Como tudo começou?

Enquanto revia vídeos e fotografias do meu pequeno de 4 anos (hoje com 7), que teima em crescer mais rápido do que eu consigo acompanhar, aproveitei para reler os diários que fiz desde a gravidez aos dias de hoje sobre cada momento (que julguei importante, essa ideia eu tive com a minha sogra que até hoje guarda escritos sobre fofurices do meu marido quando criança) registrado para que as trapaças da memória não as apagassem.


Foi neste caminho de reviver o passado que me descobri saudosa e percebi que precisava compartilhar as lembranças antes que esmaecessem sob a luz do dia a dia. Então, resolvi que postaria para amigos, familiares e outros curiosos do mundo pedaços desta minha vida, e ainda de lambuja deixar para o meu pimpolho histórias sobre ele mesmo para que um dia leia e sinta como foi esta jornada de chegar ao mundo e traçar seus próprios caminhos.


Espero que gostem e se emocionem um pouco, assim como eu ao revisitar minha história, e se entusiasmem para fazer uma visita à história de vocês.
Sejam bem vindos às "histórias sobre meu filho".

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terça-feira, 1 de agosto de 2017

Identidades invisíveis

Miguel voltou das férias no final de semana, muito feliz em reencontrar os pais. Tocou a campainha da porta com um sorriso nos lábios. Do outro lado, o pai, ansioso por um abraço, abriu com a mesma alegria. Eis a surpresa quando Miguel percebeu que seu pai estava careca. Ele deu meia volta e saiu pelo corredor, quando o alcancei ele iniciou um choro sentido.

Não, o pai não estava careca porque qualquer motivo de saúde, era apenas um novo estilo que estava experimentando. E que na verdade achei muito charmoso...

Lembrei-me de uma vez quando pequena e meus pais ainda eram casados, um dia voltando da escola cheguei em casa e não reconheci meu pai. Ele sempre usava uma barba densa e cheia, pra mim era sua marca registrada, e de repente ele estava careca de barba, cara limpa! Eu chorei. Não o reconheci, não identifiquei meu pai naquele homem a minha frente.

Foi o que aconteceu com o Miguel.

Os pelos corporais e faciais se tornaram identidade de quem somos, nos conferem um rosto e geram no outro expectativas diversas sobre quem é como somos. As tatuagens fazem o mesmo efeito, assim como brincos, piercings, etc. Marcas de identidade.

De repente o pai não é mais o pai, mas um outro ser estranho, diverso, único. A pergunta feita pelo meu filho foi se o cabelo iria crescer, seguida da promessa de que nunca mais o país fizesse "aquilo".

Mas na verdade "aquilo" não faz dele menos pai, marido ou filho.  Não nos diz respeito as escolhas individuais. Por que então elas nos incomodam tanto? Ok é fácil entender a reação das crianças mas é os demais, os adultos?

Nossas identidades estão mais fluídas e menos enrijecidas. E isso assusta, não poder mais nomear e classificar as pessoas pelo que são ou deixam de ser traz um desconforto. É necessário categorizar e enquadrar numa escala qualquer de valores para que possamos compreender o outro. Foi assim que nos ensinaram na escola.

Mas o mundo da voltas e as percepções mudam. Hoje somos quem queremos ser, "somos quem podemos ser", e as possibilidades de ser são ilimitadas e infinitas. As identidades são invisíveis a olho nu.

A lição nesta história é o respeito à individualidade, o amor acima da expectativa. E esta é uma lição de vivemos todos os dias.

sexta-feira, 7 de julho de 2017

Prefácio do Miguel

Quando menina sempre curti as brincadeiras de casinha com as bonecas ou com os amigos e crianças menores. Eu era sempre a mãe. A ideia de cuidar, ninar, e amar outro ser era tão natural que eu “tinha que” fazer isso.

No teatro da escola era a mãezinha segurando a mão de um colega que fazia meu filho e uma boneca de lhos esbugalhados.


Escrevia em cadernos e folhas os nomes possíveis para meus filhos e filhas futuros.
 
A ideia de ser mãe foi crescendo em meu coração como uma  ordem natural a qual deveria seguir ou morrer tentando (kkkk eu não chegaria a tanto, mas a emoção da criança parecia assim, radical).

