Como tudo começou?

Enquanto revia vídeos e fotografias do meu pequeno de 4 anos (hoje com 7), que teima em crescer mais rápido do que eu consigo acompanhar, aproveitei para reler os diários que fiz desde a gravidez aos dias de hoje sobre cada momento (que julguei importante, essa ideia eu tive com a minha sogra que até hoje guarda escritos sobre fofurices do meu marido quando criança) registrado para que as trapaças da memória não as apagassem.


Foi neste caminho de reviver o passado que me descobri saudosa e percebi que precisava compartilhar as lembranças antes que esmaecessem sob a luz do dia a dia. Então, resolvi que postaria para amigos, familiares e outros curiosos do mundo pedaços desta minha vida, e ainda de lambuja deixar para o meu pimpolho histórias sobre ele mesmo para que um dia leia e sinta como foi esta jornada de chegar ao mundo e traçar seus próprios caminhos.


Espero que gostem e se emocionem um pouco, assim como eu ao revisitar minha história, e se entusiasmem para fazer uma visita à história de vocês.
Sejam bem vindos às "histórias sobre meu filho".

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quarta-feira, 5 de julho de 2017

Neologismos

O legal de termos amigos de diversas origens e países é sempre aprender um neologismo ou uma expressão diferente. 

Acho super interessante quando amigas francesas me perguntam se podem "ter" um copo de água, ou quando uma tia que mora há anos fora aportuguesa algumas palavras dizendo que vai se "aplicar" para uma oferta de uma nova casa. 

Mas a vencedora das paradas foi hoje quando o amigo do Miguel (de origem francesa) descreveu o objetivo de um novo jogo que está jogando: FUISONAR as vacas (???)
 

Tradução: unir duas vacas iguais para que se transformem em uma vaca grandona.
 

Uahahahahaha
 

A linguagem é o maior barato, como é bom a gente se conectar com as pessoas. 

Maravilhoso!

terça-feira, 16 de maio de 2017

Miguel e a autoestima

Poucos homens tiram o fôlego de minha esposa, tirante este escrevinhador, por suposto. Um deles é, sem dúvida alguma, Fitzwilliam Darcy, mais conhecido nos círculos femininos (e certos masculinos também, desconfio) como Mr. Darcy, o herói de “Orgulho e preconceito”, romance escrito por Jane Austen há mais de dois séculos. Charmoso e muito rico, ele é inicialmente rejeitado pela mocinha Elizabeth Bennet, que o crê arrogante e esnobe. Isso até descobrir que Mr. Darcy é generoso, corajoso e muito apaixonado.

Em 1995, a rede britânica BBC adaptou o romance para a televisão, escolhendo como intérprete de Mr. Darcy o ator inglês Colin Firth. Firth tornou-se sex symbol a partir daí, identificado com o personagem, sobretudo após a cena em que mergulha no lago e deixa transparecer a camisa branca molhada. Sim, o aristocrata fleumático é o homem que muitas mulheres (e homens, também desconfio) sonham para dividir a alcova, viril e sensível. Nada de metrossexual, nada de hipster da Federal. Coube a Mr. Darcy uma das mais famosas declarações de amor da literatura inglesa: “Em vão tenho lutado comigo mesmo, mas nada consegui. Meus sentimentos não podem ser reprimidos; preciso que me permita dizer-lhe que eu a admiro e amo ardentemente”.

Pois bem. Ontem, a digníssima senhora me mostra um foto de Mr. Darcy/Colin Firth na tela do celular. Exclamo “Ah, Mr. Darcy!”, ao que Miguel pergunta de quem se tratava. Digo a ele que é um cara que a mamãe adora.

- É o homem mais bonito do mundo, ela grita lá da sala.

O rapazola, então, emenda de bate-pronto:

- Mas eu não me chamo Mr. Darcy!

E dá um sorriso de canto de boca. 

Fonte: Texto escrito pelo papai e publicado em seu blog
https://desconstruindomarcelo.blogspot.com.br/2017/05/miguel-e-autoestima.html?spref=fb 

sexta-feira, 5 de maio de 2017

Escatologias

Miguel acaba de entrar para o ranking escatológico da família. 
  Ele foi ao banheiro na escola fazer o dois e não tinha papel, mas ele só percebeu quando já era tarde. 
O que fazer? 
Não titubeou, meteu a mão no bumbum para limpar e depois lavou as mãos (muito mesmo, segundo ele) na pia. 
Acho que vou vomitar. 
ECA!!!!!
 Considerações: papai e vovó comeram coco quando crianças, será que tem alguma a ver?

quinta-feira, 2 de março de 2017

Amor de Filho II

Continuando na fase amorosa, Miguel se declara mais uma vez pra mim.
- Mamãe, eu te amo.
- E por que você me ama?
- Ah porque você faz coisas legais pra mim, tipo ir a Disney e comprar brownie... E você me abraça, e faz carinho. Etc, essas coisas.

quarta-feira, 1 de março de 2017

Amor de Filho I



Abraço meu filho, o beijo no rosto (naquelas bochechas pueris) e digo: 


- Te amo mais que o Universo e as estrelas.
 

