Como tudo começou?

Enquanto revia vídeos e fotografias do meu pequeno de 4 anos (hoje com 7), que teima em crescer mais rápido do que eu consigo acompanhar, aproveitei para reler os diários que fiz desde a gravidez aos dias de hoje sobre cada momento (que julguei importante, essa ideia eu tive com a minha sogra que até hoje guarda escritos sobre fofurices do meu marido quando criança) registrado para que as trapaças da memória não as apagassem.


Foi neste caminho de reviver o passado que me descobri saudosa e percebi que precisava compartilhar as lembranças antes que esmaecessem sob a luz do dia a dia. Então, resolvi que postaria para amigos, familiares e outros curiosos do mundo pedaços desta minha vida, e ainda de lambuja deixar para o meu pimpolho histórias sobre ele mesmo para que um dia leia e sinta como foi esta jornada de chegar ao mundo e traçar seus próprios caminhos.


Espero que gostem e se emocionem um pouco, assim como eu ao revisitar minha história, e se entusiasmem para fazer uma visita à história de vocês.
Sejam bem vindos às "histórias sobre meu filho".

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domingo, 18 de dezembro de 2016

Chrismukkah

Desde muito que as celebraçoes de Natal e Hanukkah são informalmente fundidos com os outros. Uma celebração de Natal com uma árvore, canções e presentes tornou-se um símbolo de ser uma parte da cultura alemã para muitas famílias de classe média judaica no século XIX. Alguns judeus celebraram o Natal como um "festival secular do mundo ao nosso redor" sem significado religioso, ou transferiram os costumes do Natal para o festival de Hanukkah. Na década de 1990, muitas séries de TV unificaram as celebrações de ambas as festas através da comunhão de seus personagens, representando as famílias “mistas”, em especial norte americanas, que celebram o Natal e Chanukah no sentido estritamente secular.

O termo Chrismukkah foi nomeado pela primeira vez, na série de TV O.C. O criador da série Josh Schwart usou sua experiência pessoal para descreve o sentido desta nova festa, em determinados espaços falar de Hannukah ainda é visto como algo distante e exótico. No entanto as similaridades de ambas as festas – as duas se referem a milagres que representam marcos para as culturas Judaica e Cristã e são pontuadas pelas gastronomia e distribuição de presentes - o fez cunhar o termo.

A festa foi criada (na série) como uma maneira de fundir as duas tradições para personagens de origem “mista”, a ideia é que seja "o maior superholiday conhecido pela humanidade" para as famílias que convivem com as duas heranças.

Cabe a cada um definir que símbolos e significados fazem sentido em cada uma das festas e reuni-las numa celebração única de união, paz, confraternização que respeite o melhor de cada costume e que honre a origem de cada membro da família.

Saiba como celebrar cada uma das festas e junta-las:

Origem
Natal - Celebração do milagre do nascimento de Jesus. Hannukah - Celebração do milagre que fez com que o óleo das velas durassem 8 dias.

Quando
Natal - 25/12, segue o calendário Gregoriano, dura 2 dias (véspera e dia 25/12)
Hannukah - Começa em 25 de Kislev, segue o calendário Judaico, a festa dura 8 dias

Gastronomia
A ceia cristã tem origem nos tempos pagãos. Os cristãos se apropriaram da Saturnália, que é baseada no solstício de inverno para marcar a data do nascimento de Jesus. Por ser o dia mais curto do ano e frio (no hemisfério norte) foram escolhidas comidas mais quentes: carnes assadas (peru, presunto e porco), nozes e castanhas, vinhos.
Muitas "comidas de Hanukkah" fazem referência ao milagre ao serem, feitas com azeite ou envolverem frituras como latkes (panquecas de batata), e sufganiyot (roscas com geléia), biscoitos em formato de driedel, Rugelach

Cânticos
As cantigas de Natal, são uma tradição antiga e são ensinadas às crianças e cantadas em coros, igrejas e residências para comemorar o natal e reforçar os valores cristãos. Algumas se popularizaram tanto que são ouvidas e cantadas mesmo por aqueles de outras tradições como :
Noite Feliz
Joy to the World
Ave Maria
Adeste Fideles.

