Como tudo começou?

Enquanto revia vídeos e fotografias do meu pequeno de 4 anos (hoje com 7), que teima em crescer mais rápido do que eu consigo acompanhar, aproveitei para reler os diários que fiz desde a gravidez aos dias de hoje sobre cada momento (que julguei importante, essa ideia eu tive com a minha sogra que até hoje guarda escritos sobre fofurices do meu marido quando criança) registrado para que as trapaças da memória não as apagassem.


Foi neste caminho de reviver o passado que me descobri saudosa e percebi que precisava compartilhar as lembranças antes que esmaecessem sob a luz do dia a dia. Então, resolvi que postaria para amigos, familiares e outros curiosos do mundo pedaços desta minha vida, e ainda de lambuja deixar para o meu pimpolho histórias sobre ele mesmo para que um dia leia e sinta como foi esta jornada de chegar ao mundo e traçar seus próprios caminhos.


Espero que gostem e se emocionem um pouco, assim como eu ao revisitar minha história, e se entusiasmem para fazer uma visita à história de vocês.
Sejam bem vindos às "histórias sobre meu filho".

domingo, 15 de maio de 2016

Let's get ready to rumble

Miguel agora joga basquete na escola porque disse que se jogar basquete vai ficar mais alto.

Na ultima medição que fizemos estava com 1.29, mas acho melhor confirmar na próxima consulta da pediatra.

Bem, seja o que for que o impulsionou a verdade é que ele tem ginga, tem jeito pro lance de acertar as cestas.

Let's get ready to rumble...


quinta-feira, 12 de maio de 2016

Magica Cartas Minecraft - Miguel G_120516



O que a gente não faz para o filho?
Curte aí!

Quer trocar uma bicicleta nova por uma lancheira velha?

Tenho o hábito de volta e meia perguntar ao miguel ou oura pessoa qualquer com quem esteja conversando, se gostariam de trocar uma coisa maneira por quinquilharia no melhor estilo da brincadeira do Sim/Não que eu via na TV quando criança

Como o Mi não achava muita graça, contei de onde vinha essa história e resolvi mostrar o vídeo da brincadeira do Sim e Não que passava na TV no programa do Bozo e Sílvio Santos.

Ri muito porque para ele era difícil e entender a existência deste tipo de programa e mais ainda uma pessoa, neste caso criança, trocar coisas boas por porcarias.

Ele disse que a criança era burra.

A verdade é que ele faz parte de uma geração cuja inocência está mais elástica e fluída, e que a graça e palhaçada de 30/40 anos atrás é tão bobo que quase não faz mais sentido.

Preciso me acostumar com a ideia de que tudo ocorre com ele num tempo (psicológico) diferente do que acontecia comigo. Isso não significa que ele está pulando fase ou deixando de curtir uma coisa ou outra, mas que o mundo é outros e os estímulos são diferentes.

Temos que estar mais próximos, guiando nossos pequenos, amando-os. Não que o que estão assando seja ruim mas é diferente e rápido, eles são pequenos e precisam de orientação, não regras fundamentalistas, mas de amor.

E aí, você quer trocar uma bicicleta nova por uma lancheira velha? Sim ou Não???? (Alguém ainda usa aquelas lancheiras com garrafinha térmica combinando?).

segunda-feira, 25 de abril de 2016

O que está faltando nesta foto?

E mais uma vez a Fada do Dente veio nos fazer uma visita em troca de um dentinho.


Com este já foram cinco. Esperamos o próximo para o mês que vem  :)



A origem da tradição

Miguel tem origem judaica e não judaica. Desde seu nascimento eu e o pai nos preocupamos com os ritos e lendas que seriam passados a ele. Embora eu tenha admiração pela cultura judaica, acordamos que cada um ficaria encarregado de transmitir sua cultura, sua crença e assim vimos seguindo.


Acontece que na família do pai há um rompimento com caráter religioso da tradição e todas as festas e comemorações tendem a um lado histórico e laico. 

Ao longo dos anos em que compartilho estas datas com eles, percebi um processo de afastamento com a origem cultural. Claro que após o falecimento dos parentes mais idosos e antigos na tradição, é natural que ocorra um ajuste na forma de transmitir sua história. Mas o que presencio é triste pra mim, me parece um esfacelamento das relações com a história.

Posso estar sendo exagerada, mas eu vejo pelo lado do meu filho. A maior parte do que ele sabe aprendeu comigo e eu não sou judia. Se eu não entender posso passar alguma interpretação desviada, errada, sabe? Esta não deveria ser uma preocupação minha.

Há algum tempo atrás ele ouviu de uma pessoa próxima que só é judeu quem nasce de barriga judia, ele me perguntou se eu era judia e eu disse que não. Penso, logo existo. Minha mãe não é judia, logo eu tão pouco. Este assunto está encerrado para ele, mas não pra mim. Eu e meu marido ainda gostaríamos que ele tivesse contato com a história da origem da família, por outro lado não me cabe esta tarefa. E daí vai o sentimento de esfacelamento ao qual me referi.

Ainda me lembro das festas da minha infância onde histórias eram contadas, ou inventadas (não importa), mas eram aos poucos gravadas em mim. Faço com o Miguel a tradição de contar e reinventar histórias sobre as minhas crenças, e nestas, ele acredita e segue, e com certeza dará continuidade, mesmo que seja da forma e à maneira dele.