A menina cresceu, escolheu um par, um companheiro, um parceiro. Juntos sonharam novamente com a mãe. Como a Grande Mãe Gaia que deu vida aos Deuses, e gerou a humanidade a partir de seus filhos, sonhei comum ventre cheio e fértil  de amor e vida.

Os nomes escritos na infância já não faziam sentido para aquele ser que se desenvolvia preguiçosamente em minha barriga. Era preciso algo único, algo nosso.

Lendo um livro encontrei este nome, de que nunca havia gostado, porém agora neste novo contexto ganhava uma nova forma com mãozinhas e pezinhos diminutos. Um novo nome cheio de significados metafísicos, históricos e espirituais, aquele que pode falar com Deus em nome dos homens. Um orador, comunicador, um verdadeiro geminiano.

Assim nosso Miguel foi sendo gestado. Uma gestação que começou mais de 20 anos antes dele chegar. Começou com uma brincadeira, como um sonho e se concretizou numa parceria e amor.

E então ele chegou! Cabeludo, narigudo e pezudo. De olhos abertos e falando (na verdade berrando) – “ei mundo, cheguei!”. Olhos de arco-íris, gengiva careca, sorrisos e caretas... Sempre atento ao que o mundo mostrava, um verdadeiro mini computador, registrando tudo e todos, atualizando-se e retornando com mais e mais informações.

Cresceu, ainda cresce. Se aventura destemidamente pelo mundo, corre, cai, salta, brinca, lê, atua (esse é meu filho, sem dúvidas), e sempre cercados de amigos, novos, antigos e ainda não descobertos.

Esse é o Miguel, aquele que nos escolheu para sermos seus pais, aquele que escolhemos para ser nosso filho. A quem amamos com suas qualidades, com quem aprendemos a sermos seres humanos melhores, e  a quem ensinamos a amar, confiar,  respeitar e viver.


 

segunda-feira, 5 de junho de 2017

8 e alguma coisa

Hoje é o dia do nosso herdeiro... Miguel!!!! 

8 é o número do equilíbrio cósmico, do infinito, da justiça e da renovação, o favorito dele.


Cada dia mais amor, cada dia mais vida, cada dia mais alegria, cada dia mais paixão, cada dia mais brincadeiras, cada dia mais fofuras, cada dia único na estrada que trilhamos juntos...

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

Todas de barriguinha de fora

- Elas pareciam adolescentes, estavam todas com a barriga de fora - ele comentou sem parar para me encarar ou qualquer coisa. O tom de seu comentário era de crítica, e foi quando perguntei.


Dia de carnaval na escola.

Apesar do Miguel não curtir samba, ele bem topa uma bagunça e se fantasiar.

Lá foi ele com sua fantasia de Finn*. No final do dia chega em casa comentando que achou muito estranho as meninas da sala dele no carnaval.

??????


- Elas não podem ir de barriga de fora? - ao mesmo imaginava fantasias de baiana, odalisca e havaiana que tradicionalmente fazem o estilo "barriguinha de fora".

- Não, porque elas não são adolescentes.

Miguel rotulou e taxou o lugar apropriado para determinada vestimenta, e porque não comportamentos? Nesta nova escola se depara com atitudes que antes lhe pareciam distantes. Há que compreender mas não se corromper.

* Finn é personagem do desenho animado Hora da Aventura - http://www.imdb.com/title/tt1305826/

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

Uma nova paixão?

No último final de semana enquanto eu estava fora trabalhando em um evento, pai e filho foram convidados para almoçar na casa de uns amigos. Lugar ideal para uma tarde de domingo, todos curtem comer e beber bem, havia área de lazer para as crianças e nossos filhos poderiam socializar de um lado, enquanto os pais bebericavam de outro.

Neste cenário aprazível de uma tarde de verão, começou um tititi entre as crianças. Eu não estava presente então estou recontando em terceira mão o ocorrido.