As cantigas ou musicas de Hanukkah também variam de pais a pais e tradição para tradição, as principais são:
O Chanukah O Chanukah (English & Yiddish)
Mi y'maleil (Hebrew & English)
Al Hanisim (Hebrew)
Ocho Kandelikas (Ladino)
In the Window (English)
Chanukah, Chanukah (Hebrew)
Hanerot Halalu (Hebrew)
Light one Candle (English)
Lots of Latkes (Hebrew)
Not by Might, not by power (English)

Velas
A tradição de acender velas vem da perseguição dos católicos irlandeses pelos protestantes ingleses. Era a forma que encontraram para que um padre visitasse a casa para dar os sacramentos e bênçãos neste dia.

Como tradição nesta festa acende-se um candelabro de 9 braços (chanukiah) para representar o milagre do óleo que durou 8 dias, uma das velas é usada como “acendedor”.

"Happy Chrismukkah 

Desde muito que as celebraçoes de Natal e Hanukkah são informalmente fundidos com os outros. Uma celebração de Natal com uma árvore, canções e presentes tornou-se um símbolo de ser uma parte da cultura alemã para muitas famílias de classe média judaica no século XIX. Alguns judeus celebraram o Natal como um "festival secular do mundo ao nosso redor" sem significado religioso, ou transferiram os costumes do Natal para o festival de Hanukkah. Na década de 1990, muitas séries de TV unificaram as celebrações de ambas as festas através da comunhão de seus personagens, representando as famílias “mistas”, em especial norte americanas, que celebram o Natal e Chanukah no sentido estritamente secular.

O termo Chrismukkah foi nomeado pela primeira vez, na série de TV O.C. O criador da série Josh Schwart usou sua experiência pessoal para descreve o sentido desta nova festa, em determinados espaços falar de Hannukah ainda é visto como algo distante e exótico. No entanto as similaridades de ambas as festas – as duas se referem a milagres que representam  marcos para as culturas Judaica e Cristã e são pontuadas pelas gastronomia e distribuição de presentes -  o fez cunhar o termo.

A festa foi criada (na série) como uma maneira de fundir as duas tradições para personagens de origem “mista”, a ideia é que seja "o maior superholiday conhecido pela humanidade" para as famílias que convivem com as duas heranças.

Cabe a cada um definir que símbolos e significados fazem sentido em cada uma das festas e reuni-las numa celebração única de união, paz, confraternização que respeite o melhor de cada costume e que honre a origem de cada membro da família. 

Saiba como celebrar cada uma das festas e junta-las:

Origem 
Natal - Celebração do milagre do nascimento de Jesus. Hannukah - Celebração do milagre que fez com que o óleo das velas durassem 8 dias.

Quando 
Natal - 25/12, segue o calendário Gregoriano, dura 2 dias (véspera e dia 25/12)
Hannukah - Começa em 25 de Kislev, segue o calendário Judaico, a festa dura 8 dias

Gastronomia 
A ceia cristã tem origem nos tempos pagãos. Os cristãos se apropriaram da Saturnália, que é baseada no solstício de inverno para marcar a data do nascimento de Jesus. Por ser o dia mais curto do ano e frio (no hemisfério norte) foram escolhidas comidas  mais quentes: carnes assadas (peru, presunto e porco), nozes e castanhas, vinhos.
Muitas "comidas de Hanukkah" fazem referência ao milagre ao serem, feitas com azeite ou envolverem  frituras como latkes (panquecas de batata), e sufganiyot (roscas com geléia), biscoitos em formato de driedel, Rugelach 

Cânticos 
As cantigas de Natal, são uma tradição antiga e são ensinadas às crianças e cantadas em coros, igrejas e residências  para comemorar o natal e reforçar os valores cristãos. Algumas se popularizaram tanto que são ouvidas e cantadas mesmo por aqueles de outras tradições como :
Noite Feliz
Joy to the World
Ave Maria
Adeste Fideles. 

