bem alto (nesta hora o Miguel riu). Depois deste dia nunca mais eu tive este pesadelo, porque eu enfrentei o meu medo, o meu monstro. 

E assim ele me contou, que o pesadelo dele era um homem muito feio com cara de monstro que entrava dentro do corpo dele, tal como um fantasma, e o fazia fazer coisas que ele não queria, tomando conta da vontade dele, e quando ele queria abrir os olhos para acordar, não conseguia. Fiquei tão chocada quando ouvi este relato porque na hora me lembrei do filme Twin Peaks em que a trama se passava com um espírito (Bob) que invadia o corpo da personagem principal e a fazia ser uma “menina má”, até hoje eu tenho medo de me olhar no espelho e ver outra pessoa dentro de mim, e de repente o pesadelo do meu filho e um medo que eu mesma tenho.


Engoli meu próprio desalento e assumi meu papel de mãe. Falei para o Miguel que ele poderia enfrentar o monstro dele também. Que não existem fantasmas que entram no corpo da gente e que a casa dele é protegida. Mas se ele quisesse poderia solicitar a proteção das bisas Betinha e Lula que estavam no céu dos anjos e poderiam protegê-lo. Ele disse que elas não poderiam voar do céu até a terra e que ele teria que enfrentar o medo sozinho.

Fiz um feitiço de proteção de mãe, dei boa noite, o cobri e saí do quarto. Eu estava aterrorizada, pelos meus próprios fantasmas.

No dia seguinte comentando o ocorrido com a Vovucha, ela se espantou com a forma com a qual ele traduziu em seu inconsciente as dificuldades que vem enfrentando, tentando ser um bom menino, evitando pensamentos ruins que o fazem agir de maneira não adequada, bagunceira e por vezes pirracenta. 

Seriam estes pensamentos “maus” o vilão do pesadelo do meu filho? Miguel conseguiu ouvir o que sua psique está tentando lhe falar, que existe algo dentro dele que o faz agir sem o seu controle. Será que estamos tentando controlar (ou seria socializar? adestrar? castrar?) a natureza inocente da criança, a ponto de fazê-la escapulir à noite? Até que ponto temos que seguir regras e até que ponto que ouvir nossos corações? Por que o que é selvagem/natural/fora de controle tem que ser interpretado como mal ou perigoso? 

Não tenho respostas... que venha a próxima noite.

segunda-feira, 7 de julho de 2014

Eu queria ser um gatinho



Miguel acordou pela manhã chorando e resmungando que não queria voltar para escola hoje. Queria ficar em casa comigo, porque eu ainda estou de férias. Louvável.

Às 7:30 da manhã estávamos sentados no sofá da sala conversando sobre os porquês de ir à escola: 


  1. Na escola não pode ficar brincando o tempo inteiro. É verdade na escola tem uma hora para a brincadeira e uma hora para a sala de aula. Mas na sala de aula tem jogo de tabuleiro? Tem. Na sala de aula de invenção de histórias? Tem. Na sala de aula de passa anel? Tem. Na sala de aula tem forca? Tem. Na sala de aula tem adivinhação? Tem. E isso tudo é o quê, não são um monte de brincadeiras? (Ele deu uma risadinha sem graça e disse que isso não valia, ele queria dizer que tinha pouco pátio). Ah...  Mas tem brincadeira na escola.  
  2. Ele não queria aprender matemática. Enquanto eu batia palmas de forma cadenciada, falava como a matemática está presente em tudo na nossa vida, em especial em algo de que ele gosta muito, a música. E que se não acredita em mim que pergunte ao professor de música. E que a matemática também serve para nos ensinar a contar o dinheiro do cofrinho que ele está juntando para ir à Disney (arranquei um sorriso dele).
  3.  E o mais importante. Uma coisa que ele vive me perguntando como eu sei e ele não. A escola é importante para nos ensinar a ler! Como ele vai aprender a ler os livros e gibis dele sem ir à escola? A professora tem feito um monte de brincadeiras com letras e logo ele vai estar fazendo as junções sozinho, sem nem perceber. Mas para isso precisa ir para a escola.


