Como tudo começou?

Enquanto revia vídeos e fotografias do meu pequeno de 4 anos (hoje com 7), que teima em crescer mais rápido do que eu consigo acompanhar, aproveitei para reler os diários que fiz desde a gravidez aos dias de hoje sobre cada momento (que julguei importante, essa ideia eu tive com a minha sogra que até hoje guarda escritos sobre fofurices do meu marido quando criança) registrado para que as trapaças da memória não as apagassem.


Foi neste caminho de reviver o passado que me descobri saudosa e percebi que precisava compartilhar as lembranças antes que esmaecessem sob a luz do dia a dia. Então, resolvi que postaria para amigos, familiares e outros curiosos do mundo pedaços desta minha vida, e ainda de lambuja deixar para o meu pimpolho histórias sobre ele mesmo para que um dia leia e sinta como foi esta jornada de chegar ao mundo e traçar seus próprios caminhos.


Espero que gostem e se emocionem um pouco, assim como eu ao revisitar minha história, e se entusiasmem para fazer uma visita à história de vocês.
Sejam bem vindos às "histórias sobre meu filho".

sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

Feromônio

Miguel está de férias e tem ficado em casa com o pai. Eles têm tido uma rotina de sempre sair para uma volta na pracinha ou uma andadinha de skate.

Um dia desses eu tinha saído para trabalhar quase uma hora antes do passeio deles.
Ao entrar no elevador Miguel vira para o pai e diz:

- A mamãe estava neste elevador.

- Como você sabe? – perguntou o pai incrédulo.

- Estou sentindo o perfume dela.

Papai ficou ainda mais em dúvida que antes e quando cheguei em casa à noite foi à primeira coisa que me perguntou, qual elevador utilizei para sair de manhã. Eu havia descido de escada.

Mas depois que ele contou a história me lembrei de que tinha esquecido de tomar meu remédio e acabei voltando pra casa, ele não viu, e quando desci pela segunda vez, utilizei o elevador em frente a nossa porta.


Era exatamente o mesmo elevador que o Miguel dissera ter sentido o meu cheiro. Mas eu não estava usando perfume naquele dia, o que ele sentiu foi uma ligação entre nós, foi feromônio.

sábado, 21 de dezembro de 2013

Mamãe empolgada

Será que o Miguel entende as coisas que ele fala? 

Ele repete as palavras e frases que nós adultos falamos, com tanta propriedade que eu chego a acreditar que ele sabe do que está falando, mas ele só tem 4 anos, então, é possível que ele apenas esteja repetindo, sem saber o real significado daquilo.

Ontem eu entrei toda animada na sala, dançado alegre, e ele vira para mim e diz:

- Pára, mamãe, de ser empolgada.

Aquilo me chocou por dois segundos, acho que ele fica um pouco envergonhado porque eu sou alegre e desinibida como as amigas dele. Imagine quando ele for adolescente? Mas eu já ia saindo da sala, voltando ao meu "passinho"quando ele emendou:

- Você é muito "folgosa".


Aí eu tive que voltar e perguntar se ele sabia que palavra era aquela. Ele disse que não, baixou a cabeça e ficou rindo. Eu perguntei onde ele tinha ouvido (embora eu já soubesse a resposta), e ele apenas me confirmou minha suspeita, a música da MC Anitta.

Então é isso, antes de brigar, colocar de castigo, é melhor checar o que esses pequenos estão falando, pensando ou sentido. Ele não sabe o que é fogosa, mas usou num contexto relativamente correto e tirou de outro ainda mais interessante. Eu não tenho como controlar onde ele aprende estas coisas (normalmente é no contato entre os amigos na escola, não estou culpando ninguém), só tenho que estar atento porque hoje é algo banal e amanhã será o quê?

sábado, 7 de dezembro de 2013

Os pais dos amigos do meu filho

Quando eu engravidei, alguns amigos (trabalho) também estavam grávidos juntos e achei perfeito. Assim nossos filhos também poderiam ser amigos.

Lembro-me do mês de novembro de 2009 em que fomos à casa de um amigo, que cozinha muito bem, para beber e comer - Miguel tinha 5 meses e o filho deste querido amigo tinha 3. Nossa idéia é que eles prolongassem nossa intimidade. Mas isso parece não ter dado certo, não podemos escolher a amizade dos filhos. Com o tempo acabamos não insistindo nisso, apesar de mantermos os convites para as festas de aniversário todo o ano.