Ele me beija de volta, me abraça e num sussurro suave, declara:
 

- Então eu te amo mais!

Das duas uma: ou aproveito este carinho enquanto não tenho concorrentes de sua atenção, ou a menina que se apaixonar por ele está ferrada!

sábado, 18 de fevereiro de 2017

Evolução tecnológica ou doce de criança?

Vendo um filme policial em família, em determinada cena uma das personagens diz que não ainda não viu o disquete e não pode prender o bandido. Aí começa a conversa paralela:
Nenhum texto alternativo automático disponível.
- KKKK disquete, diz Marcelo.
- Miguel, você sabe o que é disquete? - pergunto eu com segundas intenções.
- Claro, né? Uma balinha.
- Uahahahahah - rimos em coro, e nem explicamos mais nada pra ele.
- Isso merece um post - Marcelo completa ainda com o riso no fundo da garganta.
 

E Miguel sem entender continua a ver o filme...
 

Nenhum texto alternativo automático disponível.É assim que percebemos que estamos ficando velhos, quando o auge da tecnologia da nossa infância é o nome de uma bala na infância do nosso filho.

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

Sem reservas

Sentados vendo um filme romântico na TV Miguel sempre se acanha hora dos beijos. Claro que aproveitamos para emitir o tradicional "awwww" nestas cenas deixando-o ainda mais envergonhado.

Ele estava deitado em meu colo enquanto aquela história boba se desenrolava, até que o mocinho (ou ainda se fala galã?) beija a mocinha (ou seria heroína?). 

Então eu olho para ele e sem pestanejar digo: 

- AWWWWWW!

- Ah, para mamãe.  

- Ora, por que? Eu adoro beijar. 

- Por que?

- É o jeito que a gente de dizer que gosta de alguém, é gostoso. - Enquanto eu falava percebi sua movimentação, uma certa inquietude na pélvis. - O que está acontecendo aí, meu filho?

Ele começa a rir sem , e sem reservas me dá uma resposta.

- Ah eu sei lá. Às vezes quando eu vejo beijo assim meu pinto fica duro, acontece alguma coisa.

A mãe ri e fica com cara de tacho, ainda ponderando se teria sido o beijo ou a Catherine Zeta-Jones?

Seja lá o que for, meu filho está crescendo, literalmente!



segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

O Coração de Botafoguense


Miguel: - Papai, eu achava que o coração parava de bater quando a gente deitava pra dormir, e voltava a bater quando a gente acordava no dia seguinte. 

Pai:  - Faz todo o sentido, meu filho. Afinal, nosso coração também precisa de descanso, sobretudo os que sofrem de amor não correspondido e maltratados pelo time do coração (que o digam os botafoguenses após o jogo de ontem, né?).

terça-feira, 31 de janeiro de 2017

Casa de coração

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Cena I - Eu e Mi sentados no sofá, conversando qualquer bobagem. De repente, movida pela saudade e carinho, mando aquela frase sentimentalista e piegas.

Eu: Miguel, você tem o coração de ouro! <3 span="">

Miguel: Então, por que a gente não arranca meu coração fora e compra uma casa? :p Entendeu, hã? Hã?


* E ele ainda deu uma piscadinha...

sábado, 3 de setembro de 2016

Pérolas do Mi - bolo



"Não imagino o mundo sem os bolos da mamãe. 
Se alguém roubar os boletos da mamãe eu mato".



domingo, 3 de julho de 2016

Entrevista com o Miguel

Surgiu no Facebook por estes dias uma brincadeira de fazer entrevista com os filhos como aquele antigo perfil do consumidor que existia na revista de Domingo do Jornal do Brasil ou aquela que fazíamos quando criança escrevendo no caderno e trocando com os amigos na escola.

Resolvi tentar hoje com o Miguel e eis o que saiu. Algumas respostas foram tão fofas que resolvi guardar aqui para quando ele for mais velho. Outras são tão inusitadas...