As cantigas ou musicas de Hanukkah também variam de pais a pais e tradição para tradição, as principais são: 
O Chanukah O Chanukah (English & Yiddish)
Mi y'maleil   (Hebrew & English)
Al Hanisim (Hebrew)
Ocho Kandelikas (Ladino)
In the Window (English)
Chanukah, Chanukah (Hebrew)
Hanerot Halalu (Hebrew)
Light one Candle (English)
Lots of Latkes (Hebrew)
Not by Might, not by power (English)

Velas
A tradição de acender velas vem da perseguição dos católicos irlandeses pelos protestantes ingleses. Era a forma que encontraram para que um padre visitasse a casa para dar os sacramentos e bênçãos neste dia.
 
Como tradição nesta festa acende-se um candelabro de 9 braços (chanukiah) para representar o milagre do óleo que durou 8 dias, uma das velas é usada como “acendedor”."

segunda-feira, 25 de abril de 2016

A origem da tradição

Miguel tem origem judaica e não judaica. Desde seu nascimento eu e o pai nos preocupamos com os ritos e lendas que seriam passados a ele. Embora eu tenha admiração pela cultura judaica, acordamos que cada um ficaria encarregado de transmitir sua cultura, sua crença e assim vimos seguindo.


Acontece que na família do pai há um rompimento com caráter religioso da tradição e todas as festas e comemorações tendem a um lado histórico e laico. 

Ao longo dos anos em que compartilho estas datas com eles, percebi um processo de afastamento com a origem cultural. Claro que após o falecimento dos parentes mais idosos e antigos na tradição, é natural que ocorra um ajuste na forma de transmitir sua história. Mas o que presencio é triste pra mim, me parece um esfacelamento das relações com a história.

Posso estar sendo exagerada, mas eu vejo pelo lado do meu filho. A maior parte do que ele sabe aprendeu comigo e eu não sou judia. Se eu não entender posso passar alguma interpretação desviada, errada, sabe? Esta não deveria ser uma preocupação minha.

Há algum tempo atrás ele ouviu de uma pessoa próxima que só é judeu quem nasce de barriga judia, ele me perguntou se eu era judia e eu disse que não. Penso, logo existo. Minha mãe não é judia, logo eu tão pouco. Este assunto está encerrado para ele, mas não pra mim. Eu e meu marido ainda gostaríamos que ele tivesse contato com a história da origem da família, por outro lado não me cabe esta tarefa. E daí vai o sentimento de esfacelamento ao qual me referi.

Ainda me lembro das festas da minha infância onde histórias eram contadas, ou inventadas (não importa), mas eram aos poucos gravadas em mim. Faço com o Miguel a tradição de contar e reinventar histórias sobre as minhas crenças, e nestas, ele acredita e segue, e com certeza dará continuidade, mesmo que seja da forma e à maneira dele.

O importante é que os laços se mantenham, e que ele possa reconstruir os passos de sua ascendência, e construir sua história que é tão bonita. Espero que ainda tenhamos tempo de apresentar a ele opções de visão de mundo, de construção e percepção de realidades. Afina, ele não é filho de chocadeira, e a história da nossa origem é parte de quem somos e de quem queremos ser.

sexta-feira, 15 de janeiro de 2016

Miguel e Nitzcshe

Eu e meu marido temos concepções bem diferentes sobre a cosmologia do mundo, acreditamos (ou desacreditamos) em coisas diferentes, e se não fosse nosso amor e nosso desejo comum de querer envelhecer juntos, talvez já tivéssemos traçado caminhos opostos.

A verdade é que temos formações familiares bem distintas. Não me entendam mal, não é como se um fosse a luz e o outro as trevas, ambas as nossas familiares são boas e possuem valores dignos de serem seguidos. Mas existem alguns pontos de divergência que, na minha opinião, não devem ser discutidos, apenas respeitados.

Por exemplo, nós dois adoramos os Beatles, mas eu prefiro as músicas lado A e ele é total B side. Eu tomo vinho tinto, ele prefere branco. Eu torço para o Glorioso e ele para as massas. e por aí vai.

Mas brincadeiras à parte, existem assuntos sérios nesta divisão de crenças e valores. Ele é ateu, e eu acredito em Deus (na verdade sou politeísta, então acredito em Deuses e Deusas). Nossa sorte é que nenhum de nós segue uma crença institucionalizada, mas por outro lado, seguimos nossas famílias.