Passada a crise inicial, começamos o dia. E o dia passou bem até a hora do banho, quando Miguel disse que queria ser um gatinho.

Perguntei por que ele queria ser um gatinho, e ele respondeu que era porque ninguém brigava com os gatinhos. Eu disse que não era bem assim, que eu brigava com todos os nossos gatinhos, principalmente quando eles faziam bagunça. E que achava ele parecido com o Leopoldo (nosso filhote).

Miguel começou a chorar copiosamente, de uma forma que eu nunca vi antes, me assustou. Quanto mais eu tentava consola-lo, mais ele chorava e se jogava no chão do banheiro. Levou um tempo para eu entender.

Ele queria ser um gatinho porque eles são fofinhos e ninguém briga com eles, quando eu disse que brigava com os gatos e o comparei com o mais levado ele achou que eu estava dizendo que ele era levado. Foi aí que eu entendi o quanto sua autoestima está abalada, provavelmente pelas idas à coordenação da escola, na tentativa de se adaptar a um novo conjunto de regras. 

Tentei lembra-lo de como é um menino bom e doce, e de que todos erramos, mas somos feitos de muitos mais acertos que erros. Lembrei da história do ponto preto na folha branca. Pra que só olhar para o ponto preto, e o resto da folha branca?
Por último disse que sabia que tinha alguma coisa dentro dele que ele não sabia nomear, dizer o que era, e que estava incomodando e que toda vez que esse sentimento aparecesse era para ele vir no meu colo e me abraçar. Neste momento ele me abraçou e beijou, e começou a se acalmar.

domingo, 6 de abril de 2014

Titia Está no Brasil!

Titia está no Brasil, não sei bem o porquê de tamanha animação. Ok a tia está no Brasil, parecia até alarde de fã de astro de rock, mas foi assim que Miguel recebeu a notícia de que sua tia avó que veio nos visitar.

Havia uns 6 meses que ele não havia, a última vez foi na viagem para a Disney. Os dois sempre se deram bem, mas naquela viagem estreitaram laços afinaram gostos, tornaram-se mais próximos.

Assim que a viu, uma das primeiras coisas que perguntou foi sobre seu namorado, e ouviu com atenção sobre eles não estarem mais juntos. Depois me confidenciou tudo com ar de resignação e preocupação, terminando com um suspiro.

Relatou-me em confidência que estava muito feliz de ela estar no Brasil e que ela também deveria estar feliz, afinal ele mora no Brasil (hahahaha). Pergunto-me de onde vem tanto amor, pois entre outros parentes com os quais se relaciona com mais freqüência não existe esta doação e liberdade. Só pode ser outras vidas, não acho que seja interesse por presentes ou coisas assim. Eles de fato possuem uma química especial.

Miguel me pediu para deixar que a tia fosse buscá-lo na escola e até que pudessem dormir juntos num dia qualquer. Acho muito legal haver tamanha conexão, porque sei como estas relações são especiais e raras. Ele até me pediu para voltar a treinar seu inglês para poder conversar com ela... muito fofo!

Realmente não sei o que pensar muito menos o que dizer. Apenas que às vezes são incríveis como as crianças nos surpreendem de forma positiva e instigante, nos fazendo querer perdoar e viver em compaixão pelos outros.


sexta-feira, 14 de março de 2014

Rótulo - "Eu sou o problema"

Fomos chamados para conversar na escola sobre a adaptação do Miguel à nova escola e algumas dificuldades que eles vem enfrentando. Desde seu ingresso na nova ordem acadêmica, vimos recebendo algumas anotações na agenda bastante preocupantes e obviamente percebemos seu inquietamento no momento de seguir para aula.

Mas nada foi mais terrível que a nota que dizia que ele havia agredido um colega. Aquilo foi assustador para nós. Nunca havíamos recebido qualquer reclamação deste tipo sobre o nosso filho, não que ele seja perfeito porque sabemos que não é, mas bater nunca foi um dos itens de suas traquinagens.