O importante é que os laços se mantenham, e que ele possa reconstruir os passos de sua ascendência, e construir sua história que é tão bonita. Espero que ainda tenhamos tempo de apresentar a ele opções de visão de mundo, de construção e percepção de realidades. Afina, ele não é filho de chocadeira, e a história da nossa origem é parte de quem somos e de quem queremos ser.

quinta-feira, 31 de março de 2016

Férias em Família....

Este ano perguntei ao Miguel o que preferia fazer em seu aniversário: uma festa ou uma viagem em família. Ele não pensou duas vezes e escolheu a viagem.

Claro que logo pediu para ir à Disney, afinal, é mágico! Mas falei que ele já tinha  viajado pra lá e que tinham muitas coisas e lugares legais no mundo que ele ainda não conhecia. Foi assim que, procura de um lado, investiga do outro, chegamos ã ideia de irmos ao Chile. A ideia inicial do Miguel era conhecer o deserto do Atacama, porem o papai, urbano que só, vetou e preferiu ficar somente pela cidade.

E assim começaram os preparativos para nossas férias no Chile.

Cada dia de planejamento e busca de lugares e passeios a conhecer iam aumentando a expectativa do meu filho de uma viagem incrível. Na véspera da viagem tínhamos que dormir cedo, pois sairíamos de casa as 4h da manhã, meu moleque não conseguia dormir de tamanha excitação. E na hora do despertador tocar já estava de pé com os cabelos arrepiados e um sorriso nos lábios.

 

Chegamos em Santiago com o dia ensolarado porem com temperatura amena. Durante toda a nossa chegada só conseguia ouvir o Mi dizer como estava feliz de estar lá e de “experimentar o Chile”. Inclusive ele realmente provou o que o país tinha a oferecer, comendo e bebendo o que havia nos restaurantes sem reclamar e com orgulho de viajante (isso me deixou muito empolgada e feliz).

A cada dia ele nos perguntava sobre o passeio que era destinado a ele, parques de diversão que fomos no final de semana, até de degustação de vinho ele gostou de participar. Sua ansiedade e excitação eram contagiantes. Ele ficou com carinha de chileno (se é que isso existe), estava diferente, solto, inteiro, puro, feliz.



Não é somente com viagens tradicionais que as crianças se encantam. Elas gostam de experimentar o novo, sair da mesmice e ganhar asas. Espero que meu pequeno voe alto, voe longe.


No dia em que voltamos para casa, ele chorou, chorou um choro sofrido e doido porque a viagem havia chegado ao fim, porque queria voltar, porque é criança e seu desejo de sonhar não tem limites. Prometemos que viajaremos novamente assim que for possível e que poderemos voltar a lugares já conhecidos se ele quiser. E desta forma, seu sorriso brilhou novamente...

quarta-feira, 2 de março de 2016

Mamãe, você transa?

A gente de repente percebe que os filhos estão crescendo quando sem mais nem menos surgem aquelas perguntas embaraçosas nos momentos menos esperados.

E foi assim que ao colocar o Miguel para dormir e me deitar a seu lado, começamos com nossos bate papos "cabeça"sobre qualquer e coisa, e ele emendou:

- Mãe, você transa?

Faço então aquela cara de paisagem, sem reação nenhuma, enquanto no fundo do meu cérebro busco em meus arquivos mentais (em fração de segundos) todas as respostas possíveis e tento identificar ode onde surgiu o questionamento.

- Miguel, eu não sabia que você conhecia esta palavra. Onde você ouviu isso?

Enquanto ele já meio sem graça, meio a risinhos de canto de boca tentava me explicar, eu continuava com cara de caneca e aquela escavação cerebral, "onde ele ouviu isso?, será que ele viu a gente?" e outras tantas perguntas.

- Você não tá brigando, né?

- Claro que não, você pode falar tudo para a mamãe  - minha cabeça dava giros.

- Porque o papai não quis me responder.

- Ah, vai ver ele não sabia. Mas onde você ouviu esta palavra?- Nossa que resposta estúpida, dã!!!

- Eu vi naquele seu filme da maçã. - Para quem não conhece a maçã aparece na abertura da série de TV Desperate House Wives.

-Ah... - PQP! - E você sabe o que significa esta palavra? 

- Eu sei. É quando duas pessoas ficam assim (ele fez um gesto de pessoas se abraçando e beijando com a língua para fora, como me deu vontade  de rir). E eu nunca vi você fazer isso com o papai.

- E como você sabe que eu não faço?

- Porque eu espio - Fiquei sem ar. - Brincadeira, eu não espio não.

Ufa. Que papo louco. Vamos encerrar logo esta sessão de curiosidade e confiança.

- Só para você saber, eu transo sim.

- Mamãe, eu tô com sono. Boa noite.

E assim do jeito que começou, acabou aquela conversa sem novas indagações e questionamentos. Ele me deu um beijo, virou para o lado e dormiu. 

Eu fiquei ainda alguns minutos deitada a seu lado na cama pensando que preciso recolocar a senha no Netflix e parar de ver TV quando ele está na sala. Pra que antecipar o crescimento e as descobertas que vão acontecer inevitavelmente?