Como tudo começou?

Enquanto revia vídeos e fotografias do meu pequeno de 4 anos (hoje com 7), que teima em crescer mais rápido do que eu consigo acompanhar, aproveitei para reler os diários que fiz desde a gravidez aos dias de hoje sobre cada momento (que julguei importante, essa ideia eu tive com a minha sogra que até hoje guarda escritos sobre fofurices do meu marido quando criança) registrado para que as trapaças da memória não as apagassem.


Foi neste caminho de reviver o passado que me descobri saudosa e percebi que precisava compartilhar as lembranças antes que esmaecessem sob a luz do dia a dia. Então, resolvi que postaria para amigos, familiares e outros curiosos do mundo pedaços desta minha vida, e ainda de lambuja deixar para o meu pimpolho histórias sobre ele mesmo para que um dia leia e sinta como foi esta jornada de chegar ao mundo e traçar seus próprios caminhos.


Espero que gostem e se emocionem um pouco, assim como eu ao revisitar minha história, e se entusiasmem para fazer uma visita à história de vocês.
Sejam bem vindos às "histórias sobre meu filho".

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quinta-feira, 18 de maio de 2017

Clash Royale

Não basta ser mãe, tem que fazer coroa de clash royale também.
Da série "mãe artesã".

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domingo, 14 de dezembro de 2014

O Quebra-Nozes

Somente uma avó para levar o netucho ao Teatro Municipal para assistir ao Quebra-Nozes.

Ainda me lembro de minha 1a. vez para ver a Cia de Balet Momix em Romeu e Julieta. Eu tinha 13 ou 14 anos, fui com um grupo da escola e fiquei encantada com a arquitetura, com a música, com a dança, com a história. Naquela época não se via metade da beleza do teatro que ainda não havia passado pela restauração.

Que sorte que meu filho tem de poder usufruir deste encanto...

Na véspera do passeio sentamos no computador para conhecer um pouco da história do balet e do teatro, eis que aparece no youtube diversos vídeos e Miguel vira para mim e diz que já conhece o Quebra-Nozes porque viu no desenho da Barbie. 

Este mundo moderno permite acesso a tudo, e se não fosse a avó talvez meu filho jamais conhecesse a verdadeira história e conhecesse apenas este desenho computadorizado e não beleza e encanto da arte in natura, ao vivo e ter a emoção de sentar num teatro de verdade e ouvir uma orquestra. 

domingo, 7 de dezembro de 2014

Galo ou Galinha

Para encerramento do ano letivo e projeto acadêmico deste ano, a nova escola do Miguel sugeriu que as crianças interpretassem a peça Os Saltimbancos (já que o projeto do semestre foi O Teatro).

Todos achamos o máximo eles reviverem as músicas de Chico Buarque, que representam tão bem a peça. E de nossa parte também iríamos reviver nossa infâncias através de nossos filhos.

A professora deixou que cada um escolhesse qual animal da peça seria, tomando o cuidado para que não ficasse nenhum bicho sem representante. Fiquei surpresa quando Miguel me disse que seria uma galinha. Na minha opinião sempre foi o bicho menos interessante da histórias, mas OK. Pergunta daqui, puxa dali, entendemos o interesse dele na penada,  A. também seria uma galinha. Ahhhhhh.

Corri para preparar uma fantasia bacana, com penas mesmo, e nada muito sintético. falei para ele que faríamos então uma fantasia de galo e corri para o abraço. Todos os dias era uma cantoria sem fim no chuveiro, quando na era a musica da galinha, era uma outra qualquer do repertório Saltimbanco.

Às vésperas da apresentação, na semana mesmo, ouvi Miguel dizendo que não queria na apresentação porque estaria cansado. Como poderia antever seu cansaço em dia e hora específico? Não dei importância na hora, achando que se tratava de algum programa na TV que ele quisesses assistir na mesma hora. 

Mas no dia da apresentação ele me contou que não queria mais ser galinha, mas jumento ou cachorro, não me lembro direito. Me espantei. O que houve? O que aconteceu? A resposta era simples, ele queria mudar e não dava mais tempo. Os colegas disseram que não havia galo na história, somente galinha e que isso era coisa de menina. Ui!

Depois de alguns minutos de conversa, consegui convence-lo a ir, a participar, afinal eu mesma já havia sido um Apolo numa peça de teatro quando criança. Falei que os atores não têm sexo, são personagens e que quando estão no palco são outras pessoas diferentes deles na vida real. Ele topou se vestiu e foi. Alegre e entusiasmado. Porem, assim que tirou o roupão (ah, sim, ele insistiu em ir de roupão e fazer uma entrada triunfal) uma amigo disse que ele parecia uma menina. O tempo  fechou, ele cantou, mas todo apagadinho, sem um sorriso nos lábios.

Filmei e fotografei, ele estava lindo, foi super emocionante e incrível. Mas que diabos estas crianças tem na cabeça, galinha é galinha. Tinha menina de cachorro e menino de gato e ninguém falou nada. É teatro!  É sonho! É criatividade!

