Como tudo começou?

Enquanto revia vídeos e fotografias do meu pequeno de 4 anos (hoje com 7), que teima em crescer mais rápido do que eu consigo acompanhar, aproveitei para reler os diários que fiz desde a gravidez aos dias de hoje sobre cada momento (que julguei importante, essa ideia eu tive com a minha sogra que até hoje guarda escritos sobre fofurices do meu marido quando criança) registrado para que as trapaças da memória não as apagassem.


Foi neste caminho de reviver o passado que me descobri saudosa e percebi que precisava compartilhar as lembranças antes que esmaecessem sob a luz do dia a dia. Então, resolvi que postaria para amigos, familiares e outros curiosos do mundo pedaços desta minha vida, e ainda de lambuja deixar para o meu pimpolho histórias sobre ele mesmo para que um dia leia e sinta como foi esta jornada de chegar ao mundo e traçar seus próprios caminhos.


Espero que gostem e se emocionem um pouco, assim como eu ao revisitar minha história, e se entusiasmem para fazer uma visita à história de vocês.
Sejam bem vindos às "histórias sobre meu filho".

quinta-feira, 26 de maio de 2016

História de dormir

Ontem ã noite Miguel resolveu me contar uma história para dormir. Como já estávamos na cama, ele inventou a história.

"Era uma vez um menino, seu pai e sua mãe. Um dia eles resolveram viajar para o Uruguai.

Chegando lá eles descobriram que não sabiam falar a língua, e sem falar eles não poderiam ir ao restaurante, passear e comprar presentes, estas coisas, sabe?

Então o filho teve uma ideia. Por que não aprender a língua do Uruguai? Assim eles estudaram e aprenderem a falar. E puderam ir ao restaurante e passear. E eles adoraram a viagem.

Mas eles tiveram que voltar pra casa, porque acabou as férias. E eles ficaram muito tristes e começaram a chorar. Então o filho teve outra ideia. Eles voltaram na quinta-feira, então eles ia voltar no Uruguai no sábado ou domingo.

E quando eles voltaram uma coisa tinha acontecido, estava tudo destruído, e eles não entenderam  nada. Mas como gostaram muito daquele lugar, eles resolveram reconstruir tudo sozinhos. E aí eles puderam se divertir de novo. 

Fim"

Achei a história elaborada e cheia de significados nas entrelinhas. Uruguai é o país onde a avó paterna nasceu e volta e meia dizemos que gostaríamos de visitar.A volta com tristeza, remete às ultimas férias em que ele voltou com pesar de estar deixando o pais e voltando para casa. Mas o lance de destruição e reconstrução é bem legal. 

Não importa o que haja, qual a situação difícil ou incomum, a verdade é que nós três juntos somos capazes de reconstruir, passar pelo desafio e no final, nos divertirmos com tudo.

Esse meu filho é uma pessoa especial, de muita sensibilidade e empatia, como nunca vi igual. Amo muito!

quarta-feira, 25 de maio de 2016

Arte terapia

O lance é expressar os sentimentos da forma que conseguirmos...

Hoje Miguel me disse que estava com um sentimento que ele não sabia descrever, não sabia direito o que era, mas não era dor, "tipo dor de cabeça ou febre" (palavras dele).

 Estava acabrunhado e triste. Deitou-se no meu colo em posição fetal, como um bebezinho indefeso no colo de sua mãe, procurando aconchego.

Depois de alguns minutos neste aconchego duplo (eu também tirei a minha casquinha, já que ele teima em crescer), sugeri que fossemos desenhar, usar tinta e brincar juntos. Sentamos no chão com papel e tinta guache, e cada um de nós sentou-se para pintar seus sentimentos.

Enquanto eu me entretinha com meus amarelos e verdes, ele se desenhou com as pernas longas (pernudo) e as mãos sobre o peito. Um bonequinho sozinho num jardim sem flores. Ainda assim, não estava tranquilo, fez outro desenho e ainda estava tristonho.

Eu perguntei o que ele estava sentindo mas não consegui dizer, então falei para ele desenhar o sentimento. Depois de resistir um pocuo, ele escreveu a palavra "falta" no desenho que havia feito de si mesmo.

"Falta".

O que fazia falta para ele? Que sentimento de ausência e solidão era este?

Foi quando perguntei do que ele sentia falta, e querendo mudar de assunto, com um meio sorriso no canto dos lábios, ele me falou contrariado, entre dentes... Falta de A., sua paixão juvenil, a amiga da escola que mudou de colégio e ele não vê há meses.

Coração partido. Saudades.