Mil teorias passaram em nossas mentes: Será que antiga escola era permissiva demais com o comportamento das crianças em sala de aula? Será que a nova escola é rigorosa demais? No ano passado tivemos uma série de problemas de cunho administrativo na outra escola, será que isso nos levou a uma total falta de autoridade em sala de aula? Mas e antes disso, porque nunca recebi bilhetes ou fui chamada? Será que ele antes era um santo e de repente virou o demônio?

Enfim, sem saber o que estava acontecendo de verdade com o meu filho durante aquelas as horas em que ficava longe, começamos a elaborar diversos e os mais loucos pensamentos. Recuperei em minha lembranças minhas próprias histórias de adaptação, resistência e travessura de quando tinha uns 6 anos e rasguei meu livro de alfabetização porque não gostava da forma autoritária da professora, então entendo como ocorre essa medição de forças entre as crianças e os adultos nesta idade. Pedi ajuda a minha mãe, que encontrou em seus guardados um livro de contos crianças travessas que lutaram para enfrentar os pensamentos mal (travessos) para que eu pudesse ler para ele, mudando minha abordagem de conversas.

Até que houve um momento em que ele me disse que queria voltar para antiga escola. Foi aí que minha ficha caiu. Ele estava fazendo algumas coisas de propósito e por dois motivos: 1) ele estava buscando uma forma de desistir da nova escola para que voltássemos ao antigo, conhecido e confortável – resistência mesmo, velada, mas resistência; 2) ele estava repetindo o modus operandi da antiga escola na nova procurando encontrar seus espaço, seu spot, mas de alguma forma o que antes era engraçado e chamava atenção, agora para os novos colegas não tinha graça, não tinha espaço.

Fomos eu e o pai para a reunião com a psicóloga da escola onde soubemos ainda de outros fatos, numa de suas idas à coordenação, meu filho contou que o ambiente familiar em casa era perfeito (contou com riqueza de detalhes) e que no fundo ele era o problema (e ainda se virou para a psicóloga e perguntou se ela estava anotando tudo direitinho, afe!). Naquele instante eu me senti reduzida ao tamanho de um verme. O que havíamos feito para que ele se sentisse como sendo um problema?!

Rótulos, estas malditas frases que falamos sem pensar para descrever (e reduzir) uma pessoa a um significado momentâneo e que a marca/estigmatiza para o resto da vida. Rótulos! Ainda me lembro que minha tia e minha avó costumavam me chamar de monstro porque eu tinha/tenho um temperamento explosivo sempre imprevisível de quando poderia ter um rompante de energia e emoções.

Então o rótulo do meu filho era esse, levado, bagunceiro, desobediente aquele que sempre ia para o “cantinho do pensamento”, e isso o levou a se auto-proclamar “um problema”. Nossa obrigação é desconstruir esta ideia antes que fique internalizada demais para que de fato se torne um problema. De posse desta valiosa informação pude começar a mudar a forma como estava lidando com ele, para de fato ajudá-lo a passar por isso.


Conversamos outros assuntos na reunião da escola sobre como fazê-lo se interessar mais pela turma e afeta-lo, envolvê-lo. Saímos munidos de confiança e esperança de que podemos, com passos pequenos e ações delicadas ajudar o nosso amor. Agora é seguir em frente com uma nova tática e forma de nos relacionarmos com nosso Miguel.

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

Ainda fazendo adaptação…

Temos que ter uma grande dose de paciência para não punirmos os pequenos por aquilo que eles ainda não têm capacidade de compreensão, simplesmente porque é mais fácil para gente.

A sensação que tenho é de que o limite entre o entendimento e sensibilidade deles e sua capacidade de nos manipular é uma tênue linha pontilhada capaz de se esvair e tornar meu dia completamente desgastado e cansativo. Da mesma forma que a fase de adaptação é um período emocionalmente estressante para os pequenos, é um tempo de muita irritação para os pais. Tudo o que queremos é que as crianças se adaptem à nova rotina e nos deixem seguir adiante.