Em nossa casa reina o respeito (não ouso falar em tolerância que uma palavra horrorosa, mas em outro momento falamos disso). Sempre me sintonizei com aquilo em que acredito enquanto na direção oposta meu marido tratava de ser um ateu tradicional (do pó viemos e para o pó voltaremos, logo pra que perder tempo com isso).

Mas no momento em que Miguel chegou, tudo mudou. Ficou combinado que cada uma falaria com ele abertamente sobre suas (des)crenças. Mas conflitos invisíveis surgiram. E num dia qualquer, em passeio com a minha mãe que o Mi disse que Deus é uma fraude, ele não existe.

E com esta revelação do meu filho iniciou-se uma guerra santa silenciosa. Na verdade, surgiu uma necessidade em mim de entender de onde vinha esta fala articulada dele e este repúdio ao invisível. 

Afinal, porque Deus amedronta tanto a ele e ao meu marido? Acho as religiões muita mais perniciosas, não em si, mas simplesmente porque colocam um intermediário em nossa relação com a espiritualidade. Minha visão de Deus é mais ampla, é quase que pautada na física quântica e nas relações entre todos os seres/coisas que é conduzida pelo invisível (a vibração energética dos átomos, mas este é assunto para outra conversa :)).

E por que Miguel desdenha a existência de Deus e acredita em Papai Noel? Será que é a forma que encontrou para se aproximar da crença do pai e da mãe, se identificar com cada um e não ter que fazer escolhas. Ou será que estamos sendo tão péssimos pais que mantivemos nossos diálogos "intectualóides" na presença dele e o confundimos com aquilo que não tem resposta, não tem verdade?

Ainda temos uma batalha de verdades para traçar e valores a ensinar ao meu pequeno Nitzcshe. Só não desejo que ele se torne um cético irônico sem antes conhecer as possibilidades que existem de se viver em harmonia consigo mesmo e com os outros.

Fonte da tirinha: http://www.umsabadoqualquer.com/


sexta-feira, 18 de abril de 2014

Descoberta de Páscoa

Semana de páscoa sempre foi m período que me trouxe muito incomodo. Quando eu era criança, insistiam comigo para comer peixe na sexta-feira, mesmo eu não gostando (hoje eu gosto) e não permitiam que se tivesse outras comidas em casa. Lembro-me que somente quando minha irmã, que tinha sérios problemas para se alimentar (só comia arroz), começou a comer a lasanha, é que este prato foi permitido para ela, mas eu ainda tinha que comer as batatas e legumes do bacalhau.

Aquela cerimônia forçada, descasada de uma tradição que fosse coerente, (sim, porque também não éramos religiosos o suficiente para guardar a tradição da sexta santa de forma lógica, era mais uma desculpa para comer bacalhau) sempre me desgostou.  E quando chegava no domingo só piorava.

Por incrível que pareça, eu nunca fui fã de chocolate, até hoje me lembro daqueles horríveis guarda-chuvinhas de chocolates com gosto de gordura hidrogenada que ganhávamos de vez em quando, tinham um retro gosto que ficava preso nos lábios e fundo da garganta e nunca mais ia embora. Eca! 

Acho que era por isso que não gostava de chocolates naquela época a oferta era mais limitada. A cara de decepção das pessoas quando me presenteavam era o reflexo da minha própria, e aquilo era constrangedor. Imagino o sacrifico que minha tia fazia para comprar ovos para os quatro filhos e todos os sobrinhos e eu lá com aquela cara aborrecida.

Depois de um tempo criei um jeito para fugir dos ovos, passei a só comer chocolate branco, e não havia ovos de chocolate branco. Contentava-me com uma barrinha de galak, ou uma balinha, mas ainda assim aqueles que me presenteavam pareciam sempre tão frustrados quanto eu mesma.

Nunca entendi esta necessidade de nos forçar a comer aquilo de que não gostamos, e como disse antes, na minha família nunca houve uma forte tradição religiosa, na medida em que pude escolher minhas próprias crenças, esta foi uma que abandonei de vez.

