Como tudo começou?

Enquanto revia vídeos e fotografias do meu pequeno de 4 anos (hoje com 7), que teima em crescer mais rápido do que eu consigo acompanhar, aproveitei para reler os diários que fiz desde a gravidez aos dias de hoje sobre cada momento (que julguei importante, essa ideia eu tive com a minha sogra que até hoje guarda escritos sobre fofurices do meu marido quando criança) registrado para que as trapaças da memória não as apagassem.


Foi neste caminho de reviver o passado que me descobri saudosa e percebi que precisava compartilhar as lembranças antes que esmaecessem sob a luz do dia a dia. Então, resolvi que postaria para amigos, familiares e outros curiosos do mundo pedaços desta minha vida, e ainda de lambuja deixar para o meu pimpolho histórias sobre ele mesmo para que um dia leia e sinta como foi esta jornada de chegar ao mundo e traçar seus próprios caminhos.


Espero que gostem e se emocionem um pouco, assim como eu ao revisitar minha história, e se entusiasmem para fazer uma visita à história de vocês.
Sejam bem vindos às "histórias sobre meu filho".

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quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017

O primeiro dia de novo

Primeiro dia numa escola nova. 


Depois de receber a notícias da mudança com lágrimas nos olhos (ele está aprendendo a lidar com mudanças, esta é a lição que ele tem nesta vida), Miguel se resignou e aceitou os prós e contras da decisão. 

Ouviu alguns amigos, conhecidos e familiares que também frequentaram escola pública. Pesou os benefícios que teria, entre eles, atividades extras que combinamos que ele poderia fazer.

Acordou cedo - como se não bastasse a troca de escola, o horário também é novidade -, se aprontou rapidamente e bem disposto, me atrevo dizer que ele estava animado. 

Seguimos no caminho, mas não sem antes registrar o momento com descontração. Foto na posição do Bolt, e vamos em frente. 

Chegou ao prédio subindo as escadas aos saltos. Seria entusiamo? Seria medo? Seja lá o que foi, ele encarou de frente, cabeça erguida e ombros para trás.

No portão nos informaram que a professora dele está em capacitação (isso é bom, né?) e a turma iniciaria apenas na segunda. 

Puxa, rolou uma certa decepção. 

Mas o Diretor (ah, sim, o próprio Diretor da escola dava boas vindas aos alunos, enquanto o Inspetor organizava a entrada) propôs àqueles que quisessem ficar, providenciar atividades junto a outra turma. Detalhe uma turma mais velha que a dele. Teria sido isso um sinal? 

Perguntamos ao Miguel o que gostaria de fazer, ficar e se enturmar ou retornar somente na segunda. Ele quis ficar! Meus olhos encheram-se pela decisão, pela escolha que ele fez, sem pressão, com amor.

São estes momentos que importam.

sexta-feira, 25 de novembro de 2016

Café frustrado



Tentativa frustrada de fazer café da manhã pra mamãe.

Miguel queria nos fazer uma surpresa, um café da manhã na cama feito por ele mesmo. Do alto de seus 7 anos de independência, não há perigo que não possa ser superado. E assim ele foi.

A imagem pode conter: 1 pessoa, em pé e sapatosEnquanto deixava meu corpo caído ainda mais alguns minutos na cama, pude ouvir o barulho de movimento na cozinha. Nada que me preocupasse porque confio nele e sei que volta e meia prepara seu próprio desjejum.

O pai se levantou para ver o que se passava, e resolveu ajudá-lo. Mostrou como encher a cafeteira italiana com o pó de café, e o advertiu a esperar que esfriasse antes de colocar na xícara. Instruções dadas, voltou para a cama.

Minutos depois escutamos um barulho de panela caindo no chão seguido de gritos guturais. Corri, aparatei na cozinha. Cheguei a tempo de ver o Miguel correndo para a área de serviço com olhar assustado e boca em pânico.

Quando me aproximei ele arrancava a calça do pijama e, com ela, uma larga extensão da pele de sua coxa. Segurei-o em meus braços, nem mesmo notei o peso, e corri para o banheiro. O coloquei na banheira e liguei o chuveiro frio e deixei que a água fizesse seu trabalho de limpar e acalmar a dor. Cortei o excesso de pele pendente passei uma pomada para queimaduras e fomos para o hospital.