Qual é o seu nome? Miguel
Quantos anos você tem? 7 anos
Quando é seu aniversário? 05 de junho
Quantos anos tem o papai? 38
Quantos anos tem a mamãe? 39
Qual é a sua cor favorita? azul
Qual é a sua comida preferida? guloseimas
Quem é o seu melhor amigo? Caio e Mael
Qual é o seu programa preferido? Hora de aventura - Adventure Time
Qual é a sua música preferida? Gang Style (mas tem outras de que gosta também)
Qual é o seu animal preferido? gato, cachorro e girafa
Do que você tem medo? tubarão e aranha
Qual o seu lugar favorito para ir? Chile
O que quer ser quando crescer? piloto de avião, taxista de uber e motoqueiro
O que você mais gosta de brincar? videogame
O que a mamãe mais gosta de fazer? se divertir e ficar com o Miguel (ele falou assim, na terceira pessoa)
O que o papai mais gosta de fazer? me amar também

segunda-feira, 30 de maio de 2016

A linguiça do bem

Durante o ultimo final de semana mamãe comeu demais e alguma coisa que não fez bem e passou bem mal. Virou rainha do trono e colocou os bofes para fora até ficar do avesso do avesso. 

Miguel muito se impressionou com o estado caótico que reduziu sua pobre mãe num fiapo de ser humano. De fato ficou extremamente preocupado que eu fosse morrer ou algo do gênero e pediu para até para ligar para a avó.

Meu relato para ele foi de que uma linguiça me fez mal.

Nada que um pouco de repouso de coca-cola não resolvessem.

24 horas depois, quando voltou da escola, morto de fome, eu o aguardava com um de seus pratos favoritos à mesa: capeletti de queijo com molho branco e presento, sem cebola. Me perguntou se poderia comer uma guloseima depois do jantar, e eu deixei sem as ressalvas de sempre.

Miguel puxou o pai para o quarto e disse que a linguiça tinha me feito bem ,porque eu estava boazinha.

Mais tarde naquela noite pediu para baixar um joguinho no IPad, algo que sempre gera discussão e argumentação, porem desta vez permiti sem questionamentos. Neste momento ele olhou para o pai de canto e deu um sorrisinho, reafirmando o comentário que havia feito anteriormente.

Então está bem, pelo visto eu comi a linguiça do bem. Mesmo que ela tenha me feito vomitar abeça.

sexta-feira, 27 de maio de 2016

Lava louça todo dia, que agonia

A mais nova diversão do Miguel tem sido lavar louça... Ele pede para lavar, sobre no banquinho e se vira nos trinta na cozinha. Um fofo. E ainda faz videos



Depois de assistir ao vídeo, lembre de curtir tá?!

quinta-feira, 26 de maio de 2016

História de dormir

Ontem ã noite Miguel resolveu me contar uma história para dormir. Como já estávamos na cama, ele inventou a história.

"Era uma vez um menino, seu pai e sua mãe. Um dia eles resolveram viajar para o Uruguai.

Chegando lá eles descobriram que não sabiam falar a língua, e sem falar eles não poderiam ir ao restaurante, passear e comprar presentes, estas coisas, sabe?

Então o filho teve uma ideia. Por que não aprender a língua do Uruguai? Assim eles estudaram e aprenderem a falar. E puderam ir ao restaurante e passear. E eles adoraram a viagem.

Mas eles tiveram que voltar pra casa, porque acabou as férias. E eles ficaram muito tristes e começaram a chorar. Então o filho teve outra ideia. Eles voltaram na quinta-feira, então eles ia voltar no Uruguai no sábado ou domingo.

E quando eles voltaram uma coisa tinha acontecido, estava tudo destruído, e eles não entenderam  nada. Mas como gostaram muito daquele lugar, eles resolveram reconstruir tudo sozinhos. E aí eles puderam se divertir de novo. 

Fim"

Achei a história elaborada e cheia de significados nas entrelinhas. Uruguai é o país onde a avó paterna nasceu e volta e meia dizemos que gostaríamos de visitar.A volta com tristeza, remete às ultimas férias em que ele voltou com pesar de estar deixando o pais e voltando para casa. Mas o lance de destruição e reconstrução é bem legal. 

Não importa o que haja, qual a situação difícil ou incomum, a verdade é que nós três juntos somos capazes de reconstruir, passar pelo desafio e no final, nos divertirmos com tudo.

Esse meu filho é uma pessoa especial, de muita sensibilidade e empatia, como nunca vi igual. Amo muito!

quarta-feira, 2 de março de 2016

Mamãe, você transa?

A gente de repente percebe que os filhos estão crescendo quando sem mais nem menos surgem aquelas perguntas embaraçosas nos momentos menos esperados.