Mas os anos passaram e minha inner child virou mãe. Descobri outras formas de passar as festas santas, através dos olhos do meu filho, através da inocência da criança, através da magia.

Enquanto fazia os últimos acertos ligando do meu celular para o coelho da páscoa (é isso mesmo, eu tenho ligação direta para o coelhinho, pelo menos na imaginação do Miguel), convenci meu pequeno de que ganhar ovos não era tão bom quanto uma cesta de guloseimas, afinal renderia muito mais. Na verdade os ovos estão caríssimos e tenho certeza de que ele vai ganhar outras coisas de tias e avós.

Na sexta santa entramos numa loja cheia de ovos de chocolate, apenas para cortar caminho até a entrada que fica na outra rua, e fomos abordados por um menino negro e pobre, que nos pedia para pagar um chocolate. A fila estava imensa e iríamos ficar pelo menos 1h na loja, e tínhamos um pouco de pressa, mas aquilo acabou comigo. Minha criança interior veio à tona com toda sua tristeza em relação a este feriado. Na saída da loja havia mais crianças esperando que alguém lhes comprasse chocolates. Eu comecei a chorar, primeiro porque não poderia comprar para todas (nem mesmo tinha dinheiro comigo), segundo porque era injusto que tanta propaganda fizesse com que as diferenças entre os que podem ter acesso e os que não podem ficasse tão evidenciadas. Era apenas chocolate, algo que para mim é tão cotidiano e que para aquelas crianças era um luxo.

Miguel não entendeu porque eu chorava e comecei a explicar que o menino era pobre e a mãe (se é que ele tinha) não tinha dinheiro para comprar chocolate para ele, e que eu não poderia comprara naquela hora. E que ele deveria sempre pensar nas coisas que ele tem, e entender quando eu disser não por algum motivo, etc.

Foi aí, neste momento, que meu filho, após um segundo de silêncio, me perguntou:

- Mamãe, você queria ser mãe daquele menino?

Eu hesitei porque não sabia o que responder, e então resolvi dentro de mim. – Talvez, por quê?

- Você podia levar ele para casa, e ser mãe de nós dois.


O que ele estava pensando? O que ele entendeu disso que havia acontecido? Será que ele pensou que eu sendo mãe do menino resolveria a tristeza, ou a minha? Eu não sei, somente posso conjecturar, mas que foi minimamente inusitado, foi.

domingo, 13 de abril de 2014

Ritual de amor

Nunca me emocionei tanto quanto na festa de aniversário da coleguinha do Miguel hoje.

Os pais fizeram uma espécie de ritual indígena, com índios Fulni-ô de verdade para dar os parabéns à menina. 

Depois, o pai e outras pessoas que partilham de outra crença, que não entendi bem o nome, tocaram músicas em tambores ritualísticos.

Acabei-me de chorar.

E o Miguel no meu colo tentava acompanhar a cantoria, se balançando e cantarolando no mesmo ritmo.

Que pessoas são essas, capazes de tamanho desprendimento para compartilhar de forma de bela e doce assim a vida da filha?

Muita emoção. Saí de alma lavada, como se tivesse tirado um peso do meu peito.

segunda-feira, 3 de março de 2014

Outra vida

Sempre digo ao Miguel que escolhemos nascer e os pais que temos porque de fato acredito nisso. Acho que ele gostou desta ideia porque volta e meia ele ma fala que quando nascer de novo vai me escolher como mãe novamente. Deve ser a maneira dele dizer que está satisfeito com a nossa relação, nossa intimidade.

De vez em quando ele coloca o pai nesta história e diz que vai escolhê-lo também. Mas sempre fica nisso.

Houve uma vez que em que para me sacanear ele disse que na hora que ia escolher mãe, ele tinha escolhido outra mulher e já estava pronto para nascer, mas eu havia passado na frente desta outra mãe e ele se confundiu e acabou me escolhendo. Muito debochado!