Por sorte tudo que deveria ser feito num atendimento de emergência já tínhamos feito. Queimou feio a perna, mas não chegou a ser algo de segundo ou terceiro graus.

Muito susto. Muito amor.

Chorei quando voltamos para casa, o choro do medo, do nervoso, da dor na carne, de alívio.


quarta-feira, 25 de maio de 2016

Arte terapia

O lance é expressar os sentimentos da forma que conseguirmos...

Hoje Miguel me disse que estava com um sentimento que ele não sabia descrever, não sabia direito o que era, mas não era dor, "tipo dor de cabeça ou febre" (palavras dele).

 Estava acabrunhado e triste. Deitou-se no meu colo em posição fetal, como um bebezinho indefeso no colo de sua mãe, procurando aconchego.

Depois de alguns minutos neste aconchego duplo (eu também tirei a minha casquinha, já que ele teima em crescer), sugeri que fossemos desenhar, usar tinta e brincar juntos. Sentamos no chão com papel e tinta guache, e cada um de nós sentou-se para pintar seus sentimentos.

Enquanto eu me entretinha com meus amarelos e verdes, ele se desenhou com as pernas longas (pernudo) e as mãos sobre o peito. Um bonequinho sozinho num jardim sem flores. Ainda assim, não estava tranquilo, fez outro desenho e ainda estava tristonho.

Eu perguntei o que ele estava sentindo mas não consegui dizer, então falei para ele desenhar o sentimento. Depois de resistir um pocuo, ele escreveu a palavra "falta" no desenho que havia feito de si mesmo.

"Falta".

O que fazia falta para ele? Que sentimento de ausência e solidão era este?

Foi quando perguntei do que ele sentia falta, e querendo mudar de assunto, com um meio sorriso no canto dos lábios, ele me falou contrariado, entre dentes... Falta de A., sua paixão juvenil, a amiga da escola que mudou de colégio e ele não vê há meses.

Coração partido. Saudades.

Como consolar um menino destes?


segunda-feira, 7 de julho de 2014

Eu queria ser um gatinho



Miguel acordou pela manhã chorando e resmungando que não queria voltar para escola hoje. Queria ficar em casa comigo, porque eu ainda estou de férias. Louvável.

Às 7:30 da manhã estávamos sentados no sofá da sala conversando sobre os porquês de ir à escola: 


  1. Na escola não pode ficar brincando o tempo inteiro. É verdade na escola tem uma hora para a brincadeira e uma hora para a sala de aula. Mas na sala de aula tem jogo de tabuleiro? Tem. Na sala de aula de invenção de histórias? Tem. Na sala de aula de passa anel? Tem. Na sala de aula tem forca? Tem. Na sala de aula tem adivinhação? Tem. E isso tudo é o quê, não são um monte de brincadeiras? (Ele deu uma risadinha sem graça e disse que isso não valia, ele queria dizer que tinha pouco pátio). Ah...  Mas tem brincadeira na escola.  
  2. Ele não queria aprender matemática. Enquanto eu batia palmas de forma cadenciada, falava como a matemática está presente em tudo na nossa vida, em especial em algo de que ele gosta muito, a música. E que se não acredita em mim que pergunte ao professor de música. E que a matemática também serve para nos ensinar a contar o dinheiro do cofrinho que ele está juntando para ir à Disney (arranquei um sorriso dele).
  3.  E o mais importante. Uma coisa que ele vive me perguntando como eu sei e ele não. A escola é importante para nos ensinar a ler! Como ele vai aprender a ler os livros e gibis dele sem ir à escola? A professora tem feito um monte de brincadeiras com letras e logo ele vai estar fazendo as junções sozinho, sem nem perceber. Mas para isso precisa ir para a escola.


Passada a crise inicial, começamos o dia. E o dia passou bem até a hora do banho, quando Miguel disse que queria ser um gatinho.

Perguntei por que ele queria ser um gatinho, e ele respondeu que era porque ninguém brigava com os gatinhos. Eu disse que não era bem assim, que eu brigava com todos os nossos gatinhos, principalmente quando eles faziam bagunça. E que achava ele parecido com o Leopoldo (nosso filhote).