Há pouco mais de um ano passei por um processo de adaptação semelhante porque mudei de emprego, em parte eu queria, em parte fui forçada, mas o que importa é que me vi diante da situação de ter que construir novas relações a partir do nada. Ninguém me disse que minha mãe ou um antigo colega do ex-trabalho deveria participar da adaptação comigo durante alguns dias, até que eu me sentisse familiarizada. Ninguém no meu local novo trabalho se preocupou em me fazer enturmada me chamando para um almoço ou café, muito pelo contrário, tive o azar de ingressar numa empresa cujo ambiente é extremamente hostil com os novos.

Espera-se que um adulto saiba lidar com esse tipo de situação com a mesma facilidade com que se troca de roupa. Mas a verdade é que o ser humano é avesso às mudanças. Por mais adaptáveis que sejamos sempre iremos preferir mais do mesmo (salvo algumas exceções).

Voltando à adaptação do Miguel à nova escola, todo o ambiente escolar foi preparado para a chegada dos novos alunos, independente da idade, mesmo que nas primeiras semanas a turma tivesse que dar uma pausa na programação. O cuidado com o coração e mente destes pequenos, o carinho com o qual foram recebidos, tudo isso só me leva a crer que estamos moldando adultos mais bem preparados para os desafios e “ambientes hostis” do futuro, sim, porque a vida, o mundo, não é cabinha montada no centro do quarto, e por mais que queiramos estar e sejamos presentes, não poderemos “dar colo” para o resto de suas/nossas vidas.


Hoje o combinado foi que eu não entraria na sala de aula, até agora tudo bem, estou aqui do lado de fora, contando o tempo que não passa. Esperando que ele esqueça que tem mãe, pelo menos pelas próximas 4 horas. (Ele já veio conferir seu continuava aqui 4 vezes em meia hora, afe! Até parece que nasceu colado comigo).

domingo, 9 de fevereiro de 2014

Farpas

Farpas

Neste calor carioca de 40° com sensação térmica de 50° é impressionante como o verde da grama rapidamente se transforma em marrom seco, amarelado. As folhinhas aguadas se transformam em espetos duros, cortantes, farpas.

Nesta nova paisagem que se instaurou no Rio de Janeiro, fomos encontrar nossos queridos amigos no Aterro do Flamengo para uma manhã de brincadeiras, desenhos a giz no asfalto escaldante e corridas de bicicletas.

Nunca vi que eu me lembre uma criança de quatro ou cinco anos que conseguisse ficar calçada com os pés suando, enquanto a brincadeira corria solta, por entre árvores e amigos. Neste cenário pitoresco, uma, duas, três crianças conseguiram o feito de furar seus pequeninos e delicados pezinhos com as farpas feitas de gramas secas.

Na mesma hora consegui retirar duas farpinhas dos pés do Miguel. Ele paradinho, pernas esticadas, aguardou o feito e pronto! Porém, quando chegamos em casa, um pontinho preto, escondido sob a pele, disfarçado, era um restinho da farpa que não tinha sido muito bem retirado.

Começou então a operação “retirar farpa”. Tudo ia bem, puxa daqui, estica dali, não estava sentido nada, apenas aquele insistente pontinho preto que teimava em se firmar na planta do pé do meu filho. O problema começou quando, ao não conseguir o incômodo intruso, o pai falou sobre uma ida ao hospital para remover a farpa. Pronto. Começou o chorou até então inexistente. Miguel é super resistente a dor e ferimentos mas se tem três coisas que o tornam uma maria-mole são: sangue no machucado, injeções (anestesias, vacinas, etc.) e a possibilidade de ir ao hospital. Essas coisas fazem do Super Miguel virar o Clark Kent sem poderes, são a kriptonita do meu filho.

Daí em diante ele chorava, babava, apertava a mão do pai, e dizia para meio a voz lacrimosa:

- Você tem que conseguir.

- Mas está doendo, meu filho? – eu perguntava.