É assim que começa o preconceito, e que a inocência dá lugar à ignorância.

Ainda teve quem dissesse que ele teria que aprender a lidar com este tipo de situação e que eu estava dando muita importância. Será exagero meu reagir ao ver meu filho triste, por ele perder o entusiasmo por algo por conta do preconceito de outra pessoa?

Desejo que o coração do meu filho permaneça puro e inocente por muito tempo mais, antes que seja maculado pelo medo, pela amargura da vergonha, pela intolerância. Que ele sempre veja o mundo sob uma perspectiva criativa, e idílica.

segunda-feira, 16 de junho de 2014

Os Saltimbancos



Miguel não curte ir ao teatro, acho que é um trauma de ter ido ver a peça da “triangulinha” quando ainda tinha uns 2 anos. A peça era sobre as diferenças/ bulling, e a minha mãe o levou para já ensiná-lo a ter respeito pelo outro e tal. Na época ele ficou um pouco assustado, mas curtiu. Ele é assim, não se deixa abater pelos medos. Mas o resultado é que ele não curte muito ir ao teatro.


A outra avó o convidou para ver Os Saltimbancos, não preciso dizer o quão diferente é a peça daquela sua primeira experiência teatral, muito menos entrar em detalhes sobre as músicas de Chico, certo? 

Pois bem, falei para ele que ia sair com a vovó e logo ficou animado, quando disse que era teatro ficou amuado, mas para não ser “do contra” aceitou. Ele tanto queria passear e estar com a avó, que até se convidou para dormir, passar a noite com ela após o teatro, o problema mesma era o passeio em si. Na hora de sair enquanto ele mesmo abotoava as camisa, ainda chegou a perguntou porque tinha que ir obrigado. Respondi que não era obrigado e não precisava ir mas que tinha certeza que ele gostar, e num tom desafiador, ele me respondeu:


- Eu duvido!


No dia seguinte, quando a vovó o trouxe de volta, perguntei como tinha sido a peça e ele, em tom displicente falou:


- Era a “miau miau miau”.


Não queria dar o braço a torcer que conhecia a música, então falei que eu já tinha visto aquele teatrinho quando eu era criança e que também conhecia as músicas, mas ele não deu muita bola.


Durante os dias que se seguiram, ouvimos ele cantarolar as músicas da peça pela casa a todo momento, a qualquer  hora e sempre que podia, resultado: adorou a peça! 

Com Miguel tem que ser assim, comendo pelas beiradas para fazê-lo experimentar as coisas que na verdade ele já conhece.

domingo, 13 de abril de 2014

Miguel, o contador de histórias

Miguel acorda de manhã e logo pede:

-Mamãe me conta uma história de cabeça?

- Era uma vez, uma cabeça com pernas...

- Não, uma história de memória, da mente, ora.

- Ah ta. Miguel, a mamãe acabou de acordar, eu não me lembro de nenhuma história.

Passaram alguns poucos segundos e ele recomeçou.

- Era uma vez, um cavaleiro das trevas chamado Bundinha. Ele queria se casar com a Princesa. Depois a Princesa falou “Ai que fedorzinho”. Depois eles se casaram. Depois ela falou “Hum fedorzinho, você soltou um pum, Bundinha? Ai, Bum!” E a Princesa disse: “Eu não vou mais casar com você”. E ela saiu desse casamento e eles foram felizes para sempre.


E assim funciona a mente do meu filho num domingo de manhã, e não eram nem 7h. Afe!

sábado, 5 de abril de 2014

As artes

Criança não gosta somente de brincar, ver desenho, correr. Eles também sabem apreciar arte. Desde que temos oportunidade levamos Miguel para exposições e Museus e já pudemos constatar que ele sabe apreciar arte. Não importa que seu olhar sobre o assunto seja infantil, o importante é que constrói um olhar sobre a realidade a partir da arte.

Há dois finais de semanas que ele se depara com beleza e brincadeiras. Primeiro fomos ao Museu de Arte Naif, onde numa exposição guiada para criança ele teve que procurar um leão que se escondia de quadro em quadro, até que no final teve que fabricar seu animal Naif com material de sucata. Coisa mais deliciosa, prazerosa, lúdica...



Neste último, depois de uma pequena fila à porta do MAM, fomos ver as esculturas de Ron Mueck, artista australiano, que reproduz imagens humanas com grande perfeição e detalhe, em escalas diferentes do corpo humano. Quando perguntando sobre a peça que mais gostou, Miguel foi bem rápido e não titubeou, o vídeo que mostra o artista criando as obras, passo a passo. A revelação do processo criativo foi para ele o tchan da exposição.



Espero que possamos com estas ações incutir em nosso filho o gosto pela arte e o olhar relativizador que ela nos trás. Que ele saiba ver o mundo com outros olhos, fora do quadrado e não seja um conformista, mas um idealista.