Miguel começou a chorar copiosamente, de uma forma que eu nunca vi antes, me assustou. Quanto mais eu tentava consola-lo, mais ele chorava e se jogava no chão do banheiro. Levou um tempo para eu entender.

Ele queria ser um gatinho porque eles são fofinhos e ninguém briga com eles, quando eu disse que brigava com os gatos e o comparei com o mais levado ele achou que eu estava dizendo que ele era levado. Foi aí que eu entendi o quanto sua autoestima está abalada, provavelmente pelas idas à coordenação da escola, na tentativa de se adaptar a um novo conjunto de regras. 

Tentei lembra-lo de como é um menino bom e doce, e de que todos erramos, mas somos feitos de muitos mais acertos que erros. Lembrei da história do ponto preto na folha branca. Pra que só olhar para o ponto preto, e o resto da folha branca?
Por último disse que sabia que tinha alguma coisa dentro dele que ele não sabia nomear, dizer o que era, e que estava incomodando e que toda vez que esse sentimento aparecesse era para ele vir no meu colo e me abraçar. Neste momento ele me abraçou e beijou, e começou a se acalmar.

sexta-feira, 14 de março de 2014

Rótulo - "Eu sou o problema"

Fomos chamados para conversar na escola sobre a adaptação do Miguel à nova escola e algumas dificuldades que eles vem enfrentando. Desde seu ingresso na nova ordem acadêmica, vimos recebendo algumas anotações na agenda bastante preocupantes e obviamente percebemos seu inquietamento no momento de seguir para aula.

Mas nada foi mais terrível que a nota que dizia que ele havia agredido um colega. Aquilo foi assustador para nós. Nunca havíamos recebido qualquer reclamação deste tipo sobre o nosso filho, não que ele seja perfeito porque sabemos que não é, mas bater nunca foi um dos itens de suas traquinagens.

Mil teorias passaram em nossas mentes: Será que antiga escola era permissiva demais com o comportamento das crianças em sala de aula? Será que a nova escola é rigorosa demais? No ano passado tivemos uma série de problemas de cunho administrativo na outra escola, será que isso nos levou a uma total falta de autoridade em sala de aula? Mas e antes disso, porque nunca recebi bilhetes ou fui chamada? Será que ele antes era um santo e de repente virou o demônio?

Enfim, sem saber o que estava acontecendo de verdade com o meu filho durante aquelas as horas em que ficava longe, começamos a elaborar diversos e os mais loucos pensamentos. Recuperei em minha lembranças minhas próprias histórias de adaptação, resistência e travessura de quando tinha uns 6 anos e rasguei meu livro de alfabetização porque não gostava da forma autoritária da professora, então entendo como ocorre essa medição de forças entre as crianças e os adultos nesta idade. Pedi ajuda a minha mãe, que encontrou em seus guardados um livro de contos crianças travessas que lutaram para enfrentar os pensamentos mal (travessos) para que eu pudesse ler para ele, mudando minha abordagem de conversas.

Até que houve um momento em que ele me disse que queria voltar para antiga escola. Foi aí que minha ficha caiu. Ele estava fazendo algumas coisas de propósito e por dois motivos: 1) ele estava buscando uma forma de desistir da nova escola para que voltássemos ao antigo, conhecido e confortável – resistência mesmo, velada, mas resistência; 2) ele estava repetindo o modus operandi da antiga escola na nova procurando encontrar seus espaço, seu spot, mas de alguma forma o que antes era engraçado e chamava atenção, agora para os novos colegas não tinha graça, não tinha espaço.

Fomos eu e o pai para a reunião com a psicóloga da escola onde soubemos ainda de outros fatos, numa de suas idas à coordenação, meu filho contou que o ambiente familiar em casa era perfeito (contou com riqueza de detalhes) e que no fundo ele era o problema (e ainda se virou para a psicóloga e perguntou se ela estava anotando tudo direitinho, afe!). Naquele instante eu me senti reduzida ao tamanho de um verme. O que havíamos feito para que ele se sentisse como sendo um problema?!

