Nunca imaginei
que uma simples festa de aniversário, à hora do parabéns, pudesse simbolizar
tantas coisa para uma criança de 5 anos.
Já contei que
Miguel está apaixonado e recentemente declarou seu amor a sua nova musa. O que
não tinha dito ainda é que a nova dona de seus pensamentos é a mesma menina que
um de seus amigos também almeja conquistar.
Dias após ele ter
entregado aquela florzinha do nosso jardim, uma amigo da sala, levou para ela
uma plantinha que ele mesmo havia plantado. Disputa no ar... enfim, não me
atrevo a perguntar, este é um assunto proibido para mim por ele.
Mas chegou um
convite para o aniversário de A. E imediatamente começou a aflição do presente
que iríamos comprar, porque a Miguel me passou uma listas dos interesses dela e
tive que ser criativa para conseguir algo dentro deste escopo, da roupa que ele
iria vestir, da hora da festa, etc.
Chegado o tão
esperado dia, o menino acordou perguntando a hora da festa. Imediatamente, o
pai e eu inventamos uma série de atividades para deixá-lo fora de casa até a
hora animada, para não enlouquecermos de responder a mesma pergunta.
Na hora em que chegamos, a vergonha o tomou
pelos braços, e ele quase não quis entrar no elevador, tive que estar a seu
lado para entregar a A. o presente e ainda pedir que o abrisse. Primeira fase vencida, ela amou o presente
(um livro da serie de desenho Ever After High), fase dois o posta em ação, para
que seria cantada a música do parabéns “Com quem será?”.
Lembram daquele
amigo dele que também é apaixonada por A.?
pois bem, ele também pediu para que ela abrisse logo o presente que ele
havia trazido, para que pudesse apreciar sua expressão, e na hora do bolo, se
posicionou ao lado dela na mesa, enquanto Miguel estava a sua frente, do outro
lado da mesa.
Na hora do “Com
quem será?” eu, mãe, estava angustiada. E se a musica fosse para o amigo?
Miguel ficaria arrasado? E se fosse para ele, qual seria sua ração? Fechei os
olhos e esperei o que parecia ser uma eternidade.
E em uníssono
cantaram:
- Vai depender,
se eu Miguel vai querer...
Eu sinto pela
ração do amigo, que eu nem sei qual foi, mas senti um grande alivio pelo meu
filho, porque a frustração do coração partido é a que não tenho como protege-lo
e ensina-lo, ele vai ter que enfrentar sozinho muitas e muitas vezes, mas não
precisava começar agora .