- Sim, mas você precisa conseguir, mamãe. – e apertava a mão do pai, ou mordia uma toalha. A possibilidade de ir ao hospital era mais insuportável que o sofrimento diante do qual estava diante.


Catuquei, espremi, cortei, furei, e nada. Acho que era só uma sujeira no pé. Acabou que o pé (e meu pequeno) ficou traumatizado. Mas o sorriso no rosto do Miguel quando coloquei o Band-Aid das Tartarugas Ninjas era imenso, porque não importava o latejar na sola do pé, o importante é que não tinha sangue, nem injeção, nem hospital.

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

Adaptação: nova escola

Na última segunda-feira tivemos uma reunião de pais na nova escola do Miguel para falar do esquema da adaptação dos novos alunos. Enquanto a psicóloga falava, minha mente girava num redemoinho ainda pensando naquela palavra "adaptação". No meu plano de trocar ele de escola eu havia pensado em praticamente tudo, mas em momento algum me passou pela cabeça que ele teria um tempo para se adaptar à condição de novo aluno, à nova escola e tudo o mais que a tal psicóloga continuava a falar. Muito menos que ele estaria "proibido"a frequentar o período integral.

O meu esquema foi pelo ralo, e rapidamente, como numa daquelas cenas de Sherlock Holmes eu tentava antever a jogada do meu adversário para poder bolar um plano B e C para poder tratar este, digamos, impasse.

Cheguei em casa ainda aturdida de tantas informações e com a tarefa de no dia seguinte negociar com meu chefe um horário flexível pela próxima semana e meia, com a esperança de que meu filho cairá em si e abraçará aquela escola como a outra.

Revivi dentro de mim a primeira adaptação na creche quando as berçaristas no terceiro dia tiraram meu bebe de 5 meses dos meus braços e disseram "Mãe, hoje ele pode ficar sozinho 3 horas". Minha reação foi pegar um ônibus até a Tijuca para fazer compras no Guanabara. Eu sequer olhei para trás, afinal eu só tinha 3 horas.

Hoje foi o primeiro dia de aula/adaptação dele. Mas um imprevisto e nossa empregada (braço direito de todas as horas) não pôde vir, então fiquei em casa com ele na parte da manhã para poder introduzi-lo na nova escola à tarde. 

A manhã passou lenta, como se dividíssemos a ansiedade do que nos aguardava na parte da tarde. Não pude dar muita atenção a ele pois precisava adiantar meu trabalho de casa mesmo. Mas percebi nele uma certa euforia e decisão, chegou até a falar que iria sozinho na rua. 

Deu a hora e  fomos indo, alegres, caminhando pela rua. Miguel insistiu para carregar sua mochila, queria se mostrar ainda mais independente agora iria para o grupo 5 (pré-alfabetização). Mas quando chegamos em frente ao portão, ele não resistiu, virou-se para mim e disse que estava triste. Meu coração já em frangalhos fazia um tremendo esforço para não se partir, afinal eu sou a adulta da relação e tenho mais condições de suportar este tipo de situação, tentei encoraja-lo e entramos. Ele foi indo bem, porém empacou à porta da sala, me fazendo entrar com ele.

Daí para frente foi tudo muito estranho. Eu tive que participar com ele, por mais que eu quisesse me fazer invisível, porque sei o quanto a minha presença faz com que ele se torne vulnerável e tímido, mais até do que quando está com o pai. 

Me emocionei, a ponto de ficar com um bolo na garganta, com o relato daquela professora tão doce e gentil controlando a turma de 22 feras, e dando-lhes as boas vindas a uma turma mais velha. Ali, eu achei que teria que sair da sala para chorar, mas me segurei. Tentei fazer com que o Miguel explorasse a escola com a turma, assegurando a ele que eu não iria embora de jeito nenhum. Na hora do recreio ele ainda brincou (sozinho) mas logo se enrolou no meu colo, em posição fetal, e apesar de todos os esforços das professoras para induzi-lo e introduzi-lo ao grupo, ele a todo momento se referia à antiga escola e amigos.  