Num dado momento da brincadeira vem à tona, talvez precocemente, a conversa de quem acha quem bonito. É engraçado porque me lembro de nesta idade começar a ter algum interesse pelos meninos mas ainda de forma bastante ingênua. Beijos (numa rodinha de verdade ou consequência) e  insinuações surgiram por volta dos 10 anos.Resultado de imagem para meninos e meninas brincando 8 anosMiguel revela ao grupo de amigos, composto por três meninas e um menino (fora ele) que achava uma das meninas da roda bonita. A irmã dela o puxa pelo braço e leva para outra área e, à distância, o pai testemunha um ir e vir frenético entre a patota. É o frenesi da descoberta, da identificação com o grupo e da diferenciação entre meninos e meninas.

O que rolou não sabemos ao certo. A pergunta feita foi sobre sua eleita de até então, teria sido esquecida? Substituída? Uma nova paixão? Mas ele desconversou, entre risinhos tímidos e envergonhados. Uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa...

Será que houve alguma troca de afeição? Espero que não, que eles se permitam viver a ingenuidade da infância de forma plena, porque uma vez maculados não há volta, o véu do mundo se abre e o caminho de volta é lacrado, é daí pra frente. 

É uma delícia vê-los experimentando a vida. Para nós pais, espectadores, só nos resta apoiar e orientar, e aceitar que aquele bebezinho está, há muito, caminhando com as próprias pernas.

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

Sem reservas

Sentados vendo um filme romântico na TV Miguel sempre se acanha hora dos beijos. Claro que aproveitamos para emitir o tradicional "awwww" nestas cenas deixando-o ainda mais envergonhado.

Ele estava deitado em meu colo enquanto aquela história boba se desenrolava, até que o mocinho (ou ainda se fala galã?) beija a mocinha (ou seria heroína?). 

Então eu olho para ele e sem pestanejar digo: 

- AWWWWWW!

- Ah, para mamãe.  

- Ora, por que? Eu adoro beijar. 

- Por que?

- É o jeito que a gente de dizer que gosta de alguém, é gostoso. - Enquanto eu falava percebi sua movimentação, uma certa inquietude na pélvis. - O que está acontecendo aí, meu filho?

Ele começa a rir sem , e sem reservas me dá uma resposta.

- Ah eu sei lá. Às vezes quando eu vejo beijo assim meu pinto fica duro, acontece alguma coisa.

A mãe ri e fica com cara de tacho, ainda ponderando se teria sido o beijo ou a Catherine Zeta-Jones?

Seja lá o que for, meu filho está crescendo, literalmente!



segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

O Coração de Botafoguense


Miguel: - Papai, eu achava que o coração parava de bater quando a gente deitava pra dormir, e voltava a bater quando a gente acordava no dia seguinte. 

Pai:  - Faz todo o sentido, meu filho. Afinal, nosso coração também precisa de descanso, sobretudo os que sofrem de amor não correspondido e maltratados pelo time do coração (que o digam os botafoguenses após o jogo de ontem, né?).

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017

O primeiro dia de novo

Primeiro dia numa escola nova. 


Depois de receber a notícias da mudança com lágrimas nos olhos (ele está aprendendo a lidar com mudanças, esta é a lição que ele tem nesta vida), Miguel se resignou e aceitou os prós e contras da decisão. 

Ouviu alguns amigos, conhecidos e familiares que também frequentaram escola pública. Pesou os benefícios que teria, entre eles, atividades extras que combinamos que ele poderia fazer.

Acordou cedo - como se não bastasse a troca de escola, o horário também é novidade -, se aprontou rapidamente e bem disposto, me atrevo dizer que ele estava animado. 

Seguimos no caminho, mas não sem antes registrar o momento com descontração. Foto na posição do Bolt, e vamos em frente. 

Chegou ao prédio subindo as escadas aos saltos. Seria entusiamo? Seria medo? Seja lá o que foi, ele encarou de frente, cabeça erguida e ombros para trás.

No portão nos informaram que a professora dele está em capacitação (isso é bom, né?) e a turma iniciaria apenas na segunda. 

Puxa, rolou uma certa decepção. 

Mas o Diretor (ah, sim, o próprio Diretor da escola dava boas vindas aos alunos, enquanto o Inspetor organizava a entrada) propôs àqueles que quisessem ficar, providenciar atividades junto a outra turma. Detalhe uma turma mais velha que a dele. Teria sido isso um sinal? 