E foi assim que ao colocar o Miguel para dormir e me deitar a seu lado, começamos com nossos bate papos "cabeça"sobre qualquer e coisa, e ele emendou:

- Mãe, você transa?

Faço então aquela cara de paisagem, sem reação nenhuma, enquanto no fundo do meu cérebro busco em meus arquivos mentais (em fração de segundos) todas as respostas possíveis e tento identificar ode onde surgiu o questionamento.

- Miguel, eu não sabia que você conhecia esta palavra. Onde você ouviu isso?

Enquanto ele já meio sem graça, meio a risinhos de canto de boca tentava me explicar, eu continuava com cara de caneca e aquela escavação cerebral, "onde ele ouviu isso?, será que ele viu a gente?" e outras tantas perguntas.

- Você não tá brigando, né?

- Claro que não, você pode falar tudo para a mamãe  - minha cabeça dava giros.

- Porque o papai não quis me responder.

- Ah, vai ver ele não sabia. Mas onde você ouviu esta palavra?- Nossa que resposta estúpida, dã!!!

- Eu vi naquele seu filme da maçã. - Para quem não conhece a maçã aparece na abertura da série de TV Desperate House Wives.

-Ah... - PQP! - E você sabe o que significa esta palavra? 

- Eu sei. É quando duas pessoas ficam assim (ele fez um gesto de pessoas se abraçando e beijando com a língua para fora, como me deu vontade  de rir). E eu nunca vi você fazer isso com o papai.

- E como você sabe que eu não faço?

- Porque eu espio - Fiquei sem ar. - Brincadeira, eu não espio não.

Ufa. Que papo louco. Vamos encerrar logo esta sessão de curiosidade e confiança.

- Só para você saber, eu transo sim.

- Mamãe, eu tô com sono. Boa noite.

E assim do jeito que começou, acabou aquela conversa sem novas indagações e questionamentos. Ele me deu um beijo, virou para o lado e dormiu. 

Eu fiquei ainda alguns minutos deitada a seu lado na cama pensando que preciso recolocar a senha no Netflix e parar de ver TV quando ele está na sala. Pra que antecipar o crescimento e as descobertas que vão acontecer inevitavelmente?

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

Areia na sunga

Quem nunca foi a praia e rolou nas ondas estouradas na beirinha e saiu emaranhado de areia?

Ou tomou um "caixote"e saiu arrastando os transeuntes da beira mar, enquanto arrastava a testa num bolo de areia e cascalho?

Me lembro de na minha infância correu para o alto da areia, na parte mais quente onde ficavam as barcas de bebidas e redes de esportes para me enrolar na areia escaldantes, para depois descer correndo por entre cadeiras e esteiras e mergulhar na água fria.

Esta brincadeira eu repetia incessantemente da hora em que chegava, até o sol a pino do momento de ir embora. E quando chegava em casa, ao tirar o biquíni, o chuveiro era tomado por dunas e mais dunas que caiam de entre as minhas pernas. Sempre me perguntava de onde vinha tanta areia.

Não importava o incomodo momentâneo, depois do banho eu já sonhava com a próxima ida à praia. 

Tentei passar para o meu filho o mesmo gosto pela água salgada, mate com limão e sol. E ele até que curte. A sua maneira, com algumas gerações diferença, e um mar um pouco mais poluído que na minha época, mas ele curte. 

Recentemente, porém, tem preferido piscina à praia. Motivo? Areia na sunga. 


Não me recordo de ter deixado de ir à praia por conta da areia incomodar tanto, mas para o Miguel, isto tem sido um problema bastante grande, a ponto de o impedir de ir num passeio ao mar.

Mas no último final de semana, após insistir um pouco, ele topou e fomos à praia. Que azar, o mar estava forte. Bandeira vermelha. Sobrou mesmo ficar ali pela beirinha correndo das ondas que insistiam em quebrar bem em cima dos banhistas. Com o calor senegalês do verão carioca, era impossível não arriscar um ou meia duzia de mergulhos.

Miguel se embolava na espuma das ondas que chegavam à beira e  se deixava afundar. Depois de uns não sei quantos mergulhos, sentou-se para um lanche e disse:

- Mamãe, acho que a praia resolveu me dar uma colher de chá. Como eu não vinha tinha um tempão, hoje ela não encheu minha sunga de areia!

Oh, se deu...


quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016

Mundo Perfeito

Acordo de manha aninhada ao meu pimpolho que havia me pedido para dormir na minha cama na noite anterior. Depois de abrir os olhos sonolentos, ainda com a lembrança do último sonho da madrugada, e trocarmos beijos e abraços, começamos a conversar.

Estas conversar matinais são sempre muito tranquilas e sempre cheias de uma imaginação repleta de paisagens oníricas.