Rótulos, estas malditas frases que falamos sem pensar para descrever (e reduzir) uma pessoa a um significado momentâneo e que a marca/estigmatiza para o resto da vida. Rótulos! Ainda me lembro que minha tia e minha avó costumavam me chamar de monstro porque eu tinha/tenho um temperamento explosivo sempre imprevisível de quando poderia ter um rompante de energia e emoções.

Então o rótulo do meu filho era esse, levado, bagunceiro, desobediente aquele que sempre ia para o “cantinho do pensamento”, e isso o levou a se auto-proclamar “um problema”. Nossa obrigação é desconstruir esta ideia antes que fique internalizada demais para que de fato se torne um problema. De posse desta valiosa informação pude começar a mudar a forma como estava lidando com ele, para de fato ajudá-lo a passar por isso.


Conversamos outros assuntos na reunião da escola sobre como fazê-lo se interessar mais pela turma e afeta-lo, envolvê-lo. Saímos munidos de confiança e esperança de que podemos, com passos pequenos e ações delicadas ajudar o nosso amor. Agora é seguir em frente com uma nova tática e forma de nos relacionarmos com nosso Miguel.

domingo, 9 de fevereiro de 2014

Farpas

Farpas

Neste calor carioca de 40° com sensação térmica de 50° é impressionante como o verde da grama rapidamente se transforma em marrom seco, amarelado. As folhinhas aguadas se transformam em espetos duros, cortantes, farpas.

Nesta nova paisagem que se instaurou no Rio de Janeiro, fomos encontrar nossos queridos amigos no Aterro do Flamengo para uma manhã de brincadeiras, desenhos a giz no asfalto escaldante e corridas de bicicletas.

Nunca vi que eu me lembre uma criança de quatro ou cinco anos que conseguisse ficar calçada com os pés suando, enquanto a brincadeira corria solta, por entre árvores e amigos. Neste cenário pitoresco, uma, duas, três crianças conseguiram o feito de furar seus pequeninos e delicados pezinhos com as farpas feitas de gramas secas.

Na mesma hora consegui retirar duas farpinhas dos pés do Miguel. Ele paradinho, pernas esticadas, aguardou o feito e pronto! Porém, quando chegamos em casa, um pontinho preto, escondido sob a pele, disfarçado, era um restinho da farpa que não tinha sido muito bem retirado.

Começou então a operação “retirar farpa”. Tudo ia bem, puxa daqui, estica dali, não estava sentido nada, apenas aquele insistente pontinho preto que teimava em se firmar na planta do pé do meu filho. O problema começou quando, ao não conseguir o incômodo intruso, o pai falou sobre uma ida ao hospital para remover a farpa. Pronto. Começou o chorou até então inexistente. Miguel é super resistente a dor e ferimentos mas se tem três coisas que o tornam uma maria-mole são: sangue no machucado, injeções (anestesias, vacinas, etc.) e a possibilidade de ir ao hospital. Essas coisas fazem do Super Miguel virar o Clark Kent sem poderes, são a kriptonita do meu filho.

Daí em diante ele chorava, babava, apertava a mão do pai, e dizia para meio a voz lacrimosa:

- Você tem que conseguir.

- Mas está doendo, meu filho? – eu perguntava.

- Sim, mas você precisa conseguir, mamãe. – e apertava a mão do pai, ou mordia uma toalha. A possibilidade de ir ao hospital era mais insuportável que o sofrimento diante do qual estava diante.


Catuquei, espremi, cortei, furei, e nada. Acho que era só uma sujeira no pé. Acabou que o pé (e meu pequeno) ficou traumatizado. Mas o sorriso no rosto do Miguel quando coloquei o Band-Aid das Tartarugas Ninjas era imenso, porque não importava o latejar na sola do pé, o importante é que não tinha sangue, nem injeção, nem hospital.

domingo, 1 de dezembro de 2013

Filho é para o mundo

Ele nasceu de 41 semanas e só não foi parto normal porque estava atravessado. Depois que chegou, levamos um tempo para nos conhecer e nos amar de verdade, antes disso o que tínhamos era puro instinto de sobrevivência.