Perguntamos ao Miguel o que gostaria de fazer, ficar e se enturmar ou retornar somente na segunda. Ele quis ficar! Meus olhos encheram-se pela decisão, pela escolha que ele fez, sem pressão, com amor.

São estes momentos que importam.

quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

Victorio's Secret


Se houvesse um Victorio's Secret, sem dúvida o moleque estaria entre os modelos mais requisitados. 

Sente o olhar penetrante. 


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Já falei aqui, mas vale repetir ad nauseam: vai ser bonito assim na casa do chapéu. Com todo o respeito.

* Contribuição do pai.

domingo, 25 de dezembro de 2016

O melhor natal do mundo


Este foi o melhor Natal que eu tivemos em muitos anos. 

Tirando a ausência de algumas pessoas queridas demais, todo o resto foi excelente! 

Há muito eu não sentia aquele sentimento de tranquilidade e paz. Não me preocupei com nada: presente, comida, roupas, hora...Nada. 

Teve surpresa e risos, leveza e amor. Não fizemos a leitura do natal de paz e amor, mas acendemos velas de hanukkah. 

Não teve pavê de doce de leite (tradicional) mas teve torta de limão. Tinha cheiro de comida vindo da cozinha, frutas secas e rabanada.Teve doação em todos os sentidos. Teve harmonia. Teve alegria. Teve amigos e família. 

Fizemos nossos próprios presentes, e o Miguel pintou uma camisa linda para o amigo oculto. Menos consumo e mais amor.


Só faltou mesmo assistir o especial dá TV Colosso ( Fazer brinquedo, fazer brinquedo, fazer brinquedo é o segredo. Nada que machuque, nada que queime, boneca, cavalinho e vídeo game).


sábado, 24 de dezembro de 2016

Natal humanitário

Este ano o presente foi dar e receber, entregamos quentinhas para moradores de rua e necessitados. Nos encontramos com o grupo para preparar cada uma e colocar nosso amor e energia no preparo.


Miguel participou pela primeira vez, um tanto ressabiado. Mas logo que chegou, pegou uma marmita e se pôs na fila para ajudar na montagem. Conheceu de perto um pouco mais do significado de SOLIDARIEDADE.



A primeira entrega me sensibilizou, um homem passava de cabeça baixa murmurando para si mesmo, chamei três vezes até que olhasse para mim, quando sr virou tinha um olhar desconfiado como se me visse através de um túnel. Ofereci a quentinha e seus olhos abriram. Ele acenou timidamente com.a cabeça e agradeceu com um voz que há muito não era ouvida. Embarguei. 

Na segunda entrega, Miguel percebeu um grupo de pessoas embaixo do viaduto, e nos apontou. Fiquei tensa porque me pareciam drogados, e neste caso há que se ter cautela porque não temos como prever areação deles ao nosso gesto. Mas o Mi quis ir junto, e ficar cara a cara com eles. E lá fomos nós três. 

Ele ficou impressionado com a fúria e voracidade com que aquelas pessoas vinham e nossa direção e apanhavam as quentinhas sem sequer nos olhar. Foi impactante.

Alguns metros a frente uma outra pessoa pedia ajuda, mas já não tínhamos nenhum prato para oferecer. Miguel ficou triste e queria voltar para buscar mais.

Ainda não sei o que esta experiência irá representar para ele em sua vida, mas acredito que trará uma nova percepção do seu mundo e do mundo do outro.

sexta-feira, 1 de julho de 2016

Bebe Johnson

Um dia quando eu ainda era muito pequena e brincava, eu queria ser mãe.
Um dia quando eu estava na escola fazendo teatrinho e usava um vestido cor de uva, eu queria ser mãe.
Um dia quando eu trocava fraldas de filhos de amigos da minha mãe, eu queira ser mãe.
Um dia quando segurava os filhos dos meus primos no colo, eu queria ser mãe.
Um dia quando levava minha prima a uma feira de filhotes, eu queria ser mãe. 
Um dia quando acompanhei uma amiga à maternidade, eu queria ser mãe.
Um dia quando eu encontrei o amor e me apaixonei, eu queria ser mãe.