Como consolar um menino destes?


domingo, 15 de maio de 2016

Let's get ready to rumble

Miguel agora joga basquete na escola porque disse que se jogar basquete vai ficar mais alto.

Na ultima medição que fizemos estava com 1.29, mas acho melhor confirmar na próxima consulta da pediatra.

Bem, seja o que for que o impulsionou a verdade é que ele tem ginga, tem jeito pro lance de acertar as cestas.

Let's get ready to rumble...


quinta-feira, 12 de maio de 2016

Magica Cartas Minecraft - Miguel G_120516



O que a gente não faz para o filho?
Curte aí!

Quer trocar uma bicicleta nova por uma lancheira velha?

Tenho o hábito de volta e meia perguntar ao miguel ou oura pessoa qualquer com quem esteja conversando, se gostariam de trocar uma coisa maneira por quinquilharia no melhor estilo da brincadeira do Sim/Não que eu via na TV quando criança

Como o Mi não achava muita graça, contei de onde vinha essa história e resolvi mostrar o vídeo da brincadeira do Sim e Não que passava na TV no programa do Bozo e Sílvio Santos.

Ri muito porque para ele era difícil e entender a existência deste tipo de programa e mais ainda uma pessoa, neste caso criança, trocar coisas boas por porcarias.

Ele disse que a criança era burra.

A verdade é que ele faz parte de uma geração cuja inocência está mais elástica e fluída, e que a graça e palhaçada de 30/40 anos atrás é tão bobo que quase não faz mais sentido.

Preciso me acostumar com a ideia de que tudo ocorre com ele num tempo (psicológico) diferente do que acontecia comigo. Isso não significa que ele está pulando fase ou deixando de curtir uma coisa ou outra, mas que o mundo é outros e os estímulos são diferentes.

Temos que estar mais próximos, guiando nossos pequenos, amando-os. Não que o que estão assando seja ruim mas é diferente e rápido, eles são pequenos e precisam de orientação, não regras fundamentalistas, mas de amor.

E aí, você quer trocar uma bicicleta nova por uma lancheira velha? Sim ou Não???? (Alguém ainda usa aquelas lancheiras com garrafinha térmica combinando?).

segunda-feira, 25 de abril de 2016

O que está faltando nesta foto?

E mais uma vez a Fada do Dente veio nos fazer uma visita em troca de um dentinho.


Com este já foram cinco. Esperamos o próximo para o mês que vem  :)



A origem da tradição

Miguel tem origem judaica e não judaica. Desde seu nascimento eu e o pai nos preocupamos com os ritos e lendas que seriam passados a ele. Embora eu tenha admiração pela cultura judaica, acordamos que cada um ficaria encarregado de transmitir sua cultura, sua crença e assim vimos seguindo.


Acontece que na família do pai há um rompimento com caráter religioso da tradição e todas as festas e comemorações tendem a um lado histórico e laico. 

Ao longo dos anos em que compartilho estas datas com eles, percebi um processo de afastamento com a origem cultural. Claro que após o falecimento dos parentes mais idosos e antigos na tradição, é natural que ocorra um ajuste na forma de transmitir sua história. Mas o que presencio é triste pra mim, me parece um esfacelamento das relações com a história.

Posso estar sendo exagerada, mas eu vejo pelo lado do meu filho. A maior parte do que ele sabe aprendeu comigo e eu não sou judia. Se eu não entender posso passar alguma interpretação desviada, errada, sabe? Esta não deveria ser uma preocupação minha.

Há algum tempo atrás ele ouviu de uma pessoa próxima que só é judeu quem nasce de barriga judia, ele me perguntou se eu era judia e eu disse que não. Penso, logo existo. Minha mãe não é judia, logo eu tão pouco. Este assunto está encerrado para ele, mas não pra mim. Eu e meu marido ainda gostaríamos que ele tivesse contato com a história da origem da família, por outro lado não me cabe esta tarefa. E daí vai o sentimento de esfacelamento ao qual me referi.

Ainda me lembro das festas da minha infância onde histórias eram contadas, ou inventadas (não importa), mas eram aos poucos gravadas em mim. Faço com o Miguel a tradição de contar e reinventar histórias sobre as minhas crenças, e nestas, ele acredita e segue, e com certeza dará continuidade, mesmo que seja da forma e à maneira dele.

O importante é que os laços se mantenham, e que ele possa reconstruir os passos de sua ascendência, e construir sua história que é tão bonita. Espero que ainda tenhamos tempo de apresentar a ele opções de visão de mundo, de construção e percepção de realidades. Afina, ele não é filho de chocadeira, e a história da nossa origem é parte de quem somos e de quem queremos ser.