Aprendemos a nos amar, a nos querer e a nos respeitar, e este foi o nosso segredo. Enquanto um (Miguel) descobria o mundo - primeiro engatinhando e balbuciando, a outra (eu) redescobria o que existia a sua volta.

E com isso vinha o medo de errar, de que algo ruim acontecesse ao meu filho, a culpa de que meus medos não me permitisse dar o melhor para ele, e por aí vai.

Há algumas semanas estávamos em casa de amigos quando ele se acidentou, bateu com a cabeça na mesa e abriu a testa. Imediatamente entrei em modo automático e iniciei os procedimentos de cura. Nestas situações eu não vejo sangue ou choro, ou só vejo o resultado final e aí consigo definir o que devo fazer para resolver o problema. 

Quando o machucado já estava limpo e tínhamos decidido que não seria caso de ir o hospital, meu filho procurou com os olho e braços o aconchego do pai e não o meu. 

Então é isso, não adianta eu super protegê-lo porque não estarei presente em todas as situações de sua vida para segurar em suas mãos, ele vai se machucar. Tenho que deixar ele correr, cair e aprender a se levantar (de forma literal ou figurada), não importa, ele não me pertence para endeusá-lo ou fazê-lo viver a vida em uma bolha, livre de riscos. A vida é um risco.

Ele sabe que em qualquer situação poderá sempre contar com o colo do pai e o carinho da mãe. Mas não é isso que ele vai querer em todos momentos. Ele vai querer viver a vida dele, e ter sua própria opinião e querer se machucar para "ver qual é".  

E eu tenho muito medo de perdê-lo, porque eu só tenho ele, mas por amá-lo tenho que respeitar seu espaço, mesmo hoje quando ele só tem 4 anos e uns trocados. A maternidade é quase que um jogo de estratégia cujo objetivo é a felicidade do filho, mesmo que ela represente a nossa não-felicidade imediata.

A gente tem filho para o mundo, e quanto mais cedo entendermos e aprendermos a lidar com esta idéia, mais feliz fica nossa experiência de mãe.

quarta-feira, 9 de outubro de 2013

Quando chega a hora de mudar de escola

Quando escolhemos a creche do Miguel há quase cinco anos atrás, perguntamos a amigos e conhecidos e pedimos indicações. A alegria do seu primeiro dia e a expectativa de que tudo desse certo, que ele se adaptasse, eram tantas...

Até hoje me lembro daquele 19 de outubro de 2009, o dia em que o entreguei para a berçarista e não olhei para trás (figuradamente), rompendo pela segunda vez nosso cordão umbilical, na certeza de que fazia o melhor para ele. A partir daquele dia, construímos uma história repleta de alegrias, descobertas, sustos e de muitos, mas muitos amigos mesmos.  Ele aprendeu a sentar, engatinhar, andar, falar, correr, dançar, cantar, a tomar banho sozinho, escrever seu próprio nome, a se emocionar com os amigos, a se encantar pelas meninas. E tantas outras coisas.

Mas aquele espaço estava ficando pequeno para ele, e para mim também. Quando se é mãe, a gente sonho para o filho um castelo no arco-íris, e aquela casa antiga transformada em escola já não servia mais para o meu sonho. Então era hora de mudar, e mudar dói, deixa a gente sem chão, com medo, assusta.

 Procurei um novo lugar que não serviria a mais ninguém, somente ao meu pequeno, e arriscando de pôr todo uma história a perder, o convenci de que não iria perder os velhos amigos, mas iria fazer novos, somar. E lembrei-me dos queridos amigos que já haviam saído da escola e com quem ainda mantemos contato, não sem esforço, pois relacionamentos requerem cuidado e carinho, se valem a pena.  

A questão no final é essa, o que queremos? A comodidade, o conforto e a segurança do que nos é familiar, ou a aventura e a surpresa do novo? E porque não ambos?

Que venha a nova escola, os novos amigos e as novas memórias que iremos criar, sem que percamos nunca a doce lembrança daqueles que não mais estarão em nosso dia a dia, mas para sempre estarão em nossos corações. Sempre teremos o Aterro, e as festinhas... 

domingo, 6 de outubro de 2013

O Segredo

A maternidade é uma associação secreta que somente aquelas que têm filhos fazem parte e conhecem seus códigos, e as não-mães mesmo achando que sabem do que elas falam, não fazem a menor ideia. Vou explicar.