Foi neste cenário em que eu e meu Miguel ficamos a papear na cama nesta manhã. Entre uma risada e outra, um afago e um cochicho, ele disse:

- Mamãe, eu queria que o mundo fosse perfeito. Perfeito de verdade!

- Perfeito como?

- Perfeito, ora. Sabe, quando a gente cai e não se machuca. Porque às vezes a gente está andando na rua e tropeça e não consegue se segurar e cai. Seria perfeito se a gente caísse e não se machucasse nunca.

- Isso seria perfeito?!!!

- Sim. Seria perfeito, porque aí ninguém iria se machucar nunca mais.

quinta-feira, 28 de janeiro de 2016

Matrix, nuvens de algodão e filosofia no Baixo Terê

Com a chegada do Sol, após dez dias de chuvas ininterruptas, corremos para o Parque Regadas para Miguel dar umas piruetas no skate.

Ao sairmos da aula de bateria e cruzarmos a esquina da Francisco Sá com a Reta deparamo-nos com um céu turquesa e nuvens de algodão.
Miguel observa "olha Vovucha essa nuvem parece de desenho animado".
"É mesmo Miguel. Eu penso a mesma coisa quando vejo essas nuvens".
Miguel e Kira atravessaram a rua juntos, eu sigo logo atrás e percebo que eles estão conversando. Kira me diz ao pé do ouvido "ele é um cartesiano ".
Ao chegarmos no Parque sentamos nos degraus que formam uma pequena arquibancada e, curiosa, pergunto o que eles estavam conversando Miguel então repete a história.
"Vovucha, as vezes eu fico pensando que estamos dentro de um desenho animado"
“É Mi !"
"É mesmo, pode ser sim, Vovucha" - fala ofegante de excitação - "e quando a gente dorme é porque alguém pegou um controle remoto e desligou a gente. A gente pode estar num vídeo game ou num desenho"
"É Miguel?"
"Pode ser Vovucha. Pode ser até uma criança".
"Uma criança brincando com a gente?" - pergunto perplexa.
Kira argumenta "E esse desenho teve alguém que criou?"
"Isso não sei dizer", dispara o pequeno filósofo.
Kira continua "Miguel, imagina que você tem dois personagens homens e dois mulheres. Quantos personagens você tem?"
"Como assim?! Exclama com ares de quem estava pensando em outra coisa.
Kira refaz a pergunta com as personagens do seu desenho favorito (Hora da Aventura) e captura sua atenção.
"Você tem o Finn, o Jake, a Jujuba e a Marceline. Quantos personagens você tem?"
"Quatro".
" Teria como ser diferente?"
"Como assim, os personagens? Não entendi!"
"Então, essa é a certeza matemática. E se eu lhe disser que pode ser diferente", Kira desafia.
"Como assim?"
Entro na conversa e tento reconstruir as falas para registrar depois o nosso papo. Miguel me interrompe mais empolgado ainda.
"Peraí, você fala 'ele' clicou o botão falar. Eu falo 'ele' clica o meu botão. A Kira fala ... cara ... isso é muito estranho ...
"Muito estranho" - completo segurando o riso.
Kira continua "e se essa criança (que criou o desenho) está fazendo a gente pensar que dois mais dois é quatro mas na verdade não é. Ela quer enganar a gente. Na verdade é cinco!"
"Não Kira, olha só, um, dois, três e quatro!" mostra articulando os dedos incrédulo.
Kira rebate "mas isso não tira a possibilidade da gente imaginar, da gente pensar e duvidar".
"Peraí Kira. Eu nunca entendi o que a princesa Jujuba fala no desenho".
Rimos os três.
Ainda pensativo Miguel solta um leve suspiro e começa a falar dos desenhos formados pelas nuvens no céu. Um castelo. Um rosto.
Por alguns minutos ficamos os três admirando o ir e vir das nuvens no céu.
Eu maravilhada e agradecida por estar na companhia desses jovens filósofos.
Feliz por ver a Kira em pleno exercício docente ensinando com docilidade e firmeza de ideias.
Feliz por reconhecer que as horas intermináveis que Miguel passa nos games e desenhos o faz refletir.
Algumas nuvens depois Miguel pega seu skate e inicia suas manobras radicais.
Continua na próxima nuvem
.


Texto da Vovucha na temporada de férias do Mi.

sexta-feira, 22 de janeiro de 2016

Singin (and dancing) in the rain

Não tem tempo ruim quando se está de férias com os avós.

Até cantar e dançar na chuva pode.

O importante é aproveitar cada momento e guardar cada lembrança.