Hoje ele acordou falando neste assunto novamente, um assunto que tem ficado cada vez mais recorrente aqui em casa, mas desta vez ele mudou o grupo de sua escolha:

- Mamãe, quando eu virar anjinho e nascer de novo eu vou querer escolher você de novo, e até o papai, e a vovucha, e o vovô F., e a vovó S. e o vovô J. Ta bom?

- Ta bom. Você vai escolher todo mundo? E você já perguntou se eles vão querer?

- Ah, vão sim, porque eu que escolhi eles.


Ok, levantei uma sobrancelha e sorri. Além de ele ter o poder da escolha, os outros tem que gostar porque ele é simplesmente o máximo! Que convencido este meu filho. Espero que toda esta nossa teoria supra as necessidade de entendimento do mundo para ele durante um bom tempo...

domingo, 24 de novembro de 2013

Meu filho não quer ser judeu

Aqui em casa somos cada um de uma origem, uma tradição e com uma crença (ou nenhuma) diferente.  Na verdade fui criada para acreditar em tudo, para ter fé, esperança, não importa a religião.

Meu marido é de origem judaica, e quem conhece essa tradição belíssima, sabe que por trás há muitos conflitos de identidade e questionamentos sobre onde Deus estava quando ocorreu o Holocausto. Assim, meu marido é judeu ateu, curte as tradições, mas não crê numa entidade maior.

Até tudo bem quando não se tem filhos. Porém, quando eles aparecem há que se definir como criá-los em meio a tanta crença (ou descrença).  Entre nós combinamos que cada uma passaria o que acreditava e que Miguel faria sua escolha quando chegasse o tempo.
Pois bem, na semana passada, não me lembro o quê gerou a conversa, ele disse que não quer ser judeu!

- Mas por que, meu filho, o papai é?
- Eu não quero, eu não sou judeu.
E puxa daqui, puxa dali, eis que ele revela:
- Eu nasci de barriga de bruxo, então eu sou bruxo.

Ok, a culpa foi minha porque falei isso para ele há meses atrás. E está certo, existe a crença que somente é judeu quem nasce de útero judaico e eu não sou judia. Agora meu maridão me pediu para “consertar” isso. E lá vou:

- Mas Miguel, existem outras formas de ser judeu, tem quem nasce da barriga igual a sua prima, tem quem corta o pinto igual a você e tem quem escolhe e estuda e é judeu porque quer igual à tia Anita.
- Mas eu não quero, eu sou vou ser se você “é”.

Que diabos de relação edipiana é essa? Agora eu vou ter que me converter? Eu sempre incentivo e faço as festas e comidinhas gostosas, mas tem limite. De quem é o papel de convencê-lo de que ser judeu é supimpa, minha ou do pai?


Às favas, não quer ser judeu, também não vai ganhar presente de Chanukah, nem comer kneidlach ou rugelach! 

sábado, 16 de novembro de 2013

A Magia do Natal


Fui levar o Miguel para ver o Papai Noel no shopping e levar a cartinha dele. No dia anterior estávamos em casa vendo filme de natal (Operação Presente) em que a menina escreve para o Papai Noel pedindo uma bicicleta rosa.

Durante o filme ele me questionou se Papai Noel existe e se eu acredito e tal. Na verdade eu acredito mesmo nele, claro que não acredito que um velhinho percorra o mundo inteiro em uma única noite distribuindo presente, mas acredito que ele seja o espírito da esperança e da magia que toda criança tem de mais puro em si e que nesta época do ano todos tentamos reviver de alguma forma.

Então sim, eu acredito em Papai Noel!

E gostaria de cultivar no meu filho este mesmo sentimento bom, de fé e otimismo, que emana deste personagem.

Depois de muito eu acredito e você tem o direito de acreditar se quiser... blábláblá (ele tem medo de não acreditar, até o pai disse que acredita e olha que é judeu), fomos ver o Papai Noel. Ele entregou a cartinha e o velhinho a abriu e leu na frente dele. Achei o máximo, porque só reforça o encanto.


Para manter o clima mágico, na hora de montar o presente, escolhi uma embalagem que mais ninguém da família irá receber, tive o cuidado de usar até mesmo um laço de fita de natal que minha mãe me trouxe de fora e um cartão comprado há muitos anos. O presente do Bom Velhinho tem que ser único, direto da fábrica do Pólo Norte para o meu “nice boy”.