Somente quem é mãe/pai, tem um filho e vive a experiência da maternidade compreendem as alegrias e angústias de cuidar de uma criança sua. Antes de ter meu filho eu adorava crianças, especialmente bebes. E tomava conta de filhos de amigas da minha mãe sempre que tinha oportunidade.

Mas foi quando minha prima, filha da irmã da minha, nasceu que eu curti mesmo. Acompanhei a gestação e nascimento, e depois cuidava dela ao ponto de em algumas situações acharem que eu era a mãe (sou quase 20 anos mais velha que ela). Em diversos momentos eu achava que alguns cuidados de minha tia eram excessivos e que outros eram meio desleixados. Lembro-me de certa vez que passei quase duas horas com a pequena nos braços dormindo quase na mesma posição porque estava com o nariz entupido e quando minha tia chegou a devolvi com alívio e a cabeça repleta de crítica do tipo “porque não coloca remédio?”, como eu ia saber que não se coloca remédio em criança tão pequena? Eu só queria era dar o fora dali, meu braço doíam abeca, nem pensei no que deixava para trás.

Então os anos passaram e chegou a minha vez. Quando engravidei havia uma grande oferta de cursos de gestantes, para ensinar a mamãe de 1ª viagem a cuidar do rebento (não sei se isso era tão comum antes). Mas tinha de tudo um pouco: Fadynha, Bebe Stephanie, Maternidade Perinatal, Casa de Saúde São José, Bella Gestante, SOS Mamãe & Cia, etc.

Eu tinha certeza que já sabia tudo que era necessário, mas como meu marido nunca tinha tido contato com crianças achei que destes cursos seria legal, escolhi o da própria maternidade, por praticidade. Algumas dicas eram interessantes e de um modo geral não tinha nada que eu já não soubesse, mesmo nunca tendo sido mãe. Fiquei chocada com alguns comentários das gestantes durante o curso, bastante tapadas, eram capazes de afogar a criança na banheira, mas isso não era problema meu.

Depois que meu filho nasceu aquelas dicas do curso não me serviram pra nada, tudo que eu sabia se apagou da minha mente, eu não sabia nem meu nome, minha inteligente foi drenada junto com o líquido amniótico. O que me serviram foram os telefonemas de minha mãe, minha avó paterna e minhas tias, cada uma delas de época pré cursinho, todas pertencentes da associação secreta das mães, conhecedoras do segredo, aquilo que somente quem é mãe sabe. Não há médico, curso que possa nos ensinar.O que é? Ouvir seu filho. Mas como ouvir um bebe que não fala e só chora? Esse é o segredo.

Somente quem é mãe sabe como isolar o chorar, os sons, o barulho e sentir. O resto é técnica disso e daquilo, e o que é melhor para um par mãe-bebe, pode não ser para outro. Vende-se livros e cursos às custas da inexperiência (e quiçá da culpa), mas esquecem de nos dizer que por trás de um bebe de fraldas já há um indivíduo, com vontades, com desejos. Não há regra porque um bebe dorme de dia e outro de noite, um pega peito e outro prefere mamadeira, um chupa dedo, e o outro é bebe by the book: segue todas as regras mama de 2h em 2h, dorme e não chora.


Hoje me sento à mesa da associação secreta das mães e me rio e angustio ao ver amigas mães de 1ª viagem enlouquecendo com as regras que seus pimpolhos não seguem, esquecendo-se de usar o bom senso, se vendendo para a culpa e deixando de viver a grande aventura que só está começando. Mas no final do primeiro ano encontramos o equilíbrio e de uma forma ou de outra, todas descobrimos o segredo.

domingo, 28 de julho de 2013

Medo da morte

Miguel tem medo de morrer.

Não sei de onde veio este assunto e como chegou a conclusão de que deveria ser algo a temer, mas ele tem medo de "virar pozinho".

Foi assim que começou a nossa conversa: ele disse que queria ter um bebe quando fosse adulto, mas não queria crescer muito porque eu estaria velha e iria morrer. Foi quando falou da história que quando a gente morre vira pó e ele não queria virar pó.