E então chegou o meu dia de ser mãe. 

Eu planejei cada detalhe, escolhi um nome caso fosse menina, e outro caso fosse menino. 

Pensei em com quais pessoas gostaria de compartilhar o momento e mandava atualizações da minha gravidez, semana a semana para um monte de amigos queridos. Escolhi madrinha e padrinho entre aqueles que poderiam nos representar melhor, em termos de gostos e crenças.

Lavei cada peça de roupa, escolhi detalhes do quarto, e andava com aquela pança empinada cheia de orgulho.

E ele veio, cabeludo, narigudo, pezudo. Resmungão, meio velhinho para aquele corpo tão pequeno. Com olhos abertos, atentos a tudo, sem querer perder mais nenhum segundo do mundo novo que agora conhecia, redescobria.

Mas o amor não veio como eu tinha sonhado. Tinha alguma coisa errada. Ele não tinha nenhuma daquelas características dos livros. Era cabeludo, e tinha cara de homem e não de bebe. Ficava acordado quase 10 horas seguidas, e quando se arriscava a dormir, acordava a cada três horas. Chupeta pra quê se tem o peitinho da mamãe? E olha que eu tentei.

Fiquei triste, culpada, não era este o meu sonho? Então por que não estava feliz? Eu queria dormir, tomar banho, ficar sozinha durante 1 hora. Eu queria um Bebe Johnson, igual aos dos livros, que ficava quietinho, dormia e mamava a cada X horas, que não chora, e é rechonchudo.

Na verdade não era nada disso, a gente só não se conhecia muito bem. Ele tinha lá as vontades dele, e eu tinha as minhas. O plano agora era conciliar estes desejos ou sair correndo de pijama pelas escadas do prédio (e olha que coisa eu fiz isso). Achei melhor chegar ao entendimento com ele.

Então fui arrebatada por um sorriso careca e olhos de arco-íris. Pequenas mãos que buscavam consolo em meus braços sempre que desagradado. 

Ora, menino mimado!  Menino do coração dourado, de ouro!

E o sol nasceu e se pôs tantas vezes que nem sei já. E veio frio, chuva, e de repente, tal como a brisa da primavera, um calor úmido inundou meu peito e eu me descobri apaixonada. 

Hoje quando acordo de manhã passo eu seu quarto para ver se ainda dorme anjo, eu sou sua mãe.
Hoje quando dou um esbregue e grito, eu sou sua mãe.
Hoje quando sento a seu lado para acompanhar na lição, eu sou sua mãe.
Hoje quando choramos juntos vendo filmes natalinos, eu sou sua mães.
Hoje quando estou triste e suas mãos secam minhas lágrimas, eu sou sua mãe.
Hoje quando danço na sala na frente da TV e sou acompanhada de sues passos gingados, eu sou sua mãe.
Hoje quando apago a luz de seu quarto e aponto as estrelas fluorescentes coladas no teto, eu sou sua mãe. 
Hoje quando estou ocupada e sorrateiramente sinto braços me envolvendo num gesto puro de carinho, eu sou sua mãe.
Hoje quando o escuto revelar as aflições (precoces) de seu coração, eu sou sua mãe.

E quando penso em voltar no tempo, me pergunto o que faria diferente? E eu mesmo respondo: Nada! Foi aquela jornada que traçamos juntos que fez de nós quem somos hoje. 


quarta-feira, 8 de junho de 2016

Quer namorar comigo?

Às vésperas de seu aniversário, Miguel começa com um movimentação estranha, agitada. É um tititi na saída da escola com uma das amigas, e em casa um papel, um bilhetinho na mochila e muitos coraçõezinhos recortados.

De repente ele me procura para contar um segredo. Um desejo. Ele planejava pedir uma das amigas, convidadas para seu aniversário, em namoro.

Meu coração parou por cerca de 20 segundos, enquanto meu cérebro processava a informação e minhas terminações nervos se esforçavam para não esboçar sentimentos enquanto mantínhamos a conversa.

- Ah, é? - silêncio - Que legal!

E ele contando que havia escrito uma carta e iria entregar na festa e que a outra amiga em comum iria ajudar. Achei meio cedo para falarmos de triangulo amoroso, mas que diacho tem que ter uma amiga envolvida? Isso ainda vai acabar mal.