Ele resistiu até a hora do lanche (até serviu de ajudante, servindo os pratos a todos), no entanto pediu à professora que o liberasse, e por volta das 16h voltamos para casa, com a promessa de voltarmos amanhã. Já na saída do portão ele se virou para mim e disse: "Eu até gostei desta escola". Dá para entender estas crianças?

domingo, 1 de dezembro de 2013

Filho é para o mundo

Ele nasceu de 41 semanas e só não foi parto normal porque estava atravessado. Depois que chegou, levamos um tempo para nos conhecer e nos amar de verdade, antes disso o que tínhamos era puro instinto de sobrevivência.

Aprendemos a nos amar, a nos querer e a nos respeitar, e este foi o nosso segredo. Enquanto um (Miguel) descobria o mundo - primeiro engatinhando e balbuciando, a outra (eu) redescobria o que existia a sua volta.

E com isso vinha o medo de errar, de que algo ruim acontecesse ao meu filho, a culpa de que meus medos não me permitisse dar o melhor para ele, e por aí vai.

Há algumas semanas estávamos em casa de amigos quando ele se acidentou, bateu com a cabeça na mesa e abriu a testa. Imediatamente entrei em modo automático e iniciei os procedimentos de cura. Nestas situações eu não vejo sangue ou choro, ou só vejo o resultado final e aí consigo definir o que devo fazer para resolver o problema. 

Quando o machucado já estava limpo e tínhamos decidido que não seria caso de ir o hospital, meu filho procurou com os olho e braços o aconchego do pai e não o meu. 

Então é isso, não adianta eu super protegê-lo porque não estarei presente em todas as situações de sua vida para segurar em suas mãos, ele vai se machucar. Tenho que deixar ele correr, cair e aprender a se levantar (de forma literal ou figurada), não importa, ele não me pertence para endeusá-lo ou fazê-lo viver a vida em uma bolha, livre de riscos. A vida é um risco.

Ele sabe que em qualquer situação poderá sempre contar com o colo do pai e o carinho da mãe. Mas não é isso que ele vai querer em todos momentos. Ele vai querer viver a vida dele, e ter sua própria opinião e querer se machucar para "ver qual é".  

E eu tenho muito medo de perdê-lo, porque eu só tenho ele, mas por amá-lo tenho que respeitar seu espaço, mesmo hoje quando ele só tem 4 anos e uns trocados. A maternidade é quase que um jogo de estratégia cujo objetivo é a felicidade do filho, mesmo que ela represente a nossa não-felicidade imediata.

A gente tem filho para o mundo, e quanto mais cedo entendermos e aprendermos a lidar com esta idéia, mais feliz fica nossa experiência de mãe.

quarta-feira, 9 de outubro de 2013

Quando chega a hora de mudar de escola

Quando escolhemos a creche do Miguel há quase cinco anos atrás, perguntamos a amigos e conhecidos e pedimos indicações. A alegria do seu primeiro dia e a expectativa de que tudo desse certo, que ele se adaptasse, eram tantas...

Até hoje me lembro daquele 19 de outubro de 2009, o dia em que o entreguei para a berçarista e não olhei para trás (figuradamente), rompendo pela segunda vez nosso cordão umbilical, na certeza de que fazia o melhor para ele. A partir daquele dia, construímos uma história repleta de alegrias, descobertas, sustos e de muitos, mas muitos amigos mesmos.  Ele aprendeu a sentar, engatinhar, andar, falar, correr, dançar, cantar, a tomar banho sozinho, escrever seu próprio nome, a se emocionar com os amigos, a se encantar pelas meninas. E tantas outras coisas.

Mas aquele espaço estava ficando pequeno para ele, e para mim também. Quando se é mãe, a gente sonho para o filho um castelo no arco-íris, e aquela casa antiga transformada em escola já não servia mais para o meu sonho. Então era hora de mudar, e mudar dói, deixa a gente sem chão, com medo, assusta.