Quando se tem filhos acabamos revendo lugares por onde passeamos, comidas que comemos e pessoas com quem nos relacionamos. Vemos nossos amigos cada vez mais raramente, e fazemos novos amigos: os pais dos amigos dos nossos filhos, dos colegas da escola e dos conhecidos da pracinha, praia e clube, etc.

E foi assim que aconteceu com a gente.

Um dia numa festa de aniversário qualquer, você se aproxima de outro casal de estranhos e se apresenta, eu sou fulana mãe de beltrano. Este é seu novo rótulo “mãe de”, sem identidade, sem nome, mãe de alguém. Isso não importa porque seu interlocutor ainda vai te perguntar seu nome umas cinco vezes até relacionar seu nome/rosto e o nome/ rosto do seu filho até se lembrar de quem é você da fato.

Esta é uma rotina familiar a todos nós e também necessária para tecer uma nova teia de relações e amizades para si e seu filho. É o primeiro passo que ensinamos a eles no convívio social e para isso, muitas vezes temos que nos despir de nossa própria timidez e medos para ensiná-los este caminho.

Então, foi assim numa festa que começamos a conhecer nossos novos amigos, e dentro de um grupo tão heterogêneo, formamos outros pequenos grupos que se assemelharam a nós e se identificaram conosco em momentos diversos. Alguns abriram seus corações e suas casas, compartilharam suas histórias e copos de cerveja. E cada um conquistou seu lugar em nossa vida.



Costumo ensinar ao Miguel que o nosso coração deve ser sempre preenchido com muitos amigos queridos e não um só, pois quanto mais gente colocamos nele, maior ele fica. 

E hoje é assim que me sinto, com o coração enorme, com os velhos amigos e os novos que conheci através das mãos do meu filho, e que foram conquistados porque eu tenho o Miguel.

domingo, 1 de dezembro de 2013

Filho é para o mundo

Ele nasceu de 41 semanas e só não foi parto normal porque estava atravessado. Depois que chegou, levamos um tempo para nos conhecer e nos amar de verdade, antes disso o que tínhamos era puro instinto de sobrevivência.

Aprendemos a nos amar, a nos querer e a nos respeitar, e este foi o nosso segredo. Enquanto um (Miguel) descobria o mundo - primeiro engatinhando e balbuciando, a outra (eu) redescobria o que existia a sua volta.

E com isso vinha o medo de errar, de que algo ruim acontecesse ao meu filho, a culpa de que meus medos não me permitisse dar o melhor para ele, e por aí vai.

Há algumas semanas estávamos em casa de amigos quando ele se acidentou, bateu com a cabeça na mesa e abriu a testa. Imediatamente entrei em modo automático e iniciei os procedimentos de cura. Nestas situações eu não vejo sangue ou choro, ou só vejo o resultado final e aí consigo definir o que devo fazer para resolver o problema. 

Quando o machucado já estava limpo e tínhamos decidido que não seria caso de ir o hospital, meu filho procurou com os olho e braços o aconchego do pai e não o meu. 

Então é isso, não adianta eu super protegê-lo porque não estarei presente em todas as situações de sua vida para segurar em suas mãos, ele vai se machucar. Tenho que deixar ele correr, cair e aprender a se levantar (de forma literal ou figurada), não importa, ele não me pertence para endeusá-lo ou fazê-lo viver a vida em uma bolha, livre de riscos. A vida é um risco.

Ele sabe que em qualquer situação poderá sempre contar com o colo do pai e o carinho da mãe. Mas não é isso que ele vai querer em todos momentos. Ele vai querer viver a vida dele, e ter sua própria opinião e querer se machucar para "ver qual é".  

E eu tenho muito medo de perdê-lo, porque eu só tenho ele, mas por amá-lo tenho que respeitar seu espaço, mesmo hoje quando ele só tem 4 anos e uns trocados. A maternidade é quase que um jogo de estratégia cujo objetivo é a felicidade do filho, mesmo que ela represente a nossa não-felicidade imediata.