E minha mente continuava a processar: E se a menina não viesse? E se ela dissesse que não queria namorar? Afinal agora eles estudam em escolas diferentes. E o que ele espera de um "namoro"? Será que ele pensava em beija-la? E o que eu ia falar para os pais dela?

Minhocas, minhocas, e mais minhocas....

- Filho, e se ela disser que não quer namorar? O que você vai fazer?

- Ai, mãe, para de falar comigo assim com voz de peninha,  Se ela disser não, é não.

Queixo caído até o chão, cara de idiota frente a resolução do meu filho de encarar o que tiver que ser. Orgulho e medo se instalaram simultaneamente em meu coração.

No dia da festa eu estava apreensiva por saber da emoção e expectativa que ele sentia. Seu olhar brilhante quando ela entrou pela porta, suplantando o medo real de se aproximar, vergonha misturada com um enorme carinho.

E foi um verdadeiro tititi. Corre criança para um lado, corre criança para outro lado. Entra no quarto e vai pra sala. E a reunião de colegas diferentes, amigos de todos os tempos e amigos da nova escola.

Estava na cozinha preparando os lanches quando ele entrou e disse que tinha algo para me falar.

- Ela disse sim! - e eu com um nó na garganta, compartilhando a emoção que ele sentia.

- E agora, vocês vã fazer o que?

- Nada, ora. - e saiu em disparada para dançar na sala ao lado de sua eleita e agora, namorada.



domingo, 5 de junho de 2016

Aniversário outra vez

Então é assim, um dia a gente acorda e como num flashback voltamos no tempo para o dia em que aquele bebê que até aquele momento morava em nosso ventre resolveu que era hora de sair.

Você lembra como ele te dava bordoadas (ok podem ser contrações) pedindo para finalmente sair e te ver pelo seu lado melhor.

Era uma pontada aguda a cada passo, a cada conversa, a cada conversa. Não havia medo ou temor, apenas ansiedade.

Depois de 41 longas semanas finalmente iríamos nos conhecer. Será que ele iria gostar de você? Será que você iria gostar dele? Será que toda aquela comida tinha feito bem a ele?

Mas nem todo saiu como num conto de fadas. Ele saiu por um corte em minha barriga (não por escolha minha, mas porque ele achou que estava deitado numa rede e naquela altura do campeonato, fazer o que?) e eu tomei tanto analgésico para que isso ocorresse que na hora que ele veio para mim, eu estava tão chapada que não senti a emoção que imaginei que sentiria. 

A emoção veio depois, em casa... Demoramos algum tempo para nos entendermos, mas nossa, quanto amor, quanta paixão. 

Quem poderia imaginar que meu pequeno seria o grande amor da minha vida? Que ele seria meu tudo, minha salvação, minha transformação? Que nos transformaríamos em Morgana e Mordred?


E o tempo foi passando e num piscar de olhos, como se o tempo e espaço dessem um salto quântico, voltamos aquele momento zero, sete anos depois. E o bebe já não é tão indefeso e inseguro, mas independente e sábio, um pequeno druida eu diria. Forte e sagaz, com seu olhar único sobre o mundo, sobre mim.

Sete anos, tempo mágico, tempo simbólico. Ainda revivemos nossa histórias, continuamos a nos conhecer. Digo a ele que ainda o segurarei no colo mesmo quando tiver barba, filhos e netos. E ele responde que não, porque eu vou estar velhinha. Então será a vez dele de me segurar no colo. E rimos...

O tempo não passa para mães e filhos. Ele é vácuo por onde nossas memórias se reconstroem a cada momento. 

Ah, mas se pudéssemos congelar o tic-tac do relógio, apreender o tempo, aprender com o tempo!

Sete anos! Sete vidas! Sete histórias! Sete! Se, te...

Feliz aniversário, Miguel, no próximo ano recriaremos nossa história novamente.

quinta-feira, 26 de maio de 2016

História de dormir

Ontem ã noite Miguel resolveu me contar uma história para dormir. Como já estávamos na cama, ele inventou a história.

