Como tudo começou?

Enquanto revia vídeos e fotografias do meu pequeno de 4 anos (hoje com 7), que teima em crescer mais rápido do que eu consigo acompanhar, aproveitei para reler os diários que fiz desde a gravidez aos dias de hoje sobre cada momento (que julguei importante, essa ideia eu tive com a minha sogra que até hoje guarda escritos sobre fofurices do meu marido quando criança) registrado para que as trapaças da memória não as apagassem.


Foi neste caminho de reviver o passado que me descobri saudosa e percebi que precisava compartilhar as lembranças antes que esmaecessem sob a luz do dia a dia. Então, resolvi que postaria para amigos, familiares e outros curiosos do mundo pedaços desta minha vida, e ainda de lambuja deixar para o meu pimpolho histórias sobre ele mesmo para que um dia leia e sinta como foi esta jornada de chegar ao mundo e traçar seus próprios caminhos.


Espero que gostem e se emocionem um pouco, assim como eu ao revisitar minha história, e se entusiasmem para fazer uma visita à história de vocês.
Sejam bem vindos às "histórias sobre meu filho".

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domingo, 11 de junho de 2017

Corrente do Bem

Como podemos ensinar a uma criança sobre valores e moral se não apresentarmos a ela o respeito? E o que é o respeito?

Segundo o dicionário, respeito é "consideração; sentimento que leva alguém a tratar outra pessoa com grande atenção, profunda deferência, consideração ou reverência". Entendo respeito como tratar alguém como eu mesma gostaria de ser tratada, sem deixar de considerar as diferenças individuais. Sendo assim, temos que olhar o outro como gostaríamos de ser olhados, e este outro pode ser qualquer pessoa a nossa volta. 

Vivemos num gueto de abastados, sem dor, sem ter que lutar por nossa sobrevivência. E ao nosso lado se dispõem famílias inteiras (desamparadas ou não, não importa) no chão da rua.

Como podemos tocar a vida das pessoas? Como podemos fazer diferença entre os que amamos e aqueles que nos são estranhos? E se cada pessoa do mundo fizer uma ação significativa, boa, e ao mesmo tempo difícil, para outra pessoa, como um presente?

Ridículo? Utópico? Ninguém disse que era para ser fácil.

Foi assim que nos vimos envolvidos em solidariedade anônima aqueles que precisam se sentir amados. Não se trata em dar para quem "precisa" mas reconhecer que existem outros fora de nós que também merecem atenção, carinho e amor, simplesmente pelo fato de existirem.

Seguindo estas ideias temos levado Miguel as ações (sociais) que praticamos para os outros. É importante que ele compreenda empiricamente o que se dar para alguém.
Então, fomos para a campanha inverno feliz ou qualquer coisa assim. A ideia era fazermos um lanche e doarmos comida e cobertores a pessoas em situação de rua (nós mesmos tivemos um tio que se tornou morador de rua por escolha, levado pelos vícios, mas esta é outra história).

Quando chegamos Miguel era a única criança e parecia meio deslocado. Então uma das voluntárias ofertou-lhe um saco de doces ganhos em uma festa infantil. Ele aceitou de bom grado, macaco gosta de banana? De repente ele abriu o saco de guloseimas e começou a dividir os regalos nos sacos de lanches que seriam distribuídos aos moradores de rua.

Claro que ele guardou um para si, mas todo o conteúdo ganho foi repartido com aqueles que não conhecia e que precisavam de um carinho a mais, como aquele que ele mesmo havia recebido. 
 
Se trata em fazer o bem para alguém que não espera e que não se conhece, se trata de estender o braço para uma outra pessoa que não a si mesmo, se trata de amar o próximo como a si mesmo. Se trata de fazer o bem pelo bem. 

Acho que a lição está sendo ensinada e apreendida... que assim seja!


 

domingo, 25 de dezembro de 2016

O melhor natal do mundo


Este foi o melhor Natal que eu tivemos em muitos anos. 

Tirando a ausência de algumas pessoas queridas demais, todo o resto foi excelente! 

Há muito eu não sentia aquele sentimento de tranquilidade e paz. Não me preocupei com nada: presente, comida, roupas, hora...Nada. 

Teve surpresa e risos, leveza e amor. Não fizemos a leitura do natal de paz e amor, mas acendemos velas de hanukkah. 

Não teve pavê de doce de leite (tradicional) mas teve torta de limão. Tinha cheiro de comida vindo da cozinha, frutas secas e rabanada.Teve doação em todos os sentidos. Teve harmonia. Teve alegria. Teve amigos e família. 

Fizemos nossos próprios presentes, e o Miguel pintou uma camisa linda para o amigo oculto. Menos consumo e mais amor.


Só faltou mesmo assistir o especial dá TV Colosso ( Fazer brinquedo, fazer brinquedo, fazer brinquedo é o segredo. Nada que machuque, nada que queime, boneca, cavalinho e vídeo game).


sábado, 24 de dezembro de 2016

Natal humanitário

Este ano o presente foi dar e receber, entregamos quentinhas para moradores de rua e necessitados. Nos encontramos com o grupo para preparar cada uma e colocar nosso amor e energia no preparo.


Miguel participou pela primeira vez, um tanto ressabiado. Mas logo que chegou, pegou uma marmita e se pôs na fila para ajudar na montagem. Conheceu de perto um pouco mais do significado de SOLIDARIEDADE.



A primeira entrega me sensibilizou, um homem passava de cabeça baixa murmurando para si mesmo, chamei três vezes até que olhasse para mim, quando sr virou tinha um olhar desconfiado como se me visse através de um túnel. Ofereci a quentinha e seus olhos abriram. Ele acenou timidamente com.a cabeça e agradeceu com um voz que há muito não era ouvida. Embarguei. 

Na segunda entrega, Miguel percebeu um grupo de pessoas embaixo do viaduto, e nos apontou. Fiquei tensa porque me pareciam drogados, e neste caso há que se ter cautela porque não temos como prever areação deles ao nosso gesto. Mas o Mi quis ir junto, e ficar cara a cara com eles. E lá fomos nós três. 

Ele ficou impressionado com a fúria e voracidade com que aquelas pessoas vinham e nossa direção e apanhavam as quentinhas sem sequer nos olhar. Foi impactante.

Alguns metros a frente uma outra pessoa pedia ajuda, mas já não tínhamos nenhum prato para oferecer. Miguel ficou triste e queria voltar para buscar mais.

Ainda não sei o que esta experiência irá representar para ele em sua vida, mas acredito que trará uma nova percepção do seu mundo e do mundo do outro.