As crianças de hoje são muito espertas e crescem muito rápido, mas gostaria que ele pudesse desfrutar ao máximo possível deste mundo encantado e mágico da infância e da inocência.


Então, vamos manter a magia do Natal... (daqui a pouco vem o Coelhinho da Páscoa e a Fada do Dente). 

sexta-feira, 4 de outubro de 2013

O pequeno bruxo

Desde que me lembro que digo ao Miguel que sou bruxa. Não daquelas malvadas, mas porque acredito que nasci com algo especial e me sinto assim. Agora que ele está naquela fase de questionar tudo, não está acreditando muito e me pediu para ligar para minha mãe para confirmar. Liguei, mas como caiu na caixa postal, ficamos sem resposta.

Alguns dias depois quando vovucha veio nos visitar, ele perguntou para ela ser era verdade que era bruxa. E aí veio a grande surpresa!

Ela o levou para o quarto para conversar e revelou que não só eu, mas ela também era uma bruxa. Que possuía um caderninho onde anotava seus desejos e feitiços. Mas já fazia algum tempo que não praticava, mas que faria um para ele.

No dia seguinte, na volta da escola, viemos conversando sobre o assunto e ele me falou desta conversa. E disse a ele que tinha mais uma coisinha desta história, se eu era bruxa e a avó, e ele nasceu numa família de bruxas, então ele também seria um bruxo. Ele se virou para mim de olhos arregalados e sorriso desconfiado nos lábios e disse: “mas eu não faço feitiços”.

Eu disse que ele fazia sim, só não sabia disso ainda. Pronto, começou a falar acelerado pela rua, dizendo que era bruxo e na escola ninguém podia saber que ele fazia feitiços, que ele fazia enquanto dormia de olhos fechados, etc.

Em casa, me pediu para mostrar como se fazia um feitiço, então eu sentei a sua frente em posição de Reiki e disse algumas palavras, e ele se desviou para o feitiço não “pegar” nele (hahahahha), e depois tentou repetir o que eu fiz.

Contou para o pai que era bruxo, e este disse que talvez não, uma vez que eu era e ele não, Miguel poderia não ser. E a isso ele respondeu que nasceu da minha barriga e se eu era bruxa ele também (mesma lógica do judaísmo, só é judeu quem nasceu de útero judaico... toma, papai!).


Em seguida conversamos mais sobre as bruxas boas e más, lembrando do filme Oz, Mágico e Poderoso (o filme novo do mágico de Oz), e tentai explicar que nunca podemos fazer com que outra pessoa faça algo contra a vontade dela que coisas ruins voltam para gente, como aconteceu no filme com a bruxa verde (lei do retorno), e ele entendeu. Depois, saiu do quarto feliz da vida. 

domingo, 28 de julho de 2013

Medo da morte

Miguel tem medo de morrer.

Não sei de onde veio este assunto e como chegou a conclusão de que deveria ser algo a temer, mas ele tem medo de "virar pozinho".

Foi assim que começou a nossa conversa: ele disse que queria ter um bebe quando fosse adulto, mas não queria crescer muito porque eu estaria velha e iria morrer. Foi quando falou da história que quando a gente morre vira pó e ele não queria virar pó.

Falei para ele, na verdade relembrei esta história que eu já tinha contado, que antes dele nascer, ele era um anjo que morava no céu e que depois que ele escolheu o papai e a mamãe dele, ele tirou as asas e foi morar na minha barriga. 

Quando ele morrer só o corpo dele vai acabar, mas tudo que está dentro do coração dele, que é quem ele é, irá continuar a existir. Ele vai voltar a ser anjo, e vai escolher um novo papai e mamãe.

E isso acontece com todo mundo, então, a gente vai se encontrar lá no céu, porque eu também vou ser um anho que vai escolher um papai e uma mamãe.

Apesar de complexo, isso pareceu confortá-lo. Esse menino de 4 anos entendeu o princípio da reencarnação e o abraçou com alegria. É um dos meus.