"Era uma vez um menino, seu pai e sua mãe. Um dia eles resolveram viajar para o Uruguai.

Chegando lá eles descobriram que não sabiam falar a língua, e sem falar eles não poderiam ir ao restaurante, passear e comprar presentes, estas coisas, sabe?

Então o filho teve uma ideia. Por que não aprender a língua do Uruguai? Assim eles estudaram e aprenderem a falar. E puderam ir ao restaurante e passear. E eles adoraram a viagem.

Mas eles tiveram que voltar pra casa, porque acabou as férias. E eles ficaram muito tristes e começaram a chorar. Então o filho teve outra ideia. Eles voltaram na quinta-feira, então eles ia voltar no Uruguai no sábado ou domingo.

E quando eles voltaram uma coisa tinha acontecido, estava tudo destruído, e eles não entenderam  nada. Mas como gostaram muito daquele lugar, eles resolveram reconstruir tudo sozinhos. E aí eles puderam se divertir de novo. 

Fim"

Achei a história elaborada e cheia de significados nas entrelinhas. Uruguai é o país onde a avó paterna nasceu e volta e meia dizemos que gostaríamos de visitar.A volta com tristeza, remete às ultimas férias em que ele voltou com pesar de estar deixando o pais e voltando para casa. Mas o lance de destruição e reconstrução é bem legal. 

Não importa o que haja, qual a situação difícil ou incomum, a verdade é que nós três juntos somos capazes de reconstruir, passar pelo desafio e no final, nos divertirmos com tudo.

Esse meu filho é uma pessoa especial, de muita sensibilidade e empatia, como nunca vi igual. Amo muito!

quarta-feira, 25 de maio de 2016

Arte terapia

O lance é expressar os sentimentos da forma que conseguirmos...

Hoje Miguel me disse que estava com um sentimento que ele não sabia descrever, não sabia direito o que era, mas não era dor, "tipo dor de cabeça ou febre" (palavras dele).

 Estava acabrunhado e triste. Deitou-se no meu colo em posição fetal, como um bebezinho indefeso no colo de sua mãe, procurando aconchego.

Depois de alguns minutos neste aconchego duplo (eu também tirei a minha casquinha, já que ele teima em crescer), sugeri que fossemos desenhar, usar tinta e brincar juntos. Sentamos no chão com papel e tinta guache, e cada um de nós sentou-se para pintar seus sentimentos.

Enquanto eu me entretinha com meus amarelos e verdes, ele se desenhou com as pernas longas (pernudo) e as mãos sobre o peito. Um bonequinho sozinho num jardim sem flores. Ainda assim, não estava tranquilo, fez outro desenho e ainda estava tristonho.

Eu perguntei o que ele estava sentindo mas não consegui dizer, então falei para ele desenhar o sentimento. Depois de resistir um pocuo, ele escreveu a palavra "falta" no desenho que havia feito de si mesmo.

"Falta".

O que fazia falta para ele? Que sentimento de ausência e solidão era este?

Foi quando perguntei do que ele sentia falta, e querendo mudar de assunto, com um meio sorriso no canto dos lábios, ele me falou contrariado, entre dentes... Falta de A., sua paixão juvenil, a amiga da escola que mudou de colégio e ele não vê há meses.

Coração partido. Saudades.

Como consolar um menino destes?


segunda-feira, 25 de abril de 2016

O que está faltando nesta foto?

E mais uma vez a Fada do Dente veio nos fazer uma visita em troca de um dentinho.


Com este já foram cinco. Esperamos o próximo para o mês que vem  :)



quinta-feira, 31 de março de 2016

Férias em Família....

Este ano perguntei ao Miguel o que preferia fazer em seu aniversário: uma festa ou uma viagem em família. Ele não pensou duas vezes e escolheu a viagem.

Claro que logo pediu para ir à Disney, afinal, é mágico! Mas falei que ele já tinha  viajado pra lá e que tinham muitas coisas e lugares legais no mundo que ele ainda não conhecia. Foi assim que, procura de um lado, investiga do outro, chegamos ã ideia de irmos ao Chile. A ideia inicial do Miguel era conhecer o deserto do Atacama, porem o papai, urbano que só, vetou e preferiu ficar somente pela cidade.