Falei para ele, na verdade relembrei esta história que eu já tinha contado, que antes dele nascer, ele era um anjo que morava no céu e que depois que ele escolheu o papai e a mamãe dele, ele tirou as asas e foi morar na minha barriga. 

Quando ele morrer só o corpo dele vai acabar, mas tudo que está dentro do coração dele, que é quem ele é, irá continuar a existir. Ele vai voltar a ser anjo, e vai escolher um novo papai e mamãe.

E isso acontece com todo mundo, então, a gente vai se encontrar lá no céu, porque eu também vou ser um anho que vai escolher um papai e uma mamãe.

Apesar de complexo, isso pareceu confortá-lo. Esse menino de 4 anos entendeu o princípio da reencarnação e o abraçou com alegria. É um dos meus.

Comentário pós relato: Depois desta conversa descobri que a história do "virar pó" ele ouviu do pai que é Ateu. Acho que ainda teremos alguns conflitos de entendimento sobre o tema daqui há algum tempo. Por ora, Miguel curtiu a história e vem repetindo e já disse que na próxima família vai querer se chamar Leonardo (?).

sábado, 5 de fevereiro de 2011

O primeiro teatrinho

Miguel foi a sua primeira peça de teatro. A vovó Sandra o levou ao teatro da Gávea para uma peça sobre as diferenças entre as pessoas e bulling. 

Miguel bateu palmas ao final do espetáculo, mesmo tendo ficado com um pouco de. Curtiu a peça. medo das pessoas fantasiadas.

Depois serviram lanche para as crianças e ele comeu hamburguinho e foi brincar no parquinho do shopping. Ficamos tão orgulhosos do nosso pequeno notável, sua primeira peça séria para crianças e ele se comportou como um rapazinho de quase dois anos de idade.

Quando voltou para casa estava extremamente excitado e demorou a dormir por tanta alegria e novidade. Segundo a vovó Sandra, a curiosidade é sempre maior que o medo para um geminiano, e com o nosso Miguel não havia de ser diferente. 

Espero que nosso pequeno seja sempre assim, esperto, curioso, alegre e simpático, enfrentando seus temores de forma tão doce e angelical. Estamos todos apaixonados por ele.

sábado, 31 de julho de 2010

Primeira internação

Miguel fez seu debut no pronto socorro.

Na madrugada de 29 para 30 de julho acordou com vomitando muito. Após nosso primeiro atendimento em casa, com digesan e uma ligação para o pediatra, fomos para o pronto socorro.

Lá Miguel foi medicado com plasil. Após 40 minutos ps vômitos continuaram. Entrou no soro intravenoso (2 sacos). Finalizando o soro, o vômito não cedeu. Internação!

Por volta das 7h da manhã ligamos para os avós para informar sobre o ocorrido.

Miguel ficou com o soro, com na mão esquerda "furada", e a internação foi até a hora do almoço. 

Que experiência horrível!

Nunca vou me esquecer do seu olhar triste e assustado, pedindo colo para mim e Marcelo, com o jeito febril.

Miguel foi tão forte e valente, enfrentando a dor e o medo naquela na situação. Quase não chorou.

Eu me despedacei e culpei por não poder impedir que ele passasse por aquilo, e o Marcelo se mortificou no minuto em que voltamos para casa. Embora Miguel estivesse sem comer desde o dia anterior, o brilho do seu olhar mudou e ele voltou a sorrir com gosto, no momento em que chegamos em casa.

Longe da dor e daquele ambiente hostil, ele brincou, se escondeu, descansou e, finalmente, dormiu.

Esse nosso anjinho é realmente impressionante. Como é valente, forte! Espero não ter mais que passar por este tipo de situação, pelo menos não tão cedo.

Que tenhamos sabedoria para enfrentar estes momentos e segurança para tomar as melhores decisões para o Miguel.

Comentário pós relato: Até hoje os 4 anos Miguel nunca tomou antibióticos, ou foi internado novamente, ou esteve gravemente doente. O que ocorreu naquele dia foi um episódio isolado diagnosticado vulgarmente como virose.