 Procurei um novo lugar que não serviria a mais ninguém, somente ao meu pequeno, e arriscando de pôr todo uma história a perder, o convenci de que não iria perder os velhos amigos, mas iria fazer novos, somar. E lembrei-me dos queridos amigos que já haviam saído da escola e com quem ainda mantemos contato, não sem esforço, pois relacionamentos requerem cuidado e carinho, se valem a pena.  

A questão no final é essa, o que queremos? A comodidade, o conforto e a segurança do que nos é familiar, ou a aventura e a surpresa do novo? E porque não ambos?

Que venha a nova escola, os novos amigos e as novas memórias que iremos criar, sem que percamos nunca a doce lembrança daqueles que não mais estarão em nosso dia a dia, mas para sempre estarão em nossos corações. Sempre teremos o Aterro, e as festinhas... 

sábado, 31 de julho de 2010

Primeira internação

Miguel fez seu debut no pronto socorro.

Na madrugada de 29 para 30 de julho acordou com vomitando muito. Após nosso primeiro atendimento em casa, com digesan e uma ligação para o pediatra, fomos para o pronto socorro.

Lá Miguel foi medicado com plasil. Após 40 minutos ps vômitos continuaram. Entrou no soro intravenoso (2 sacos). Finalizando o soro, o vômito não cedeu. Internação!

Por volta das 7h da manhã ligamos para os avós para informar sobre o ocorrido.

Miguel ficou com o soro, com na mão esquerda "furada", e a internação foi até a hora do almoço. 

Que experiência horrível!

Nunca vou me esquecer do seu olhar triste e assustado, pedindo colo para mim e Marcelo, com o jeito febril.

Miguel foi tão forte e valente, enfrentando a dor e o medo naquela na situação. Quase não chorou.

Eu me despedacei e culpei por não poder impedir que ele passasse por aquilo, e o Marcelo se mortificou no minuto em que voltamos para casa. Embora Miguel estivesse sem comer desde o dia anterior, o brilho do seu olhar mudou e ele voltou a sorrir com gosto, no momento em que chegamos em casa.

Longe da dor e daquele ambiente hostil, ele brincou, se escondeu, descansou e, finalmente, dormiu.

Esse nosso anjinho é realmente impressionante. Como é valente, forte! Espero não ter mais que passar por este tipo de situação, pelo menos não tão cedo.

Que tenhamos sabedoria para enfrentar estes momentos e segurança para tomar as melhores decisões para o Miguel.

Comentário pós relato: Até hoje os 4 anos Miguel nunca tomou antibióticos, ou foi internado novamente, ou esteve gravemente doente. O que ocorreu naquele dia foi um episódio isolado diagnosticado vulgarmente como virose.

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Adaptação na creche

Miguel começou a adaptação na creche hoje, ele entrou numa escola na Marques de Pinedo aqui pertinho de casa.

A adaptação é gradativa, hoje ficamos apenas 2 horas e meia. Amanhã deve aumentar um pouco.


Acho que ele ficou bem, logo que chegamos ele foi para o colo da chefe do berçário e ficou na área reservada aos bebes. Chorou um pouco quando deu sono e fui chamada para dar o peito. 

Depois ele dormiu uma meia hora, acordou bem e começou a chorar novamente, estranhando o lugar. Veio para o o meu colo e se acalmou. Então a berçarista trocou a fralda, deu banho, papinha e voltamos para casa.

Miguel me pareceu encantado com as outras crianças. 

Ele é muito alegre e simpático e ao mesmo tempo chorão, mas acho que vai ficar bem. Espero que esse traço de sua personalidade mude, porque não quero um bebe chorão. Acredito que a medida em que alcançar sua independência (física, de comunicação, etc.) esta característica irá mudar também.

Amanhã continuaremos com a adaptação. Boa sorte para nós.

Comentário pós relato: A adaptação durou três dias, no quarto ele não chorava mais e eu não precisava mais estar lá.

sábado, 22 de agosto de 2009

Partimos o coração dele

Esta noite Miguel teve muita dificuldade para adormecer, parecia exausto e ainda assim incapaz de se entregar ao sono. Chorou por cerca de  30 minutos, eu e Marcelo nos alternamos na tentativa de acalma-lo.