E assim começaram os preparativos para nossas férias no Chile.

Cada dia de planejamento e busca de lugares e passeios a conhecer iam aumentando a expectativa do meu filho de uma viagem incrível. Na véspera da viagem tínhamos que dormir cedo, pois sairíamos de casa as 4h da manhã, meu moleque não conseguia dormir de tamanha excitação. E na hora do despertador tocar já estava de pé com os cabelos arrepiados e um sorriso nos lábios.

 

Chegamos em Santiago com o dia ensolarado porem com temperatura amena. Durante toda a nossa chegada só conseguia ouvir o Mi dizer como estava feliz de estar lá e de “experimentar o Chile”. Inclusive ele realmente provou o que o país tinha a oferecer, comendo e bebendo o que havia nos restaurantes sem reclamar e com orgulho de viajante (isso me deixou muito empolgada e feliz).

A cada dia ele nos perguntava sobre o passeio que era destinado a ele, parques de diversão que fomos no final de semana, até de degustação de vinho ele gostou de participar. Sua ansiedade e excitação eram contagiantes. Ele ficou com carinha de chileno (se é que isso existe), estava diferente, solto, inteiro, puro, feliz.



Não é somente com viagens tradicionais que as crianças se encantam. Elas gostam de experimentar o novo, sair da mesmice e ganhar asas. Espero que meu pequeno voe alto, voe longe.


No dia em que voltamos para casa, ele chorou, chorou um choro sofrido e doido porque a viagem havia chegado ao fim, porque queria voltar, porque é criança e seu desejo de sonhar não tem limites. Prometemos que viajaremos novamente assim que for possível e que poderemos voltar a lugares já conhecidos se ele quiser. E desta forma, seu sorriso brilhou novamente...

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016

Mundo Perfeito

Acordo de manha aninhada ao meu pimpolho que havia me pedido para dormir na minha cama na noite anterior. Depois de abrir os olhos sonolentos, ainda com a lembrança do último sonho da madrugada, e trocarmos beijos e abraços, começamos a conversar.

Estas conversar matinais são sempre muito tranquilas e sempre cheias de uma imaginação repleta de paisagens oníricas.

Foi neste cenário em que eu e meu Miguel ficamos a papear na cama nesta manhã. Entre uma risada e outra, um afago e um cochicho, ele disse:

- Mamãe, eu queria que o mundo fosse perfeito. Perfeito de verdade!

- Perfeito como?

- Perfeito, ora. Sabe, quando a gente cai e não se machuca. Porque às vezes a gente está andando na rua e tropeça e não consegue se segurar e cai. Seria perfeito se a gente caísse e não se machucasse nunca.

- Isso seria perfeito?!!!

- Sim. Seria perfeito, porque aí ninguém iria se machucar nunca mais.

sexta-feira, 25 de dezembro de 2015

Natal

Para mim, o Natal é a segunda festa mais importante do ano, a primeira é o aniversário do Miguel.

Eu me emociono, vejo filmes, e choro todo o tempo. E de alguma forma tenho passado para ele toda esta minha alegria com esta festa que é mágica!

Claro que eu sei que tudo é uma construção cultural, mas não tira a beleza que a data me traz. É mágico porque me permite ser criança novamente e sentir um sentimento de esperança e renovação como nas antigas tradições celtas.

Para mim, Natal não tem nada a ver com a igreja, presépio e Jesus. Tem a ver com amor, e aquela sensação invisível que nos aproxima das pessoas e nos faz querer abraçar a todos. É isso, o Natal é como se fosse um abraço invisível que nos une todos. E criamos histórias e lendas para manter este sentimento vivo, como Papai Noel, Elfos e anjos ganhado asas...

E esta magia não precisa desaparecer porque somos adultos. Quem inventou que crescer significa endurecer? Por que não podemos todos despertar nossa criança interior e deixarmos nos levar por um pouca desta inocência?

Isso é o que eu deixo de legado para meu filho no dia de natal... não se deixe endurecer pela vida, desperte sua inocência, sua criança e recorra a ela sempre que precisar, ela te indicará o caminho a seguir.

  Acompanhando o trenó do Papai Noel.