Comentário pós relato: Depois desta conversa descobri que a história do "virar pó" ele ouviu do pai que é Ateu. Acho que ainda teremos alguns conflitos de entendimento sobre o tema daqui há algum tempo. Por ora, Miguel curtiu a história e vem repetindo e já disse que na próxima família vai querer se chamar Leonardo (?).

segunda-feira, 22 de julho de 2013

Ensinando religião para o filho

Miguel me perguntou quem é o Papa.

Depois de um silêncio eterno de 30 segundos, comecei a explicar de um jeito que ele pudesse entender: 

O Papa é o capitão do time dos católicos, que são as pessoas que acreditam no papai do céu. 

Segunda pergunta. Quem é papai do céu? Era um cara muito bom, que tinha amor no coração e morreu. O nome dele era Jesus.

Terceira pergunta. Esse Jesus é o tio Jesus (meu cunhado)? Resolvi desistir de explicar. 

Depois ele ainda perguntou se eu e o pai gostávamos do Papa. (As perguntas vão ficando cada vez piores, tipo pegadinha). Eu disse que o pai era do time dos Judeus. E ele perguntou o meu time. Eu disse que era do time das bruxas (acho que ele não levou a sério), ele riu. 

Por fim, me disse que seria então do time das espadas (Você entende?, nem eu) e acabou conversa.

Acho que este assunto vai voltar a qualquer momento...

segunda-feira, 29 de março de 2010

Pessach

Hoje é o primeiro dia de Pessach, e também do Miguel.

Fomos jantar na casa dos avós paternos, algo bem família,com as tias presentes.

Apesar de tudo ter corrido bem e estarmos todos em harmonia, senti falta de não termos lido a haggadah ou cantados as músicas, o Miguel teria adorado.

Acho que ele curtiu muito mais ontem à noite a cerimônia laica na ASA. Ele se impressionou com o coral e cada música apontava para o palco e ria.

A avó ofereceu para ele vinho kasher (ligeiramente licoroso) e não é que o menino bebeu. Miguel apontava para todos os copos de vinho da mesa e abria a boca. Pode?

Papai foi quem não gostou muito deste ritual de iniciação, mas também não quis se pronunciar para não criar confusão com a avó. Ainda bem que quem ofereceu o vinho não foi a minha mãe, com certeza o final da noite teria sido bem diferente...

Bem, espero que na próxima festa possamos ensinar um pouco da tradição do  papai para o Miguel, afinal, existem histórias e rituais lindos no judaísmo e queremos que ele os conheça também.

domingo, 28 de março de 2010

Aposição de nome

Aposição de nome é o ritual Rosacruz que simboliza a chegada de uma nova alma a um novo corpo para iniciar a experiência de vida terrena. A partir da aposição de nome, essa alma passa a ser conhecida tanto no plano espiritual quanto no plano físico.

Hoje foi a cerimônia de aposição de nome do Miguel na Ordem Rosacruz. Depois de muita indecisão quanto ao tipo de cerimônia gostaríamos de fazer ou se teríamos mesmo alguma bênção, finalmente nos decidimos (quer, dizer, eu decidi) por este ritual.

A escolha se baseou na ideia de termos uma bênção sem obrigação ou comprometimento iniciático que muita vezes isso envolve.

Enfim chegou o dia. Estávamos muito nervosos sem saber como seria a repercussão entre convidados tão diferentes.

Para mim significou o retorno para um lugar de conforto espiritual, uma volta ao lar. E o emocionante foi retornar com o Miguel, este pequeno ser que nos escolheu para partilhar de sua jornada terrena nesta vida.

Foi emocionante e forte para todos que estiveram lá. Cada um de nós saiu com uma impressão, uma marca única que jamais esqueceremos. Cada um de nós encontrou dentro de si, seu eu perdido.

Foi um momento de reencontro individual e espiritual para os convidados e participantes. E um momento de revelação para o nosso Miguel.

Acho que nunca esqueceremos as sensações que nossos sentidos captaram naquele ritual.

Que miguel tenha recebido o melhor de nossas vibrações e seja muito feliz nesta vida que escolheu.

Que assim seja!