A gente tem filho para o mundo, e quanto mais cedo entendermos e aprendermos a lidar com esta idéia, mais feliz fica nossa experiência de mãe.

domingo, 24 de novembro de 2013

Meu filho não quer ser judeu

Aqui em casa somos cada um de uma origem, uma tradição e com uma crença (ou nenhuma) diferente.  Na verdade fui criada para acreditar em tudo, para ter fé, esperança, não importa a religião.

Meu marido é de origem judaica, e quem conhece essa tradição belíssima, sabe que por trás há muitos conflitos de identidade e questionamentos sobre onde Deus estava quando ocorreu o Holocausto. Assim, meu marido é judeu ateu, curte as tradições, mas não crê numa entidade maior.

Até tudo bem quando não se tem filhos. Porém, quando eles aparecem há que se definir como criá-los em meio a tanta crença (ou descrença).  Entre nós combinamos que cada uma passaria o que acreditava e que Miguel faria sua escolha quando chegasse o tempo.
Pois bem, na semana passada, não me lembro o quê gerou a conversa, ele disse que não quer ser judeu!

- Mas por que, meu filho, o papai é?
- Eu não quero, eu não sou judeu.
E puxa daqui, puxa dali, eis que ele revela:
- Eu nasci de barriga de bruxo, então eu sou bruxo.

Ok, a culpa foi minha porque falei isso para ele há meses atrás. E está certo, existe a crença que somente é judeu quem nasce de útero judaico e eu não sou judia. Agora meu maridão me pediu para “consertar” isso. E lá vou:

- Mas Miguel, existem outras formas de ser judeu, tem quem nasce da barriga igual a sua prima, tem quem corta o pinto igual a você e tem quem escolhe e estuda e é judeu porque quer igual à tia Anita.
- Mas eu não quero, eu sou vou ser se você “é”.

Que diabos de relação edipiana é essa? Agora eu vou ter que me converter? Eu sempre incentivo e faço as festas e comidinhas gostosas, mas tem limite. De quem é o papel de convencê-lo de que ser judeu é supimpa, minha ou do pai?


Às favas, não quer ser judeu, também não vai ganhar presente de Chanukah, nem comer kneidlach ou rugelach! 

sábado, 23 de novembro de 2013

Saída pela esquerda

Hoje após uma saraivada de esporros e conversa de conciliação, Miguel vira para mim e diz que quer quando ele nascer de novo quer que eu seja sua mãe outra vez.

Fiquei com aquela cara de Maria mole.

Aí, eu viro para ele digo:

- E se de repente a mame for sua filha e você for meu pai?

- Mãe, criança não pode ter filhos.

sábado, 16 de novembro de 2013

A Magia do Natal


Fui levar o Miguel para ver o Papai Noel no shopping e levar a cartinha dele. No dia anterior estávamos em casa vendo filme de natal (Operação Presente) em que a menina escreve para o Papai Noel pedindo uma bicicleta rosa.

Durante o filme ele me questionou se Papai Noel existe e se eu acredito e tal. Na verdade eu acredito mesmo nele, claro que não acredito que um velhinho percorra o mundo inteiro em uma única noite distribuindo presente, mas acredito que ele seja o espírito da esperança e da magia que toda criança tem de mais puro em si e que nesta época do ano todos tentamos reviver de alguma forma.

Então sim, eu acredito em Papai Noel!

E gostaria de cultivar no meu filho este mesmo sentimento bom, de fé e otimismo, que emana deste personagem.

Depois de muito eu acredito e você tem o direito de acreditar se quiser... blábláblá (ele tem medo de não acreditar, até o pai disse que acredita e olha que é judeu), fomos ver o Papai Noel. Ele entregou a cartinha e o velhinho a abriu e leu na frente dele. Achei o máximo, porque só reforça o encanto.


Para manter o clima mágico, na hora de montar o presente, escolhi uma embalagem que mais ninguém da família irá receber, tive o cuidado de usar até mesmo um laço de fita de natal que minha mãe me trouxe de fora e um cartão comprado há muitos anos. O presente do Bom Velhinho tem que ser único, direto da fábrica do Pólo Norte para o meu “nice boy”.

As crianças de hoje são muito espertas e crescem muito rápido, mas gostaria que ele pudesse desfrutar ao máximo possível deste mundo encantado e mágico da infância e da inocência.


Então, vamos manter a magia do Natal... (daqui a pouco vem o Coelhinho da Páscoa e a Fada do Dente).