Após este tempo, Marcelo achou melhor deixarmos ele no berço sozinho para ele se acalmar, enquanto esperávamos do lado de fora, ouvindo o choro sentido do Miguel. Na verdade já havia lido sobre esta técnica antes, mas não tinha muita certeza sobre usá-la, ou não.

De repente, eu comecei a chorar. Meu choro era de culpa por deixá-lo sozinho no escuro, chorando. Magoamos nosso bebe quando ele mais precisava da gente.

Quando finalmente o choro pareceu diminuir, corremos para o quarto. Eu o peguei no colo e o ninei até que finalmente dormiu.

Foi uma noite terrível!

A culpa de magoar nosso bebe, de não saber ser fizemos uma escolha (só queríamos o melhor para ele), nos consumiu a noite inteira.

Espero que isto não ocorra novamente. Não queremos que Miguel sofra.

Comentário pós relato: Após aquela noite, Miguel aprendeu a dormir sozinho, enquanto era bebe, quase nunca precisávamos niná-lo. 


domingo, 9 de agosto de 2009

Dia dos pais e desenvolvimento

Hoje foi o primeiro dia dos pais do Marcelo com o Miguel. Comprei para os dois camisetas com a mesma estampa para saírem iguais na rua. Eles ficaram lindos!

Miguel está cada vez mais fofo e esperto. Já nos procura com os olhos e mexe a cabeça, virando-a em nossa direção. Quando está no colo sustenta a cabeça para se virar. Muito legal mesmo.

Esta semana teremos pediatra e vamos ver como está o desenvolvimento do bebe. Estou preocupada com o fato dele ficar todo o tempo tempo no peito, afinal como será quando ele entrar na creche?

quarta-feira, 15 de julho de 2009

Tática "peito é tudo"

Miguel está crescendo aos poucos e a cada dia fica mais tranquilo cuidar dele. Na semana passada fomos a um churrasco em Campo Grande, cheio de gente, com barulho, e ele se comportou muito bem.

Desde o início do mês estamos com a estratégia "peito é tudo". Isto é muito cansativo porque qualquer  choro ele vai para o peito, mas ao mesmo tempo ele fica tão mais calmo. Não sei se é a melhor tática mas é o que eu posso fazer (ele mama de hora em hora e não quis pegar chupeta, então ganhou mamilos).

Gostaria que o Miguel pudesse  ficar calmo e , mesmo acordado durante  dia, o problema é o choro. Não sei o que fazer e coloco no peito. Acho que ele quer aconchego, e isso funciona. 

Eu não seio o que é. Isto é o que me dói mais, não saber o que fazer para resolver. Estamos investigando o motivo do chorinho para podermos agir da melhor forma possível.

Apesar de toda a dificuldade, começo a curtir a  maternidade e a gostar do meu filho. Já o amava desde a barriga, mas agora começo a gostar dele e a me sentir um pouco menos insegura.

Hoje, ao segurá-lo nos meus braços sinto uma enorme satisfação que não cabe no meu coração. Não me contenho de tanto amor quando ele está mamando e me olha de canto de olho enquanto sua mão diminuta me faz carícias. É maravilhoso!

domingo, 5 de julho de 2009

Primeiro mês

Hoje o Miguel completa 30 dias de vida, um mês!

Nossa, este mês parece que demorou tanto tempo, foram tantas as novidades, noites mal dormidas, dias tomados pela entrega de 100% do tempo para doar a ele. E as angústias do novo, do desconhecido.

Mas hoje completamos o primeiro mês e começamos a nos entender melhor. Mas ainda há muito pela frente. Tenho que confessar que este início não foi exatamente como imaginei, foi mais difícil e demorei para começar a curtir meu filhote. Mas com o tempo as coisas vão se arrumando.

Aguardo ansiosa pelo dia em que aprenderei mais sobre o Miguel e saberei aceitá-lo como ele é, porque amar eu já amo desde o dia em que soube que estava grávida.